REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 19.1 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20150005

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Pesquisa

Participação de avós no cuidado aos filhos de mães adolescentes

Grandmothers' involvement in the care of children of adolescent mothers

Aliny de Lima Santos1; Elen Ferraz Teston2; Hellen Pollyanna Mantelo Cecílio3; Deise Serafim4; Sonia Silva Marcon5

1. Enfermeira. Doutora em enfermagem. Professora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB. Acarape, CE - Brasil
2. Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem na Universidade Estadual de Maringá - UEM. Programa Saúde da Família da Prefeitura de Jandaia do Sul, Paraná. Jandaia do Sul, PR - Brasil
3. Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem na UEM. Professora da Universidade Estadual do Paraná, Campus Paranavaí. Paranavaí, PR - Brasil
4. Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Professora da Graduação em Enfermagem da UEM. Maringá, PR - Brasil
5. Enfermeira. Doutora em Filosofia da Enfermagem. Professora Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Enfermagem UEM, Líder do Núcleo de Estudos, Pesquisa, Assistência e Apoio as Famílias - NEPAAF. Maringá, PR - Brasil

Endereço para correspondência

Aliny de Lima Santos
E-mail: aliny.lima.santos@gmail.com

Submetido em: 07/05/2014
Aprovado em: 22/09/2014

Resumo

O objetivo foi conhecer o papel das avós no processo de cuidado a filhos de mães adolescentes. Estudo descritivo de natureza qualitativa, realizado em Maringá-PR com mães adolescentes que continuaram residindo com seus pais após o nascimento do filho, independentemente de terem ou não companheiro. As adolescentes foram identificadas a partir das fichas de crianças incluídas no Programa de Vigilância do Recém-Nascido de Risco. Os dados foram coletados nos meses de abril e maio de 2010, por meio de entrevistas semiestruturadas, previamente agendadas e realizadas no domicílio. Das 14 entrevistadas, apenas uma já era mãe pela segunda vez. A partir dos depoimentos obtidos, emergiram duas categorias temáticas: o suporte oferecido pelas avós no processo de cuidado ao recém-nascido na maternidade adolescente e a necessidade de cuidado compartilhado entre duas gerações. Os dados evidenciaram empenho das avós em preparar a mãe adolescente para o cuidado rotineiro ao filho, todavia, algumas orientações eram influenciadas por crendices e por vivências anteriores. Porém, a insegurança das mães adolescentes em relação aos cuidados ao filho, em alguns casos, permitiu que as avós passassem a assumir o papel de mãe. Conclui-se que as avós oferecem suporte positivo no processo de cuidado a filhos de mães adolescentes, mesmo que este seja influenciado por crendices.

Palavras-chave: Adolescente; Relações Mãe-filho; Cuidado da Criança; Relações Familiares.

 

INTRODUÇÃO

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento humano que implica um período de mudanças físicas e emocionais, considerado por alguns como momento de conflito ou de crise.1 Atreladas a esse processo de mudanças estão as transformações que vêm ocorrendo no âmbito sociocultural, tendo como uma de suas consequências a mudança do padrão de comportamento dos indivíduos, conduzindo ao início, cada vez mais precoce, da vida sexual, muitas vezes resultando em gravidez indesejada.2

Além das inquietudes e inseguranças próprias da adolescência, outras condições propiciam a gravidez nessa etapa da vida, como o contexto social no qual a jovem está inserida, baixa escolaridade, desenvolvimento puberal precoce, reduzido conhecimento e ineficiente utilização de métodos contraceptivos, além do estabelecimento de relacionamentos íntimos frágeis.2,3 Isso indica que a adolescente necessita de apoio adequado e orientações apropriadas ao seu desenvolvimento, para aprender habilidades e exercer efetivamente a maternidade.4

Embora biologicamente aptas para se tornarem mães, as adolescentes, devido à imaturidade psíquica inerente à idade, podem apresentar dificuldade para exercer uma maternidade efetiva, levando-as a negligenciarem a atenção necessária ao filho, o que pode prejudicar a saúde do mesmo, pela inexperiência e despreparo em reconhecer precocemente sinais de doença ou os riscos domésticos ou, ainda, por falta de recursos financeiros.4

