REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 21:e1061 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20170071

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Pesquisa

Satisfação no trabalho hospitalar de técnicos de enfermagem com formação superior

JOB SATISFACTION OF NURSING TECHNICIANS WITH HIGHER EDUCATION IN THE HOSPITAL WORK

Juan Pablo Domingues Marques1; Carmem Lúcia Colomé Beck2; Rosangela Marion da Silva3; Francine Cassol Prestes4; Alexa Pupiara Flores Coelho4; Denise de Oliveira Vedootto5

1. Enfermeiro. Mestre em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Santa Maria, RS - Brasil
2. Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Titular. UFSM, Departamento de Enfermagem, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Santa Maria, RS - Brasil
3. Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta. Departamento de Enfermagem, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem UFSM. Santa Maria, RS - Brasil
4. Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem. UFSM, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Santa Maria, RS - Brasil
5. Enfermeira. Mestre em Enfermagem. UFSM, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Santa Maria, RS - Brasil

Endereço para correspondência

Juan Pablo Domingues Marques
E-mail: juanpablo_marques@yahoo.com.br

Submetido em: 02/04/2017
Aprovado em: 01/11/2017

Resumo

O objetivo deste estudo foi compreender a satisfação no trabalho hospitalar de técnicos de enfermagem com formação superior. Optou-se por pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa com 14 técnicos de enfermagem. Os cenários foram as unidades de terapia intensiva de um hospital universitário, localizado em um município do interior do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Para a coleta de dados foi utilizada a entrevista semiestruturada individual. Como resultado, emergiram duas categorias: "foi um divisor de águas" – satisfação no trabalho relacionada ao aprimoramento após o curso superior; e sentimentos de insatisfação: frustração e subutilização do conhecimento adquirido. Os trabalhadores percebem um posicionamento mais crítico e apresentam uma visão mais ampla na práxis laboral. Porém, diante de situações em que não podem intervir e da não valorização por atividades desempenhadas, surgem sentimentos de subutilização e frustração no contexto do trabalho. Concluiuse que a realização de um curso superior para os trabalhadores técnicos de enfermagem nesse cenário hospitalar contribuiu para a qualificação do cuidado prestado, impelindo para sentimentos de satisfação. Porém, deve-se repensar, no âmbito das instituições de saúde, aspectos que possam almejar a participação mais ativa e o reconhecimento da qualificação desses trabalhadores.

Palavras-chave: Satisfação no Emprego; Saúde do Trabalhador; Técnicos de Enfermagem; Capacitação Profissional; Unidades de Terapia Intensiva; Enfermagem.

 

INTRODUÇÃO

A satisfação no trabalho pode ser definida como “um grau de orientação afetiva positiva em relação ao trabalho”.1 Ela contém um valor subjetivo que pode variar conforme a pessoa, o contexto e o tempo. Também está sujeita à influência de forças internas e externas ao ambiente de trabalho, podendo afetar a saúde física e mental do trabalhador, interferindo diretamente em seu comportamento social e/ou profissional.2 No entanto, apesar de se reconhecer a relação entre a satisfação no trabalho e a saúde dos indivíduos, a produção do conhecimento necessita de estudos que melhor investiguem essa relação,3 em particular no trabalho em saúde.

Grande parte dos trabalhadores da área da saúde exerce suas atividades em hospitais, que são organizações complexas e com atividades intensas, as quais podem ocasionar diferentes sentimentos de satisfação no trabalho. No conjunto de trabalhadores que atuam nesses espaços, os técnicos de enfermagem representam significativo contingente de profissionais. Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), em fevereiro de 2017 havia 1.057.625 técnicos de enfermagem com inscrições ativas no Brasil, representando, juntamente com a classe dos auxiliares de enfermagem, mais de 80% da força de trabalho dentro dos trabalhadores que atuam na Enfermagem.4

