REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 16.1

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Revisão Teórica

Obesidade infantil como fator de risco para a hipertensão arterial: uma revisão integrativa

Childhood obesity as a risk fator for the development of arterial hypertension: an integrative review

Carla Campos Muniz MedeirosI; Inácia Sátiro XavierII; Victor Emmanuell Fernandes Apolônio SantosIII; Marcos Antônio de Oliveira SouzaIV; Adriana Santana de VasconcelosV; Estela Rodrigues Paiva Alves

IMédica. Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade de Campinas (Unicamp). Docente dos Mestrados Acadêmicos em Saúde Coletiva da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e do Mestrado Acadêmico Associado em Enfermagem em Promoção à Saúde da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
IIEnfermeira. Doutora. Docente do Departamento de Enfermagem e dos Mestrados Acadêmicos em Saúde Coletiva da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e do Mestrado Acadêmico Associado em Enfermagem em Promoção a Saúde da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Bolsista Produtividade CNPq
III
Enfermeiro. Especialista em Cardiologia Clínica. Mestrando do Programa Associado em Enfermagem em Promoção à Saúde da Universidade de Pernambuco (UPE) e Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Bolsista CAPES
IVEnfermeiro. Estomaterapeuta. Mestrando do Programa Associado em Enfermagem em Promoção à Saúde da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Bolsista Capes
V
Enfermeira. Especialista em Saúde Coletiva. Mestranda do Programa Associado em Enfermagem em Promoção à Saúde da Universidade de Pernambuco (UPE) e Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
VIEnfermeira. Especialista em Saúde da Família. Mestranda do Programa Associado em Enfermagem em Promoção à Saúde da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Bolsista Capes

Data de submissão: 03/03/2011
Data de aprovação: 14/02/2012

Resumo

O fator mais relevante para a origem da hipertensão arterial na infância é a obesidade, a qual vem apresentando um rápido crescimento nas últimas décadas, sendo considerada uma epidemia, atingindo todas as faixas etárias, especialmente as crianças. O objetivo com este trabalho é descrever a correlação existente entre obesidade infantil como fator de risco para o desenvolvimento da hipertensão arterial na literatura. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e bibliográfico, uma revisão integrativa da literatura sobre artigos disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), capturados nas bases de dados LILACS e ADOLEC, no período de 2000 a 2010, produzidos no Brasil mediante o cruzamento dos descritores "Obesidade", "Criança" e "Hipertensão". Foi obtido um quantitativo de 419 artigos nas bases de dados utilizadas, sendo selecionados apenas aqueles que versaram sobre a obesidade infantil como fator de risco para hipertensão arterial, tendo obtido ao final um total de 11 publicações, as quais foram sintetizadas em um quadro comparativo. Os resultados da pesquisa revelam que doenças como a obesidade e a hipertensão arterial, que eram prevalentes na população adulta, agora atingem, também, as crianças de forma semelhante. Conclui-se, assim, que é fundamental o diagnóstico prematuro e a implantação de estratégias de prevenção e promoção da saúde por uma equipe multiprofissional com esse grupo etário, a fim de evitar complicações futuras que comprometam a qualidade de vida desses indivíduos.

Palavras-chave: Obesidade. Hipertensão. Saúde da criança

 

INTRODUÇÃO

A obesidade pode ser entendida como um acúmulo de tecido gorduroso, regionalizado ou em todo corpo, que afeta a saúde do indivíduo. Sua causa é multifatorial, podendo ser provocada por fatores psicológicos, genéticos, endócrinos e socioeconômicos.1

Apresentando um rápido crescimento nas últimas décadas, a obesidade vem sendo considerada uma epidemia, alastrando-se tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, atingindo todas as faixas etárias, especialmente as crianças.2

No Brasil, está ocorrendo um processo de transição epidemiológica, na qual a obesidade vem ocupando o lugar da desnutrição infantil de acordo com o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN).3 Além de estar em destaque no cenário epidemiológico do grupo de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e ser um fator de risco para outras doenças deste grupo.4