Deveras, a gravidez na adolescência desencadeia a necessidade de ajustamento em diferentes dimensões do processo de viver da jovem. Fundamentalmente, representa uma rápida transição no ciclo vital em que a filha, até então, também passa a assumir o papel de mãe. É, pois, uma passagem do "querer colo" para o "dar colo", tornando-se adulto ainda na adolescência e, assim, sobrepondo os processos de crescimento e amadurecimento.5 Dessa forma, além de não possuírem independência financeira e ainda necessitarem dar continuidade aos estudos, sentem-se inseguras quanto aos cuidados ao filho, necessitando de apoio e orientações sobre o cuidar, o que as leva a lançar mão do suporte oferecido pela família, em especial da própria mãe.6 Contudo, é possível que o suporte oferecido pela avó interfira no cuidado que a jovem mãe realiza à criança7, visto ser comum que as avós assumam as responsabilidades para com a criança, função esta que deveria ser exercida pela jovem mãe. Isso é particularmente presente quando a adolescente continua morando com sua família de origem, o que possibilita às avós maternas mais proximidade e atuação junto à criança, levando-as a assumir o papel de guardiãs.6,8

A escassez de estudos recentes que versem sobre essa importante temática assegura a necessidade de pesquisas que busquem identificar o contexto de vida da família que vivencia a gravidez na adolescência e, de forma mais específica, conhecer a participação das avós nos cuidados à criança de mães adolescentes. Dessa forma, o estudo objetivou conhecer o papel das avós no processo de cuidado a filhos de mães adolescentes.

 

METODOLOGIA

Trata-se de estudo descritivo, com abordagem qualitativa, realizado com mães de recém-nascidos incluídos no programa de vigilância do recém-nascido de risco, arquivadas no setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Maringá, Paraná. Esse programa tem por objetivo garantir o acompanhamento do recém-nascido de risco após alta hospitalar. Salienta-se que os recém-nascidos, filhos das adolescentes participantes deste estudo, não apresentavam outros critérios de risco para inclusão no programa além do fato de suas mães serem adolescentes.

A inclusão das participantes no estudo obedeceu aos seguintes critérios: idade igual ou inferior a 18 anos e terem continuado residindo com seus pais após o nascimento do filho, independentemente de terem ou não companheiro. As participantes, portanto, foram as primeiras mães adolescentes abordadas, visto que não havia delineamento prévio do número de sujeitos. Assim, a quantidade de indivíduos foi determinada pela saturação dos dados e, principalmente, na medida do alcance dos objetivos inicialmente estabelecidos.

Os dados foram coletados nos meses de abril e maio de 2010, por meio de entrevistas semiestruturadas, previamente agendadas e realizadas no domicílio, de acordo com a disponibilidade das adolescentes. Após o consentimento, foram gravadas em aparelho MP3 e tiveram duração média de 45 minutos. Utilizaram-se as seguintes questões norteadoras: quais cuidados você realiza ao seu recém-nascido? Como é para você realizar os cuidados ao seu filho? Você recebeu/recebe alguma orientação ou ajuda de pessoas da sua família para realizar esses cuidados? Fale sobre isso.

As entrevistas foram transcritas na íntegra e, em seguida, submetidas a um processo de análise de conteúdo, modalidade temática.9 Para tanto, procedeu-se à pré-análise mediante leituras flutuantes da totalidade dos dados coletados, o que se configurou no corpus analisado, para viabilizar a formulação das interpretações e indagações iniciais. A seguir, realizaram-se leitura exaustiva do material, codificação, enumeração, classificação e agregação. Finalmente, procedeu-se à interpretação e categorização dos resultados obtidos mediante identificação das unidades de interesse, dos aspectos comuns entre elas e das inferências.9 Na apresentação dos resultados foi preservada a fala coloquial dos participantes e realizada apenas correção de alguns vícios de linguagem, para tornar a leitura mais fluida e prazerosa.