Considerando a representatividade e importância desses trabalhadores para a prestação dos cuidados de saúde no Brasil, convém discutir sua formação e a interface com a subjetividade e trabalho. A construção social da qualificação dos técnicos em enfermagem tem sido delineada, historicamente, por aspectos relacionados à divisão social e sexual do trabalho, além de relações de poder marcadas entre hierarquias profissionais e o caráter parcelado, delegado e subvalorizado do trabalho realizado por esses profissionais.5 Apesar dessas questões históricas que ainda se fazem presentes em muitos cenários, estudos vêm revelando significativa qualificação profissional desses trabalhadores, sobretudo no ensino superior.6,7

Pesquisa encomendada pelo COFEN e realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) evidenciou que 85,4% dos trabalhadores de nível médio na enferma#gem brasileira desejavam buscar melhor qualificação profissional, porém estabeleciam como razões para o não aprimoramento motivos como falta de condições financeiras (24,6%), falta de tempo e estímulo (13,9%), falta de apoio institucional (11,2%), dificuldade de parar de trabalhar (10,2%) e alto custo de participação (13,8%).8

Os sentimentos de satisfação no trabalho de técnicos de enfermagem representam um importante objeto de estudo, uma vez que o conhecimento desses sentimentos pode auxiliar na melhoria de elementos importantes para o bem-estar dos trabalhadores, como o clima organizacional e o gerenciamento de recursos humanos.9 Em especial, conhecer a interface entre a qualificação profissional desse trabalhador e sua satisfação laboral pode contribuir para o melhor entendimento de como o trabalho desses indivíduos se configura no cenário da prática. Nesse sentido, este estudo tem como objetivo compreender a satisfação no trabalho hospitalar de técnicos de enfermagem com formação superior.

 

MÉTODO

Estudo descritivo com abordagem qualitativa. A pesquisa foi realizada nas unidades de terapia intensiva (Unidade de Terapia Intensiva de Recém-Nascidos – UTI-RN, Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica – UTI-PED, Unidade de Cardiologia Intensiva – UCI e Unidade de Terapia Intensiva Adulto – UTI-A) de um hospital de alta complexidade do interior do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. O cenário da pesquisa possui abrangência de cerca de 1,5 milhão de habitantes e mantém seus atendimentos voltados 100% para os usuários do Sistema Único de Saúde.

A população do estudo foi composta por técnicos de enfermagem. Utilizou-se como critério de inclusão: ser técnico de enfermagem vinculado ao Regime Jurídico Único (RJU), possuir qualquer formação de nível superior concluída há pelo menos seis meses e atuar em alguma das unidades de terapia intensiva (UTI, UCI, UTI-Ped ou UTI-Neo) há mais de seis meses, tempo considerado para adaptação e conhecimento do setor. Foram excluídos os técnicos de enfermagem que estavam afastados das atividades laborais durante o período de coleta de dados.

A seleção dos participantes foi feita por meio da técnica denominada “bola-de-neve”, na qual, para cada setor, foi sorteado aleatoriamente o primeiro participante. Todos os demais foram indicados pelo último participante entrevistado no setor. Assim, cada participante indicava outro membro da equipe que considerava apto a contribuir com os objetivos da pesquisa. Antes da realização das entrevistas foram explicados seus objetivos, entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e solicitado ao participante a leitura e, em caso de concordância com os termos, sua posterior assinatura.

A coleta de dados foi realizada de março a maio de 2016 e seu término foi determinado pela saturação dos dados.10 Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com perguntas norteadas por um roteiro previamente elaborado. Este incluía questões relacionadas a: significados do trabalho para o participante, pontos positivos e negativos do trabalho, vivências laborais que proporcionassem satisfação ou insatisfação, sentimentos em relação ao curso superior e perspectivas do participante em relação a seu futuro como trabalhador. As entrevistas foram gravadas e transcritas posteriormente, sem identificação do entrevistado. Para manter o anonimato dos participantes, os nomes foram substituídos por TE01, TE02, TE03, e assim consecutivamente. Foram realizadas 14 entrevistas, que tiveram duração média de 45 minutos e foram realizadas no local de trabalho dos participantes.