A obesidade infantil é um fator preocupante dado o risco que os indivíduos desse grupo etário têm de se tornarem adultos obesos.5 No caso do Brasil, as crianças mais atingidas pela obesidade pertencem às classes mais privilegiadas, ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde há uma mudança desse perfil, de modo que a maioria das crianças obesas pertence a classes sociais menos favorecidas. O INAN aponta que a obesidade infantil atinge 16% das crianças brasileiras.3

Desse modo, considera-se que os hábitos alimentares constituem um dos principais fatores relacionados ao aumento da adiposidade na criança. Dependendo dos hábitos familiares, a ausência dos pais no ambiente familiar dadas as responsabilidades do mundo globalizado, o estresse das grandes cidades ou por simples praticidade, é oferecido à criança alimentos industrializados, além da preferência infantil por "guloseimas". Vale salientar que, aliado ao avanço tecnológico, veio o sedentarismo, a TV, o computador e o videogame, os quais estão cada vez mais sendo inseridos como os únicos meios de diversão das crianças, deixando práticas saudáveis, como as atividades físicas, em outro plano.

Esse aumento da adiposidade ainda na infância gera uma série de complicações como: alterações ortopédicas, articulares, dermatológicas, respiratórias, cardiovasculares, psicossociais e metabólicas. Na maior parte das vezes, as alterações metabólicas são mais evidentes na vida adulta. No entanto, cada vez mais precocemente, temos verificado que crianças e adolescentes apresentam associação de resistência insulínica, hipertensão e dislipidemias, aproximando o risco cardiovascular dessa faixa etária.6 Dentre elas, as que se destacam são as doenças cardiovasculares (DCVs), consideradas como a principal causa de morte no mundo atual e seus fatores de risco como a hipertensão arterial (HA) e os níveis elevados de colesterol têm papel decisivo nos gastos com a saúde, assim como grande influência na qualidade de vida dos doentes e seus familiares.7

Evidencia-se a obesidade como o fator mais relevante para a origem da hipertensão arterial na infância.8 Segundo alguns autores, acreditava-se que a HA só ocorresse em adultos. No entanto, recentes estudos epidemiológicos brasileiros têm demonstrado prevalência da HA entre 6% e 8% na população infantil. Grande porcentagem dos casos de hipertensão essencial nos adultos inicia-se na infância.9,10

Desde o nascimento, a pressão arterial (PA) aumenta proporcionalmente à faixa etária, isso, no entanto, nem sempre ocorre com todas as crianças de uma dada população.11 A criança que apresenta o percentil da pressão arterial acima do normal para sua faixa etária está propícia a desenvolver uma série de fatores que contribuem para aparecimento de outras doenças.

Seja por fatores associados à história familiar positiva, obesidade e qualidade de vida, a elevação da pressão arterial em pediatria requer atenção primordial para que não ocorra ou amenizem esse fator de risco pré-morte. Como consequência do aumento da PA na infância, podemos destacar hipertrofia ventricular esquerda, apresentando um aumento na prevalência de geometria ventricular esquerda anormal, doença renovascular, coarctação da aorta, doença parênquima renal, hipertensão essencial, dentre outras.12

Assim, evidencia-se o motivo pelo qual há a suma importância de realizar o diagnóstico da HA na infância, interferindo na elevação da PA e evitando suas complicações.

Com o intuito de ampliar os estudos sobre essa temática mediante o agrupamento e a análise das informações disponíveis nas Bases de Dados estudadas, propõe-se, com este artigo, contribuir para a melhor compreensão e contextualização da obesidade infantil na gênese da hipertensão arterial, gerando nos leitores estímulo para a reflexão crítica sobre o tema proposto, como também o despertar gestores e profissionais da saúde para uma nova perspectiva de atendimento às crianças com obesidade nas Unidades Básicas de Saúde, visto que é nessa faixa etária específica da população brasileira que se concentram as chances maiores de encontrarmos os futuros hipertensos e diabéticos que irão gerar ônus individual, familiar e social para o país.

Diante do exposto, o objetivo com este estudo é descrever a correlação entre a obesidade infantil e a hipertensão arterial, descritas em artigos científicos nacionais.