O desenvolvimento do estudo ocorreu em conformidade com o preconizado pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e seu projeto foi aprovado pelo Comitê Permanente de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá, conforme Parecer 160/2010. Todas as participantes e seus responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias. Para preservação da identidade dos sujeitos em estudo, os recortes das falas das mães adolescentes estão identificados com a letra A e um número que indica a ordem da realização das entrevistas.

 

RESULTADOS

Das 14 adolescentes em estudo, 10 moravam com o companheiro na casa de seus pais, sendo que, por ocasião da coleta de dados, seis delas tinham 17 anos, quatro 16, três 18 e uma tinha 15 anos; 11 delas não haviam completado o ensino fundamental e três interromperam os estudos devido à gestação. Apenas uma (com 17 anos à época da coleta de dados) já era mãe pela segunda vez. Quatro adolescentes tiveram partos com 37 semanas, uma com 36 semanas de gestação e as demais entre 38 e 40 semanas de gestação. Por fim, cinco delas referiram histórico familiar de gestação na adolescência, sendo quatro casos de antecedente materno e um por parte de tia.

A partir dos depoimentos obtidos emergiram duas categorias temáticas: "o suporte oferecido pelas avós no processo de cuidado ao recém-nascido na maternidade adolescente" e "necessidade de cuidado compartilhado entre duas gerações", as quais serão descritas a seguir.

O suporte oferecido pelas avós no processo de cuidado ao recém-nascido na maternidade adolescente

Observa-se o empenho das avós em preparar a mãe adolescente para o cuidado rotineiro ao filho, por meio da oferta de orientações referentes ao banho, cuidado com o umbigo e o incentivo ao aleitamento materno exclusivo.

Minha mãe ficava perto, olhando, para ver se eu estava dando banho certo, me ensinando, para ver se não caía água no ouvido [...] falava como eu tinha que cuidar do umbiguinho até cair, que é limpar bem, com esse álcool (se referindo ao álcool 70%) [...] (A2)

Minha mãe sempre falava pra eu dar mamar que era bom dar só o peito até os seis meses, porque eu tinha bastante leite, aí eu dou até hoje [...] (A6)

Evidenciou-se também que algumas orientações eram influenciadas por crendices e por vivências anteriores dessas avós, que nem sempre condiziam com as reais necessidades do filho.

[...] foi a minha mãe que curou o umbiguinho dela. Ela colocou faixa. Eu nem sabia que podia pôr faixa, só que os outros falavam que não podia [...] Mas como ela chorava demais, estufava e eu fiquei com medo, aí coloquei a faixa. Passei óleo de mamona também (A5).

Ela [a mãe da adolescente] mandava dar leite de saquinho para ela, que era melhor. Dizia que só o peito não mata a fome da neném, aí desde que ela tinha dois meses, eu dou leite de saquinho (A13).

Necessidade de cuidado compartilhado entre duas gerações

Observa-se que diante da insegurança das mães adolescentes em relação aos cuidados rotineiros ao recém-nascido, em alguns casos, as avós deixam de oferecer o suporte necessário e passam a assumir o papel de mãe, legitimado pelo fato de se considerarem "detentora do saber e, portanto, também do poder de decisão".

Um dia desses, quando cheguei da escola ele [o filho] não estava. Fiquei maluca, comecei a chorar e tudo. Várias coisas passando pela minha cabeça, sabe? Depois de duas horas minha mãe apareceu com ele [risos]. Ela tinha levado ele para passear. Quando me viu desesperada, até me chamou de boba e riu de mim, disse que eu não devia me preocupar já que ela cuida melhor dele do que eu. Nem parece que o filho é meu, sabe? (A14).

[...] os primeiros três meses, quem dava banho era minha mãe. Eu tinha medo de derrubar ele, era muito pequenininho, Deus me livre [risos]! Um dia não tinha ninguém em casa, eu tive que dar. Daí eu dei, mais fiquei com medo, viu, porque minha mãe nunca deixava eu dar banho nele (A10).

[...] quando é para trocar a roupinha dela, minha mãe troca, ela tem medo que eu machuque a neném ou então que derrube ela [...] eu gosto de cuidar dela, mais minha mãe tem medo, ela prefere ela fazer as coisas [...] (A6).