Ressalta-se que o fato de as entrevistas terem sido realizadas no local de trabalho dos participantes culminou na falta de um espaço privado apropriado para a realização dessas. Tal situação provocou algumas interrupções, restrições de tempo e falta de privacidade no desenvolver dos diálogos.

Para a análise das entrevistas foi utilizada a técnica da análise temática de conteúdo. A técnica consiste na contagem dos núcleos de sentido que mais se repetem e dos que significam algo para o objetivo visado, ou seja, é a apuração das unidades de significação para o caráter de discurso.10 Para realizar análise temática, são propostas três etapas: pré-análise (representada pela escolha dos documentos a serem analisados e na retomada das hipóteses e dos objetivos iniciais da pesquisa), exploração do material (busca-se alcançar a compreensão do texto a partir da construção de categorias, consistindo num processo de redução do material a palavras e expressões significativas) e tratamento dos resultados obtidos (etapa na qual também acontece a interpretação dos dados).10

Os princípios éticos previstos na Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde foram respeitados. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa local, obtendo parecer favorável com Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) Nº 52247316.3.0000.5346.

 

RESULTADOS

Participaram do estudo 14 técnicos de enfermagem, sendo a maioria do sexo feminino e com companheiro. A maioria atuava no turno da noite e possuía idade entre 36 e 45 anos. O tempo médio de atuação como técnico de enfermagem foi de 14 anos, sendo que o exercício dessa função somente na instituição pesquisada variou de quatro a 14 anos.

Quanto aos cursos de formação superior, identificou-se que metade dos participantes optou por seguir na mesma área de conhecimento do curso técnico de enfermagem, fazendo a graduação em Enfermagem. Os demais cursos de graduação referidos pelos participantes foram: Gestão de Pessoas e Recursos Humanos (4), Gestão Pública (2) e Fisioterapia (1). O tempo de conclusão da formação superior variou entre um e 11 anos, sendo a média de cinco anos. Todos os participantes da pesquisa concluíram sua formação superior após já serem técnicos de enfermagem. E 85,72% (n=12) possuíam pelo menos um curso de pós-graduação concluído, sendo que um participante era pós-graduado em nível de mestrado e outro possuía dois cursos de pós-graduação.

A faixa salarial total dos participantes esteve entre quatro salários mínimos (pela tabela do Plano de Carreiras dos profissionais Técnicos de Assuntos Estudantis ocupante do cargo de técnico de enfermagem ganhava menos que esse valor na época das entrevistas) e oito ou mais salários, sendo que a média (71,42%, n=10) ficou entre quatro e seis salários.

A análise das entrevistas possibilitou identificar duas categorias: “foi um divisor de águas” – satisfação no trabalho relacionada ao aprimoramento após o curso superior; e sentimentos insatisfação – frustração e subutilização do conhecimento adquirido.

“Foi um divisor de águas”: satisfação no trabalho relacionada ao aprimoramento após o curso superior

Os trabalhadores relataram que a satisfação, primeiramente, emerge da possibilidade de prestar um cuidado de melhor qualidade a partir da qualificação superior. Os trabalhadores referem que, após terem concluído sua formação superior, tiveram uma ampliação da visão que possuíam sobre o desenvolvimento de suas atividades como técnicos de enfermagem. Essa situação pode ser ilustrada pelas falas seguintes:

[…] foi uma experiência bem boa. O técnico vê uma coisa mais sucinta, o básico e na faculdade tu já vai nos assuntos mais profundos. […] Como eu já estava trabalhando eu consegui associar as coisas, o porquê disso, o porquê daquilo, então foi bem bom mesmo. Eu acho que ajuda bastante na visão do todo […] TE01

[…] o que é muito positivo é essa abertura mesmo de visão da totalidade do paciente […] Não somente aquelas veias para pegar ou medicação para fazer. […] Eu consigo ver o paciente como um todo […] TE06