 

METODOLOGIA

Para atender ao objetivo proposto, foi desenvolvido um estudo descritivo e bibliográfico, do tipo revisão integrativa da literatura, mediante levantamento dos artigos disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), capturados nas bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Saúde na Adolescência (Adolec), no período de 2000 a 2010, produzidos no Brasil. Para tanto, foram usados como descritores os termos "Obesidade", "Criança" e "Hipertensão". Foi realizado o cruzamento desses ddescritores por meio do operador booleano AND, sendo selecionados os artigos originais, que estavam disponíveis na íntegra e em língua portuguesa.

A coleta de dados ocorreu de abril a junho de 2010, sendo obtido um quantitativo de 419 artigos pelas bases de dados utilizadas, os quais inicialmente foram analisados mediante a leitura crítica de seus resumos. Em seguida, foram selecionados apenas aqueles que versavam sobre a obesidade infantil como fator de risco para o surgimento da hipertensão arterial. Ao final, restaram 11 publicações, as quais foram sintetizadas em um quadro comparativo contendo as seguintes informações: título do artigo, autor e ano de publicação, objetivos, metodologia, resultados principais e conclusão. Os resultados foram apresentados em um quadro e analisados de acordo com a literatura específica.

 

RESULTADOS

Foi evidenciado que de 2000 a 2003 e em 2006, os quais foram incluídos no recorte temporal da pesquisa, não foram encontrados artigos publicados com os objetivos propostos neste estudo. No entanto, o ano de 2004 obteve-se um quantitativo de 4 artigos que se enquadravam com a temática trabalhada.

 


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DISCUSSÃO

O conhecimento da prevalência de hipertensão arterial em crianças obesas é importante para a compreensão dos mecanismos de interação entre as duas doenças, uma vez que o risco precoce para doenças do aparelho cardiovascular pode ser potencializado em idades mais jovens dada a presença do excesso de peso corporal. Como a obesidade na infância propicia um prognóstico de adulto obeso, o qual estará exposto a padecer mais facilmente de doenças crônicas, estudos que investigam a alta prevalência de hipertensão arterial representam um importante sinal de alerta para a avaliação das condições de saúde cardiovascular desse grupo etário.22

As doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade da população no Brasil, onde o risco da pressão arterial com valores elevados varia de acordo com a duração da obesidade.23 Ou seja, o risco de desenvolver hipertensão torna-se maior conforme a permanência do estado de obesidade.

Alguns estudos epidemiológicos brasileiros têm demonstrado prevalência de hipertensão arterial (HA) em crianças e adolescentes entre 6% e 8%.9 Silva et al.14, em pesquisa realizada com 1.253 estudantes de Maceió na faixa etária de 7 a 17 anos, identificaram 7,7% de hipertensos. No entanto, Xavier et al.10 e Costanzi et al.,20 ao avaliarem 229 crianças na faixa etária de 5 a 15 anos e 1.413 na faixa etária de 7 a 12 anos, encontraram a prevalência de HA de 13,5% e 13,9%. Já nos estudos realizados por Oliveira et al.15 com 701 crianças na faixa etária de 5 a 9 anos e na pesquisa de Nogueira et al.18 com uma amostra de 1.713 na cidade de Santos, na faixa etária de 7 a 10 anos, foi encontrada a prevalência de 3,6% e 2,7%, respectivamente.

A ampla variação na prevalência de HA pode decorrer da metodologia utilizada na medição da pressão arterial, da faixa etária investigada e do número de medidas de pressão arterial realizadas, visto que o fator ansiedade durante a aferição pode interferir na medida.24

No estudo de Ferreira e Aydos,21 onde foram avaliadas 129 crianças e adolescentes de 7 a 14 anos, a HA se manifestou com destaque para os indivíduos de 13 e 14 anos, com um percentual de 52,4%, os quais diferiram estatisticamente dos demais grupos etários.

