REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 21:e1045 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20170055

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Pesquisa

Prevalência de quedas em idosos atendidos em um centro de atenção integral

Prevalence of falls in elderly people treated in a comprehensive care center

Cláudia Jeane Lopes Pimenta1; Raquel Janyne de Lima2; Tatiana Ferreira da Costa3; Thaíse Alves Bezerra3; Kaisy Pereira Martins3; Natália Pessoa da Rocha Leal1; Stella Costa Valdevino3; Kátia Neyla de Freitas Macedo Costa4

1. Enfermeira. Mestranda em Enfermagem. Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Programa de Pós- Graduação em Enfermagem. João Pessoa, PB - Brasil
2. Enfermeira. Mestre em Enfermagem. UFPB, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. João Pessoa, PB - Brasil
3. Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem. UFPB, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. João Pessoa, PB - Brasil
4. Enfermeira. Doutora em Enfermagem. UFPB, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Departamento de Enfermagem Clínica. João Pessoa, PB - Brasil

Endereço para correspondência

Cláudia Jeane Lopes Pimenta
E-mail: claudinhajeane8@hotmail.com

Submetido em: 22/05/2017
Aprovado em: 21/08/2017

Resumo

OBJETIVO: identificar a prevalência de quedas em idosos atendidos em um centro de atenção integral.
MÉTODO: trata-se de estudo exploratório e descritivo, com abordagem quantitativa, realizado com 121 idosos de um centro de atenção integral à saúde do idoso no município de João Pessoa, Paraíba, Brasil. A coleta de dados foi realizada utilizando um questionário estruturado e a medida de independência funcional.
RESULTADOS: foi observado que 71,9% dos idosos referiram apresentar quedas anteriores. A maioria era do sexo feminino (78,2%), com idade entre 60 e 69 anos (52,9%), casada (48,3%), com baixa escolaridade (75,8%) e renda mensal de três a cinco salários mínimos (87,4%). Evidenciou-se associação estatisticamente significante entre as variáveis escolaridade (p=0,012), utilização de dispositivo para auxílio da marcha (p=0,033), tipo de residência (p=0,015) e degraus (p=0,009).
CONCLUSÃO: diante das consequências limitantes que a queda pode provocar, faz-se necessário que o enfermeiro investigue a sua ocorrência ou a existência de fatores de risco que possam favorecer ou provocar esse evento, desenvolva ações estratégicas que visem à prevenção das quedas e que permitam ao idoso experienciar os prazeres da velhice com mais segurança e menor risco de cair.

Palavras-chave: Envelhecimento; Idoso; Acidentes por Quedas.

 

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional vem apresentando elevado reconhecimento em âmbito mundial1 e traz consigo repercussões para o sistema de saúde, sobretudo nos países em desenvolvimento.2 Nessa conjuntura, a ocorrência de quedas se apresenta como um acontecimento que influencia negativamente a vida do idoso, resultando em graves complicações para a sua saúde.3

O processo de cair é resultado de uma combinação entre fatores intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo, sendo no primeiro caso relacionados às características do sujeito e à sua interação com as mudanças advindas da idade, como as alterações fisiológicas no sistema musculoesquelético e nervoso, as condições patológicas, o uso de medicamentos, a mobilidade prejudicada e o histórico de quedas anteriores. Os fatores extrínsecos geralmente estão associados aos ambientes e proporcionam situações perigosas para o idoso, como os degraus, os pisos escorregadios, os tapetes soltos, os lugares com pouca iluminação, as prateleiras fora do alcance, os calçados inadequados, as roupas excessivamente longas, entre outros.4,5

A queda pode produzir impactos negativos na vida do idoso, família e sociedade, além de provocar consequências graves e complexas, como as fraturas, a perda da autoconfiança, a síndrome do medo de cair, a restrição das atividades e a depressão, algo que, em muitos casos, resulta em elevada demanda por cuidados de longa permanência.6,7 Além disso, após uma queda, muitas pessoas idosas limitam suas atividades em decorrência da preocupação sobre a possibilidade de cair, o que, somado às atitudes protetoras da família e de cuidadores, pode resultar no isolamento social desse indivíduo e interferir negativamente na sua saúde e qualidade de vida.1

No período entre janeiro de 2012 e novembro de 2016 foram registradas 476.664 internações de idosos por queda no Brasil, sendo a média de permanência de 6,7 dias na unidade hospitalar, o que gerou um gasto de mais de R$ 690 milhões aos cofres públicos, dos quais R$ 1.447,63 são gastos com cada indivíduo. Além disso, entre esses pacientes internados, cerca de 24 mil não resistiram à gravidade do quadro e vieram a óbito, o que corresponde à taxa de mortalidade de 5,08/1.000 habitantes.8

Tal evento é bastante frequente na população idosa e a sua prevenção torna-se um significativo desafio para a saúde pública, em virtude dos altos índices de morbidade e mortalidade e dos custos socioeconômicos envolvidos.2

Diante disso, o presente estudo tem por objetivo identificar a prevalência de quedas em idosos atendidos em um centro de atenção integral.