Dessa forma, por serem as UTIs complexas, os trabalhadores sentem a necessidade de se manterem atualizados e em constante transformação:

[…] ter não só a pincelada, mas a base do “porquê” que tem que fazer isso. O que leva? Qual é a fisiologia? A patologia? Então eu acho que todo profissional deveria buscar o conhecimento, porque a gente tá sempre aprendendo. E até aqui na UTI que dizem que é o lugar onde acontece mais coisas, a gente não sabe tudo. Tu sempre tem que estar buscando, tu tem que estar sempre aprendendo […] TE04

Os técnicos de enfermagem referem, ainda, o reconhecimento por parte da equipe de enfermagem e dos demais membros da equipe multiprofissional, na medida em que se tornam referência pelo seu conhecimento, o que desponta como um fator de satisfação:

[…] acho que facilita, ajuda bastante, eu vejo que os próprios enfermeiros eles têm mais confiança, pedem ajuda. […] TE01

[…] com os demais colegas, pelo fato de tu ter a graduação, só facilita, porque até confiam mais em ti. […] TE02

[…] às vezes os médicos vêm e perguntam pra gente. Eles talvez estudaram muito mais sobre aquela droga, mas tu tem aquela experiência do que ela causa naquela hora. […] TE04

Outro fator de satisfação no trabalho é a mudança de status e posicionamento destes indivíduos frente a seu trabalho e perante a equipe. Os trabalhadores referiram que, após a formação superior, passaram a ser mais escalados pelos enfermeiros para auxiliar na realização de procedimentos mais complexos, além de serem mais solicitados para dar sua opinião sobre determinados casos clínicos:

[…] um exemplo, se dá uma parada, o pessoal sempre pede: “ fica tu na medicação que tu sabe mais as coisas”. Ficar controlando as medicações, vendo o tempo, tu tem que ter mais visão. […] TE01

[…] Muitas vezes o médico chega e diz: “vem aqui, eu estou com uma dúvida”. Nem sempre posso ajudar, mas às vezes isso faz a diferença numa equipe. Então eu acho que isso tudo ajuda. […] TE07

Outra mudança sentida por esses trabalhadores é que, embora exercendo a mesma função, o seu posicionamento em relação às mais diversas situações do cotidiano laboral passa a ser mais crítico. Os participantes compararam o curso superior a um “divisor de águas”, pois passaram a ter uma visão mais ampla do seu mundo de trabalho e com isso começaram a refletir sobre diferentes situações, indo em busca de suas respostas, como mostram os depoimentos:

[…] então fazer a fisioterapia para mim foi na verdade um divisor de águas. De eu enxergar o paciente no total […] Conseguir entender o porquê de uma traqueostomia, conseguir entender o porquê de uma secreção, por que que aquela secreção está daquela cor. Eu consigo entender coisas que eu não conseguia entender antes […] TE06

[…] o superior, depois que eu comecei a pegar o jeito, eu achei que abriu bastante a minha mente. […] só de conversar com outras pessoas que sabem mais, isso aí fez eu mudar muito a minha maneira de pensar, de enxergar as coisas, de eu ver o mundo, de entender certas situações. Observar, até de tratar com as pessoas que sabem menos do que eu, ou uma que sabe mais […] TE09

Por fim, os dados dessa categoria realçam a satisfação dos técnicos de enfermagem diante das transformações ocasionadas no ambiente de trabalho, na equipe e em suas próprias posturas profissionais, como mostram os depoimentos:

[…] tem todo esse cuidado que a gente faz, de observar as outras equipes de apoio que às vezes vem e só trocam a luva. […] só tiraram a luva e estavam indo para um outro paciente que não tinha nada [nenhuma infecção], que era o único limpo, também pós-operatório. Aí eu lembrei eles, a importância de lavar as mãos e também além de trocar a luva. Porque de nada adianta tu estudar, o hospital te pagar por isso e tu não ter essa consciência. TE13