Em relação à prevalência da hipertensão arterial entre os sexos, foi verificado em alguns dos artigos selecionados para este estudo, que não há diferença estatisticamente relevante para essa associação.9,15,10,20,21 No entanto, algumas pesquisas constataram maior porcentagem de indivíduos hipertensos ora no sexo feminino,25 ora no sexo masculino.26

Monego e Jardim17 identificaram diferenças estatisticamente significantes na relação acima, aos 9-10 e 8-9 anos, para meninos e meninas, respectivamente. Nas situações em que a presença da hipertensão foi mais marcante entre o sexo feminino, os autores justificam a obtenção de tais achados dado ao fato de que outros fatores de risco para hipertensão são mais comuns nas mulheres, como no caso da obesidade, que se mostrou mais frequente no sexo feminino, em alguns estudos.27 Na pesquisa realizada por Nogueira et al.18 com uma amostra de 10.905 crianças, porém, identificou-se uma diferença estatisticamente significante entre os grupos, com maior frequência de obesidade em meninos.

A prevalência de hipertensão arterial infantil está diretamente relacionada ao aumento do índice de massa corporal, sendo a obesidade importante fator de risco. Esse dado pode ser verificado com base nos resultados dos artigos coletados, em que altos níveis pressóricos foram vistos, correlacionando-se com o índice de massa corporal elevado. Na pesquisa realizada por Xavier et al.,10 foi encontrada prevalência de obesidade infantil de 13,5%. As crianças obesas apresentaram a maior proporção de HA (54,8%) e entre aquelas com sobrepeso 25,9% tinham hipertensão.

Ribeiro et al.,16 em seu estudo com 1.450 indivíduos na faixa etária de 6 a 18 anos, identificou taxas de prevalência de 8,4% para estudantes com sobrepeso, 3,1% para obesidade e 11,5% para estudantes com excesso de peso, onde os estudantes com excesso de peso apresentaram 3,60 e 2,70 vezes mais chances de ter pressão arterial sistólica e diastólica aumentadas. Silva et al.14 identificaram a prevalência de "risco de sobrepeso" e de sobrepeso na população estudada de 7 a 17 anos, de 9,3% e 4,5%, respectivamente. Costanzi et al.20 demonstraram que as crianças que obtiveram circunferência da cintura aumentada apresentaram 2,8 vezes mais chances de ter níveis pressóricos elevados.

Na pesquisa de Moura et al.,9 com uma amostra de 1.253 escolares e adolescentes na faixa etária entre 7 e 17 anos, a prevalência de pressão arterial foi de 9,4%. Esse dado foi significantemente maior nos estudantes com sobrepeso e com risco de sobrepeso. Zanoti, Pinna e Manetti,19 em seu estudo com 148 escolares na faixa etária de 6 a 11 anos, identificaram a prevalência 10,1% de sobrepeso e 23% de obesos; entre os estudantes que apresentaram índice de sobrepeso, 80% eram normotensos e 20% hipertensos; aproximadamente 82% das crianças e adolescentes obesos eram normotensos; entretanto, entre esses, 8,8% foram classificados como limítrofes e 8,8% como hipertensos; nesse estudo nota-se o maior percentual de crianças obesas.

No estudo apresentado por Garcia et al.13, composto por 672 crianças entre 2 e 11 anos, houve associação entre cor branca e IMC elevado; das 307 crianças consideradas brancas, 66 (21,5%) apresentaram sobrepeso ou obesidade; das 364 crianças não brancas, 53 (14,5%) apresentavam essa característica. Verificou-se, também, que as médias de pressão arterial sistólica e diastólica foram significativamente mais elevadas nas crianças brancas provenientes de escola com elevado índice de qualidade de vida urbana. Segundo a pesquisa realizada por Costanzi et al.,20 as crianças brancas apresentaram 2,4 vezes mais chances de ter níveis pressóricos elevados; nas redes de ensino, as escolas particulares apresentaram o dobro (24,7%) de crianças com pressão arterial elevada, quando comparadas com as escolas estaduais (13,5%) e municipais (11,3%). Nessa linha, Oliveira et al.15 mostrou associação de 1,9 vez maior entre estudar em escola privada e desenvolver HA. Já no estudo de Silva et al.14, o percentual de hipertensos encontrados na sua pesquisa teve significante associação com as classes econômicas A + B, as quais são definidas pelos autores como: classe A renda familiar equivalente a R$ 6.220,50 e Classe B R$ 2236,50. Verificou-se que 72,3% dos estudantes dessas classes estudavam em escolas particulares, enquanto 89,8% das classes C, D e E, com renda familiar equivalente a R$ 927,00, R$ 424,00 e R$ 207,00, pertenciam a escolas públicas.