 

MÉTODO

Trata-se de estudo exploratório, transversal e quantitativo, realizado em um centro de atenção integral à saúde do idoso no município de João Pessoa - PB, Brasil, o qual é caracterizado como uma unidade de média complexidade para pessoas com idade de 60 anos ou mais, sendo realizados atendimentos individuais e coletivos por intermédio de uma equipe multiprofissional com enfoque no atendimento geriátrico-gerontológico.

A população investigada foi composta pelas pessoas atendidas por demanda espontânea no referido serviço. Os critérios de inclusão foram: idade de 60 anos ou mais e ambos os sexos. Os critérios de exclusão foram: idosos que não apresentassem capacidade psicológica ou física para responder devidamente aos questionários no momento da coleta de dados. A amostra foi identificada por meio de cálculo estatístico, considerando o número de atendimentos realizados nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2014, totalizando 16.495 indivíduos. Com o intuito de estimar a prevalência de risco de quedas na população, inicialmente foi realizado um levantamento-piloto com 25 idosos, dos quais 23 (p=92%, 0,92) apresentaram alto risco de quedas quando avaliados por meio da escala Fall Risk Score de Downton.

O tamanho da amostra foi calculado utilizando-se o cálculo para populações finitas com proporção conhecida, com base em uma margem de erro de 5% (erro=0,05) com grau de confiabilidade de 95% (α=0,05, que fornece Z0,05/2=1,96) e considerando a proporção do evento na população investigada (p=92%), totalizando 114 participantes. Presumindo-se as perdas na captação e outros eventos, utilizou-se a correção para uma perda potencial de 8%, o que resultou na amostra de 121 participantes.

A coleta de dados foi realizada mediante entrevistas individuais com auxílio de instrumentos que continham questões pertinentes aos objetivos propostos. Foi utilizado um roteiro estruturado com aspectos relacionados à caracterização do perfil sociodemográfico (sexo, idade, estado civil, escolaridade e renda mensal), do perfil clínico (presença/ausência de enfermidades, uso de dispositivo de auxílio da marcha, consumo de bebidas alcoólicas e realização de avaliação oftalmológica recente) e das condições de moradia (tipo de residência, presença/ausência de rua asfaltada, degraus, superfícies escorregadias, boa iluminação e prateleiras altas ou baixas), as quais foram confrontadas com a presença ou ausência de quedas.

A avaliação da capacidade funcional foi realizada por meio da aplicação da medida de independência funcional (MIF), que objetiva mensurar o grau de dependência do idoso em relação a terceiros na realização de atividades cotidianas. Tal instrumento é composto por 18 itens que avaliam o desempenho do indivíduo, distribuídos em subescalas de domínio motor e de domínio cognitivo-social. As subescalas que competem ao domínio motor possuem 13 atividades: autocuidado (alimentação, higiene pessoal, banho, vestir-se acima da cintura, vestir-se abaixo da cintura e uso de vaso sanitário), controle esfincteriano (controle de urina e de fezes); mobilidade (transferência de leito, cadeira, cadeira de rodas, vaso sanitário, chuveiro/banheira) e locomoção (locomoção e escadas). O domínio cognitivo/social contém cinco atividades: duas relacionadas à comunicação (compreensão e expressão) e três à cognição social (interação social, resolução de problemas e memória).9

Os dados coletados foram compilados e armazenados no programa Microsoft Office Excel e, posteriormente, importados para o aplicativo Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 22.0 para serem realizadas as análises estatísticas descritivas. A fim de identificar associações entre os dados, utilizaram-se os testes qui-quadrado de Pearson, exato de Fisher e teste de Mann-Whitney, considerando-se associação estatisticamente significativa quando p ≤ 0,05.

Durante as etapas da pesquisa foram respeitados todos os aspectos éticos e legais que envolvem os estudos com seres humanos, preconizados pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, sob parecer nº 995.113. Foram garantidos o anonimato, a privacidade e o direito à desistência em qualquer etapa da pesquisa e os envolvidos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

RESULTADOS

Observa-se que dos 121 idosos entrevistados, 71,9% declararam quedas, dos quais a maioria era do sexo feminino (78,2%), com idade variando entre 60 e 69 anos (52,9%), casada (48,3%), com menos de nove anos de estudo (75,8%) e renda mensal de três a cinco salários mínimos (87,4%). Foi evidenciada associação estatisticamente significante entre quedas e o nível de escolaridade do idoso (p=0,012), conforme exposto na Tabela 1.