[…] eu enxergo as coisas, sabe? Então se eu olhar um CPAP [dispositivo para ventilação mecânica], eu vou ver se ele estava errado. Se o nenê está desse jeito, então vamos virar ventral porque de repente ele vai ventilar melhor. Como é que está o pulmão? Como é que está o RX? De repente as pessoas que não têm graduação não vão enxergar. […] TE03

[…] eu tenho colegas que fazem um eletro [eletrocardiograma], se tá malfeito ou bem feito, pra ele tanto faz. […] E eles tiram o paciente da maca e mandam sentar na cadeira, enquanto na verdade eu jamais iria fazer isso. Eu já sei que aquele paciente tá infartando. Eu sei o eletro. A gente acaba conhecendo eletro. […] E aí tu já dá o alarme e aí tu já começa a medicar e tratar pra aquele fim. Então eu acho que isso faz diferença. […] TE07

Sentimentos de insatisfação: frustração e subutilização do conhecimento adquirido

Nessa categoria constam os sentimentos de insatisfação que emergiram da experiência dos técnicos de enfermagem com seu trabalho após o curso superior. Os resultados evidenciam que, embora fazendo as mesmas tarefas, junto das mesmas pessoas e no mesmo local de trabalho que estava antes de sua formação, esses sujeitos passam a perceber seu trabalho como rotineiro e aborrecido, conforme expresso no depoimento a seguir:

[…] eu não gosto do meu trabalho. Eu venho me questionando ultimamente, eu não me questionava antes, agora sim, porque ele é um trabalho que tem uma rotina. É uma coisa mecânica. Tu chega, tu faz isso, tu faz A, tu faz B e tu faz C. E essa rotina, essa coisa mecânica está me incomodando agora. Nunca me incomodou antes […] mas agora tá me incomodando. […] TE05

Os trabalhadores referem, ainda, insatisfação relacionada ao fato de não poderem atuar nas áreas para as quais estão capacitados, por não estarem legalmente habilitados na instituição em que atuam; e relacionada ao fato de não serem conhecidos pela categoria profissional para o qual se formaram:

[…] dificuldade tem também de aceitação. Às vezes o teu colega [diz] “Tá, mas tu não é enfermeira”. Tu sabe que naquele momento nesse setor tu não é a enfermeira. Mas isso não quer dizer que tu não tem o conhecimento. […] TE04

[…] Aqui eu sou técnico de enfermagem. Essa divisão também me incomoda um pouco. Se eu quero ver o paciente como total, eu tinha que ser total também. […] Mas muitas coisas eu não posso usar. […] TE06

Tal sentimento de frustração aumenta ainda mais quando esse trabalhador tem o entendimento de que algumas situações poderiam ser melhoradas e que ele poderia ajudar ou intervir para que isso fosse possível, porém não lhe é permitido:

[…] A gente sabe que existe aquilo que o COREN prevê para o auxiliar, para o técnico e para o enfermeiro. É uma coisa bem pautada, bem limítrofe, não tem dúvida em relação ao que pode e não pode fazer. Só que daí eu vejo assim […] tu acaba pegando um conhecimento e por vezes eu acho que o conhecimento daquele profissional é subutilizado. Porque tem coisas que tu sabe e que tu poderia intervir e tu não pode intervir porque não é permitido. […] TE07

Além disso, mesmo nas poucas situações em que esses trabalhadores conseguem pôr em uso seu conhecimento da formação superior ou obtém uma abertura para poder manifestar-se, esses experimentam um sentimento de subvalorizarão e de falta de reconhecimento pelo que fazem, conforme expresso a seguir:

[…] O sistema de prescrição eletrônica que é usado foi o que eu fiz. Fiz como? Nas minhas horas vagas, fugindo, fazendo o meu serviço de técnico de enfermagem, dá uma folguinha, o pessoal descansando, e eu lá. Quantas vezes eu nem almocei. Eu nem fiz o meu intervalo para ficar fazendo aquilo ali, uma coisa que não há reconhecimento. A gente sabe que as pessoas reconhecem, mas não há nenhuma recompensa nisso. […] TE07