A influência de fatores ambientais corrobora com o desenvolvimento de obesidade e a HA. Esse dado retrata o conjunto socioeconômico, cultural, relacionado ao grupo social do individuo, estilo de vida adotado, hábitos alimentares, dentre outros.

A atividade física tem sido associada à melhor expectativa de vida e diminuição do risco cardiovascular. Isso ocorre pela prevenção do desenvolvimento da obesidade, que evita a elevação da pressão arterial, melhora a resistência à insulina e também evita a elevação do colesterol, frequentemente presentes em crianças.28 Afinal, a prática regular de atividade é recomendada não apenas para a prevenção e reabilitação de doenças cardiovasculares, mas também como promoção da saúde. Estudos em crianças e adolescentes têm demonstrado a prevalência de sedentarismo de até 89,5%.29

Em estudo realizado com estudantes de 7 a 17 anos das redes pública e privada de ensino de Maceió, Silva et al.14 identificaram 93,5% sedentários, sendo prevalente no sexo feminino. Esse percentual é relevante, pois a participação em atividades físicas diminui com a idade.

Já na pesquisa realizada por Monego e Jardim17 com 3.169 crianças e adolescentes na faixa etária de 7 a 14 anos de escolas da rede pública e particular, participam da educação física na escola 88,4% dessas crianças. Na informação referente à prática de atividades físicas fora do horário escolar, 1.199 (37,8%) dessas crianças são sedentárias, 1.786 (54,0%) realizam atividades leves e 184 (5,4%) atividades físicas moderadas ou intensas; não havendo, entretanto, associação significante entre educação física na escola e alterações nos níveis pressóricos e excesso de peso. O que talvez explique esse resultado é o método utilizado no referido trabalho, em que não houve avaliação do tipo, intensidade ou duração da atividade física. No estudo de Xavier et al.,10 também não houve diferença significativa entre as crianças que praticavam ou não atividade física e os percentis de pressão arterial.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As doenças não transmissíveis são consideradas problemas de saúde pública e com isso, doenças como a obesidade e a hipertensão arterial, que eram prevalentes na população adulta, agora também vêm atingir crianças de forma semelhante. Requer-se, assim, maior atenção voltada para os fatores desencadeadores dessa problemática, de modo a estabelecer metas que venham melhorar a qualidade de vida e promover a saúde desse grupo etário.

Como a hipertensão arterial apresentou forte associação com crianças e adolescentes obesos e com sobrepeso, é possível que o elevado índice de massa corporal esteja alterando os mecanismos responsáveis pelo funcionamento adequado do aparelho cardiovascular. Isso pode implicar futuras complicações relacionadas à qualidade e à expectativa de vida desses indivíduos, dado a um desgaste prematuro. Dessa forma, é fundamental o envolvimento conjunto de profissionais de saúde, educadores, familiares, com o desenvolvimento de estratégias educativas em saúde para que venham atuar em mudanças de comportamento com a adoção de hábitos mais saudáveis na infância.

Fazem-se necessários, ainda, o diagnóstico precoce e a prevenção nas primeiras etapas de vida mediante o controle dos fatores de risco, para evitar as futuras complicações dessas doenças. Por isso, a implementação da aferição de pressão arterial infantil deve ser rotineira e associada a medidas antropométricas (peso, altura e índice de massa corporal), sendo importante instrumento de avaliação precoce de risco cardiovascular na vida adulta.

Dada a importância da temática, é necessário realizar mais pesquisas relacionadas sobre a correlação da obesidade com a hipertensão arterial em crianças, pois são escassos na literatura estudos que abordem essa problemática nesta faixa etária, sendo encontrados muitos trabalhos envolvendo o grupo de adolescentes e adultos.

 

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