 

 

Em relação aos aspectos clínicos dos idosos, foi identificado que a queda esteve mais presente em indivíduos que possuíam enfermidades (97,7%), não utilizavam dispositivo para auxílio da marcha (87,4%), que não consumiram bebidas alcoólicas (96,6%) e que realizaram avaliação oftalmológica recente (72,4%). Detectou-se associação estatisticamente significante entre a utilização de dispositivo para auxílio da marcha e quedas (p=0,033), conforme evidenciado na Tabela 2.

 

 

Na Tabela 3 verifica-se que a maior prevalência de quedas esteve associada ao idoso residir em casa (96,6%), à rua asfaltada (64,4%) e de boa iluminação na residência (96,6%) e à ausência de degraus (74,7%), superfícies escorregadias (69,0%) e de prateleiras altas ou baixas (73,6%). Foi identificada associação estatisticamente significante entre queda e as variáveis tipo de residência (p=0,015) e degraus (p=0,009).

 

 

Visualiza-se na Tabela 4 que não houve associação estatisticamente significante entre quedas e a classificação da MIF. Todavia, a maior prevalência de quedas foi em idosos independentes para realizar as atividades de autocuidado (98,9%), controle de esfíncteres (100,0%), mobilidade (95,4%) e cognição (77,0%) e também em idosos dependentes para realização de atividades de locomoção (54,0%) e comunicação social (74,7%).

 

 

DISCUSSÃO

No presente estudo observou-se alta prevalência de quedas (71,9%), o que corrobora com o estudo realizado no município de João Pessoa-PB, que evidenciou percentual de 73,8% de que-das,1 e a pesquisa com idosos atendidos por acidentes domésticos em um hospital de referência em urgência de Teresina-PI, dos quais 84,4% estavam internados em decorrência de quedas.10

O elevado número de quedas em idosos não é uma realidade apenas no Brasil. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças informam que a cada ano nos Estados Unidos, cerca de 2,8 milhões de pessoas idosas recebem tratamento em unidades de emergência por causa de quedas e mais de 800 mil necessitam de hospitalização em detrimento da gravidade do quadro, geralmente por causa de lesões na cabeça e fraturas ósseas.11

Em relação às características sociodemográficas, a queda foi mais prevalente em mulheres, algo frequente na literatura nacional, embora ainda sem explicação conclusiva a respeito desse fenômeno.12 Todavia, sabe-se que alguns fatores podem ter relação com a maior prevalência de quedas em idosas, tais como a redução da massa magra e da força muscular após os 60 anos, o aumento da probabilidade de desenvolvimento de osteoporose em virtude da perda de massa óssea resultante da redução do estrógeno, a maior prevalência de doenças crônicas em comparação aos homens e o fato das mulheres serem mais ativas, tanto na realização de atividades domésticas quanto em sua maior interação social e disponibilidade para o lazer.4,13-14

As alterações próprias do processo de envelhecimento podem predispor às quedas, sobretudo com o avançar da idade, haja vista que existe o comprometimento do desempenho de habilidades motoras em virtude do declínio do tônus muscular e da elasticidade, o que dificulta a adaptação do indivíduo ao ambiente.13 Em contrapartida, no presente estudo evidenciou-se maior frequência de quedas em idosos com idade entre 60 e 69 anos, o que pode estar relacionado ao fato de serem idosos mais jovens e possivelmente mais ativos, favorecendo sua exposição a situações que podem proporcionar alto risco de quedas.12

A maior prevalência de quedas em idosos casados poderia ser justificada pela própria distribuição atual de nupcialidade nessa faixa etária, uma vez que os indivíduos acima dos 60 anos apresentam alta taxa de união conjugal.15 Sobre o nível de escolaridade, evidenciou-se que a maioria dos idosos participantes e também dos que sofreram quedas possuía apenas o ensino fundamental incompleto, correspondendo a menos de nove anos de estudo. O país vem apresentando importante redução nos níveis de analfabetismo,16 contudo, ainda existe baixa escolarização entre os indivíduos, principalmente na população acima dos 60 anos, sendo resultado das políticas de educação e da acentuada desigualdade social vivenciada no início do século XX,10,17 dificultando o acesso à educação das pessoas que viviam em regiões mais pobres como a região Nordeste.