Essa ideia passa pelo entendimento de que mesmo como técnico de enfermagem, esse trabalhador poderia desenvolver algumas atividades que não comprometessem legalmente sua atuação, como participação em programas de educação continuada e na ajuda e desenvolvimento de programas que facilitariam a rotina diária dos membros do setor. Os depoimentos seguintes exemplificam isso:

[…] Se eu pudesse passar isso [conhecimento] para os meus colegas, já seria um diferencial. Assim como cada um que teve a sua graduação em diferentes locais. […] Então com aquela visão diferenciada, cada um poderia trazer uma coisa diferente. Isso só ia somar. […] TE06

[…] Tipo palestra, interferir na educação continuada que o hospital tem e quase nunca vai para frente. […] Eu acho que a gente podia ser aproveitado nisso. Porque o nosso curso dá bastante subsídios para isso […] TE08

 

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo mostram que os conhecimentos adquiridos com a graduação permitiram aos participantes fazerem mais associações entre as coisas que já haviam aprendido com sua prática ao longo dos anos de atuação como técnico em enfermagem e a explicação científica dessa prática, ou seja, esse trabalhador que já sabia fazer determinada atividade passa agora a saber também o porquê de fazer essa atividade, o que eleva a satisfação. Estudo realizado com trabalhadores de enfermagem de uma UTI evidenciou que o sentimento de ser útil para a organização do trabalho e de ser um diferencial na prestação do cuidado desponta como um importante elemento de satisfação.11 Estudo internacional de metanálise enfatizou a associação entre a satisfação no trabalho e a qualidade do desempenho dos profissionais de enfermagem,12 corroborando os achados desta pesquisa.

O trabalho pode ser tanto fonte de prazer quanto de sofrimento. Ambos os sentimentos são indissociáveis e podem se manifestar num mesmo sentido. Prazer e sofrimento são resultados da combinação da história do sujeito com a organização do trabalho, sendo que a atividade laboral contribui para subverter sofrimento em prazer a partir das condições sociais, políticas e éticas da organização e do processo de trabalho.13

Dessa forma, o posicionamento de um trabalhador de nível médio após o término da formação superior tende a ser mais crítico e criterioso sobre as atividades de sua responsabilidade e também do papel de cada membro da equipe. Esse trabalhador não ficará satisfeito em apenas executar determinada atividade se não souber como fazer, para que fazer e que benefícios ela pode gerar para o paciente.

O trabalho compreende uma experiência humana que envolve sensações, sentimentos e significados. Por essa razão, considera-se que a experiência laboral se inscreve no âmbito da subjetividade. Trabalhar implica, no sujeito, a mobilização do corpo, da inteligência e de um conjunto de mecanismos psíquicos para o enfrentamento dos desafios, para a criação, modificação, transformação do real do trabalho. Partindo do ponto de vista de que o trabalho implica a mobilização da subjetividade e da inteligência para o alcance dos resultados, pode-se refletir que a experiência do trabalho expressa o ato de o sujeito “acrescentar a si mesmo” à organização, transformando-a e se transformando.13 Nesse sentido, pode-se inferir que as vivências de satisfação expressas pelos técnicos de enfermagem transparecem a transformação de sua relação subjetiva com o trabalho, na medida em que o que eles “acrescentam de si” à organização implica a otimização do seu fazer.

Somado a isso, os resultados revelam que, para os técnicos de enfermagem, a realização de um curso superior impactou na qualificação do cuidado prestado, conduzindo à satisfação no trabalho. Nessa linha, estudo transversal realizado com técnicos de enfermagem brasileiros apurou níveis elevados de satisfação profissional nos participantes que referiram se sentirem capacitados para a prestação da assistência aos pacientes.9 Isso posto, pode-se inferir que a confiança na qualidade do próprio trabalho é mediador da satisfação laboral, sentimento fortalecido pelos trabalhadores que se sentem profissionalmente diferenciados ao adquirirem conhecimentos que impactam na qualidade da assistência.