[.] dava o peito bem certinho. Eu queria dar mamar a ele pelos seis meses inteiros, sabe? Mas tive que voltar a ir à escola e minha mãe dava leite NAN® Não tem como reclamar, não é? Ela sabe o que é melhor para ele mais do que eu (A11).

 

DISCUSSÃO

A família constitui a principal referência para a mãe adolescente, pois representa apoio social, econômico, emocional e educacional, conforme registrado em estudo bibliográfico.10 O modo como a família vivencia a gestação na adolescência, sua colaboração e apoio e, sobretudo, a relação mãe e filha, é de grande importância para o afloramento saudável da jovem mãe e para o desenvolvimento do filho.11 Estudo realizado junto a mães adolescentes em uma maternidade no município de Cambé-PR revelou que o apoio oferecido pela família auxilia a adolescente a assumir seu papel de mãe, adquirindo conhecimentos para cuidar de seu filho, além de apoiá-la, orientá-la e incentivá-la a encontrar o melhor caminho de cuidado ao filho.12

Nesse sentido, a figura da avó é ressaltada como pilar de apoio e manutenção da estrutura familiar, sendo reconhecida sua importância no aspecto emocional, afetivo e como principal fonte de informação durante todo o processo gestacional da adolescente e, de forma especial, após o seu término. Sua participação é decisiva para o melhor ajustamento ao papel materno.13

Observa-se, nos depoimentos de A2 e A6, o empenho das avós em relação ao preparo da jovem para assumir os cuidados diários ao filho, quesito este de extrema importância para que a adolescente enfrente as inseguranças dessa nova fase da vida e assuma o papel de protagonista do cuidado ao seu filho. Isso corrobora o resultado de estudo realizado junto a mães adolescentes de Maringá-PR, que reafirma a importância das orientações oferecidas pelas avós como fonte de confiança pessoal na capacidade de cuidar e no estabelecimento de vínculo mãe-filho. Esses fatores contribuem para o crescimento e desenvolvimento saudável da criança.14

O incentivo positivo oferecido pelas avós às práticas corretas de cuidados ao filho permite que a adolescente se sinta mais segura e disposta a implementar as orientações recebidas durante o pré-natal, passando a ver sua mãe como aliada. Nesses casos, as avós, além de serem percebidas como aliadas, também se tornam participantes do processo de maternidade da adolescente, porém, sem assumir a criança ou os cuidados como sua responsabilidade, atitude que tende a afastar a adolescente de sua obrigação e direitos de exercer o papel de mãe e de tomar decisões relacionadas a esse papel.15

Evidenciam-se nas falas de A5 e A13 diferentes formas de cuidado relacionadas ao aleitamento materno influenciadas por práticas culturais associadas a crenças e vivências de suas mães. Embora atualmente a importância do aleitamento materno seja amplamente divulgada pela mídia e pelos profissionais de saúde, observa-se a influência do contexto histórico vivido pelas avós, em que a prática da amamentação ainda não era tão valorizada, devido ao desconhecimento de suas inúmeras vantagens.16 Da mesma forma, estudo realizado junto a mães adolescentes do município de Maringá-PR evidenciou a ausência de incentivo e apoio familiar para o aleitamento materno exclusivo, de forma que as adolescentes relataram que principalmente suas mães e avós sempre indicavam a complementação do aleitamento com chás e água.7

Diante disso, reconhece-se a necessidade de as adolescentes e suas mães serem orientadas pelos profissionais da saúde, em especial os enfermeiros, ainda na assistência pré-natal, de forma que estas possam, a partir do conhecimento científico advindo das orientações, discutir sobre a vivência das avós.