A partir do momento em que o trabalho passa a ter significado positivo para o sujeito, ele é redescoberto como uma maneira de prevenir, de superar os seus efeitos negativos e o surgimento de possíveis doenças ligadas ao trabalho. As experiências de trabalho, quando positivas, além de proporcionarem melhoria na qualidade de vida do trabalhador, ajudam a enriquecer a sua identidade, levando-o ao máximo desenvolvimento de seu potencial.14

Sendo assim, o sentido do trabalho não tem representação apenas na esfera pública (local de trabalho) para o trabalhador. Ocorre uma complementaridade entre esta e a esfera privada (vida pessoal), e o desenvolver de uma atividade positiva e útil será importante para o reconhecimento do sentido do trabalho e também a utilidade deste para a vida do trabalhador.15

Concomitantemente, além da percepção de mudança sobre a forma de ver seu trabalho, outro fator interveniente na satisfação do técnico de enfermagem após sua formação superior é a dificuldade de aceitação e de entendimento de alguns colegas sobre a sua situação. Nesse sentido, alguns participantes se mostraram desconfortáveis por terem outra profissão, mas não poderem exercê-la naquele local, o que nem sempre é compreendido pelos demais integrantes da equipe de saúde.

Tal situação é passível de levar o trabalhador ao sofrimento, o qual é inerente ao trabalhar. Nesse contexto, o sofrimento pode ser oriundo de um conflito central entre a organização do trabalho, portadora de normas e prescrições, e o funcionamento psíquico pautado pelo desejo.15

Dessa forma, o sofrimento desse trabalhador pode ter dois destinos diferentes: ou ele vira uma fonte de criação e engenhosidade, situação em que o sofrimento se torna criativo e conduz a invenção de soluções para os impasses; ou se torna patogênico, levando o sujeito à impossibilidade de negociação entre a organização do trabalho e seus conteúdos subjetivos, persistindo então a vivência do fracasso, que se for prolongada pode levar ao comprometimento da saúde do trabalhador.15

A convivência nessa situação, em que um trabalhador de nível médio consiga adquirir uma qualificação igual ou superior à de seus superiores imediatos, mesmo que esse trabalhador continue exercendo as mesmas funções, pode ser desencadeadora de conflitos nas relações de poder. Além disso, há possibilidade de agravos de ordem psíquica entre esses trabalhadores.16

Pesquisa qualitativa realizada com trabalhadores de enfermagem suecos evidenciou que a satisfação no trabalho está relacionada ao reconhecimento do potencial e das qualidades desse trabalhador pelas chefias e por outros profissionais. O estudo demonstrou que, para os participantes, as possibilidades de aproveitamento das habilidades específicas dos trabalhadores são importantes para que estes se sintam satisfeitos e permaneçam engajados no trabalho.1 Portanto, infere-se que, no momento em que os técnicos de enfermagem compreendem que não há uma retribuição concreta ou simbólica para seu crescimento profissional, além da retribuição financeira, há um esvaziamento do sentido da qualificação e, portanto, insatisfação.

Numa situação assim, o ideal é que o sujeito trabalhador de nível médio consiga usar o sentimento de sofrimento gerado por essa condição de forma criativa e a seu favor. A partir do uso de sua inteligência prática, será possível que esse trabalhador consiga subverter esse sofrimento em prazer, acrescentando sua contribuição à organização do trabalho. Esse tipo de inteligência está alicerçado na experiência e enraizado nas sensações, que guiam esse sujeito para a solução dos problemas.16

Estudo realizado com trabalhadores de enfermagem hospitalar na Ásia acusou a associação entre satisfação no trabalho e desejo de permanecer no emprego. Ou seja, baixa satisfação no trabalho está associada a rotatividade e pouca permanência nos serviços. Os autores referem que a gestão hospitalar necessita criar ambientes que favoreçam a prática de enfermagem, a fim de aumentar a satisfação e, consequentemente, evitar que os mesmos abandonem suas unidades de trabalho.17

Dessa forma, espera-se que a organização do trabalho caminhe paralelamente ao trabalhador, pois uma organização que não permite ao sujeito oferecer sua contribuição singular para criar soluções está em oposição ao movimento natural de busca de realização no trabalho. Em troca de sua contribuição, o sujeito espera receber retribuição, em forma de reconhecimento, que fortalece a identidade e traz ganhos no plano da subjetividade.15 Isso possibilita o encontrar de um espaço onde os trabalhadores encontrem reconhecimento e possibilidade de expressão, caminhos que conduzem para as ações transformadoras da organização do trabalho.18

Por outro lado, a falta de reconhecimento e visibilidade é referida pelos técnicos de enfermagem, como mostra estudo qualitativo brasileiro. Considera-se que o reconhecimento deveria estar incorporado ao processo de trabalho por meio de palavras, gestos ou momentos de avaliação formal, a fim de que os trabalhadores pudessem assumir posições proativas e se sentir incluídos no processo de deliberação.19 Assim, percebe-se que as situações que favorecem a transformação do sofrimento em prazer, como a autonomia e o reconhecimento, aparecem em algumas situações de forma muito efêmera e limitada, dificultando o exercício da inteligência prática e a subversão do sofrimento em prazer. Não se pode eliminar o sofrimento no trabalho, mas é possível investir em mecanismos que favoreçam sua transformação, possibilitando melhor saúde mental e qualidade laboral para o sujeito trabalhador.

Como limitação do estudo, menciona-se a singularidade dos achados tendo em vista o método empregado e contexto pesquisado. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de novos estudos e investigações que possibilitem a expansão da proposta para outras realidades, tais como instituições privadas, outras regiões do país ou utilizando outras ferramentas metodológicas (como técnicas grupais de produção de dados e triangulação de dados) que possam complementar os resultados desta pesquisa.

Por fim, destaca-se a necessidade de se superar a visão tecnicista e mecanicista em torno da formação profissional do técnico em enfermagem, pois se reconhece a importância da ação consciente, reflexiva, teórica e científica desse trabalhador em seu cotidiano laboral. A consolidação desse perfil profissional inicia na formação, mas também se estende nos espaços de trabalho, pois o conhecimento é dinâmico e processual.20 Portanto, pode-se considerar que este estudo contribui para a elucidação de aspectos relevantes no que diz respeito ao técnico de enfermagem de UTI, mais especificamente à relação entre a formação e seu olhar sobre o próprio trabalho.

 

CONCLUSÕES

A satisfação no trabalho de técnicos de enfermagem que atuam em UTI e possuem formação superior foi favorecida pela aquisição de novos conhecimentos e de uma visão crítica. Por outro lado, os participantes percebem o comprometimento em relação à satisfação no trabalho diante de sentimentos de frustração e subutilização.

Assim, é fundamental que os gestores e enfermeiros conheçam esses sentimentos, a fim de que a organização do trabalho e gestão de pessoas sejam realizadas. O contexto de saúde só tem a ganhar, pois são sujeitos que podem contribuir com saberes e práticas atualizadas para a qualidade do processo do cuidado, seja por meio da educação, da pesquisa ou da extensão.

Faz-se necessário estimular atividades e ações por parte da instituição, capazes de estimular não só o acesso aos processos de qualificação, mas também o uso do conhecimento obtido após esse processo. Nesse sentido, uma maneira de se produzir ações positivas, no âmbito da qualificação profissional, é o investimento da própria instituição no trabalhador. Isso tem ocorrido não somente no mercado privado, mas também em entidades governamentais. A manutenção de um espaço de discussão pode qualificar o trabalho e construir relações baseadas na confiança e na cooperação entre os pares, constituindo-se em um espaço onde o trabalhador pode repensar seu trabalho ao falar sobre ele; pode conseguir interpretá-lo e, consequentemente, modificá-lo para que possa assim transformar situações de seu sofrimento em situações de prazer.

 

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