Apesar de terem sido comprovados os reflexos positivos do suporte oferecido pelas avós no cuidado oferecido pela mãe adolescente ao filho, notou-se, em alguns casos, a necessidade de desenvolver um cuidado compartilhado a fim de evitar troca de papéis. Nos depoimentos de A6, A10 e A14 detecta-se um "distanciamento" das adolescentes da maternidade marcado pelo protagonismo da avó no cuidado à criança. Deste modo, a adolescente "perde" sua identidade de mãe, o que acaba por reforçar a percepção de insegurança advinda da idade e da nova fase vivenciada. Estudo realizado em um município do Rio Grande do Sul com mães adolescentes também identificou a perda de autonomia diante do cuidado à criança, em decorrência do papel assumido pelas avós, o que contribui para que elas não se sintam preparadas para assumir a maternidade.17

Esse fato pôde ainda ser observado durante as entrevistas, pois muitas vezes as adolescentes tinham dificuldade em se manifestarem em relação à sua experiência de cuidados ao filho, devido ao comportamento de suas mães, que se antecipavam em responder os questionamentos, restando às adolescentes a possibilidade de calar-se ou concordar com seus relatos.

Cabe salientar que o reforço à insegurança faz com que muitas vezes a adolescente se mantenha como expectadora do cotidiano do seu filho, deixando-o aos cuidados de outra pessoa, por acreditar que esta o realizaria de forma mais adequada.10,18 Além disso, pesquisa de revisão sistemática informou que o âmbito familiar pode servir como fator de risco para a situação de maternidade adolescente, sendo influenciada por dificuldades no relacionamento familiar, repetição da história familiar de gestação, ocorrência de gestações sucessivas durante a adolescência, falta ou inadequação de orientação sexual, quantidade e qualidade do apoio social recebido, entre outros.19

Diante disso, a equipe de enfermagem deve estar preparada para acolher as adolescentes de maneira humanizada durante o pré-natal e puerpério, orientando-as e ao mesmo tempo permitindo que elas possam esclarecer dúvidas de forma a torná-las menos inseguras e mais preparadas para os cuidados cotidianos ao filho e, consequentemente, propiciando o estreitamento dos laços afetivos entre o binômio mãe-filho.20

Frente a toda essa participação das avós no cuidado, destaca-se a importância da oferta de uma assistência pré-natal diferenciada e singular à realidade das adolescentes e, ao mesmo tempo, incluindo as avós durante a oferta de orientações e capacitação para o cuidado de qualidade à criança. Esse suporte deve ser realizado mediante orientações claras, sobre assuntos diversos listados pela mãe adolescente e avó, oferecendo apoio contínuo ao envolvimento dos membros da família para que também recebam as orientações e favoreçam sua aplicabilidade no domicílio. Além disso, a equipe de enfermagem deve perpassar ações humanizadas, não somente oferecendo informações, mas também sabendo ouvir atentamente, já que as necessidades dos diferentes contextos nem sempre são as mesmas detectadas pelos profissionais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados do estudo evidenciaram o suporte positivo das avós no processo de cuidado a filhos de mães adolescentes, percebido a partir do incentivo e apoio para que elas mesmas assumam de forma crescente a responsabilidade pelos cuidados ao filho. Entretanto, em alguns casos apurou-se que esse suporte foi influenciado por crenças e vivências das avós no passado. Identificou-se também a necessidade de se construir um cuidado compartilhado entre a avó e a mãe da criança, de forma a reforçar o papel da mãe como protagonista do cuidado ao seu filho e evitar que haja troca de papéis, fator este que pode repercutir negativamente no estabelecimento do vínculo mãe-filho e no desenvolvimento da criança.

Diante disso, considera-se importante que os profissionais de saúde reconheçam as avós como copartícipes dos cuidados aos filhos de mães adolescentes, incluindo-a em suas práticas assistenciais, motivando-as e capacitando-as para que elas possam atuar como conselheiras. Sugere-se que os profissionais apoiem também a implementação das orientações oferecidas em seu cotidiano e no da jovem mãe, reforçando sempre a importância da autonomia da adolescente e do estabelecimento e manutenção do vínculo mãe-filho.

Apesar do reduzido número de participantes e da interferência constante por parte das avós durante as entrevistas, deixando as adolescentes receosas e levando-as a ficar acuadas e limitando seus depoimentos, a pesquisa foi de grande validade, tendo em vista os resultados obtidos e a contribuição ao conhecimento do tema, considerando-se a escassez de estudos recentes versando sobre o assunto.

 

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