A baixa escolaridade é um fator que gera influência sobre diversos aspectos da vida do idoso, entre eles podem ser citadas a diminuição do nível socioeconômico, a redução no aces-so aos serviços de saúde e a dificuldade de buscar e/ou assimilar informações relacionadas aos cuidados preventivos de saúde,18 tais como a exposição aos fatores de risco para quedas, o que poderia justificar a associação estatisticamente significante (p≤0,05) evidenciada no presente estudo.10,19

Embora tenha sido observado que a maioria dos idosos entrevistados possuía baixos níveis educacionais, a renda mensal da maior parte dos que sofreram quedas e do total de entrevistados variava entre três e cinco salários mínimos, algo que diverge dos achados de outros estudos, em que a queda é mais presente em indivíduos com baixo poder socioeconômico, podendo estar relacionado ao pouco acesso aos recursos médicos e reduzido conhecimento sobre as formas de prevenir as alterações corporais e fatores de risco para as quedas.20,21

Foi evidenciada associação estatisticamente significante (p≤0,05) entre a não utilização de dispositivo para auxílio da marcha e quedas. Tais dispositivos são recomendados como uma importante medida para minimizar o risco de quedas em idosos, haja vista que eles proporcionam melhoria na independência funcional, na mobilidade e equilíbrio, reduzindo os efeitos de diversas deficiências próprias do indivíduo ou adquiridas com o avançar da idade.22

Quando ocorre um desequilíbrio na pessoa idosa, esta apresenta dificuldade para manter-se estável e retornar à posição inicial, necessitando, assim, de um ponto de apoio que a mantenha fixa e segura.12 O uso de dispositivos para auxílio da marcha apresenta-se como uma ótima opção para melhoria da mobilidade, contudo, torna-se imprescindível que os profissionais de saúde, entre eles o enfermeiro, orientem o idoso e os familiares para a aquisição, a troca, a regulagem e o uso adequado dos dispositivos para auxílio da marcha, haja vista que a utilização incorreta pode provocar diversas lesões no indivíduo, principalmente quedas.22,23

As quedas tiveram associação estatisticamente significativa (p≤0,05) entre o idoso morar em casa e a ausência de degraus no domicílio, algo que pode estar relacionado a mais liberdade e ao próprio tamanho da casa, que tende a ser maior do que nos apartamentos. Além disso, mesmo a ausência de degraus no domicílio não é um fator de proteção para o idoso, visto que a familiaridade do indivíduo com o ambiente da residência permite que este se sinta mais seguro, tenha mais autoconfiança ao se deslocar e, por consequência, apresente redução na atenção ao realizar atividades cotidianas, o que aumenta o risco de quedas.24

A maioria das quedas em idosos ocorre na própria residência, sendo causada, entre outros fatores, por obstáculos que dificultam a locomoção do indivíduo. Assim, o enfermeiro, durante a consulta com o idoso, deve investigar as suas condições de moradia e orientar quanto à necessidade de adaptações na casa, como a instalação de corrimãos em escadas e banheiros, a utilização de pisos antiderrapantes, iluminação adequada em todos os cômodos e a não localização de prateleiras ou interruptores fora do alcance da pessoa idosa. Além disso, torna-se imprescindível a utilização de calçados antiderrapantes que proporcionem estabilidade e a remoção de tapetes ou objetos espalhados pelo chão.1,12

Não foi observada associação estatisticamente significante entre a classificação da MIF. Em contrapartida, a dependência de terceiros para a realização das atividades de locomoção e comunicação social foram fatores predisponentes para a ocorrência de episódios de quedas nos idosos investigados.

A queda pode provocar no idoso o medo da ocorrência de novos episódios semelhantes, gerando prejuízos na autoconfiança, na segurança emocional e na independência, interferindo no desempenho das atividades cotidianas do indivíduo e favorecendo o isolamento,5 o que pode resultar em depressão, sedentarismo e atrofia muscular, contribuindo assim para novas quedas.4

Diante dessa situação, o enfermeiro deve incorporar em sua rotina diária de atendimento a avaliação multidimensional do idoso, a fim de desenvolver ações e estratégias direcionadas para os domínios biológico, psicológico e social. Além disso, tor-na-se imprescindível a identificação de fatores de risco modificáveis e o acompanhamento adequado de problemas de saúde e/ou comorbidade associadas que possam predispor a quedas.5

A prevenção de quedas deve ser realizada por todos os profissionais de saúde, não se limitando apenas ao enfermeiro, atuando em todos os níveis da assistência à saúde e em todos os ambientes, seja no domicílio, hospital, instituição de longa permanência ou Estratégia Saúde da Família.1,5 Vale salientar a necessidade de modificação dos ambientes públicos, sobretudo os que prestam assistência à pessoa idosa, com adaptações preventivas e modificação dos espaços visando ao atendimento com melhor qualidade.12

A expansão do contingente populacional de idosos também remete ao aumento da demanda de cuidados necessários para esses indivíduos,25 notadamente aqueles que apresentam incapacidades funcionais, as quais podem predispor ou ser resultado de quedas. Para a Geriatria e Gerontologia, a manutenção da independência e da autonomia para a realização das atividades básicas de vida diária é a principal meta do cuidado à população idosa, sendo necessário que o enfermeiro preste uma assistência que vislumbre a queda como um importante fator de interferência negativa nesses aspectos.6

 

CONCLUSÃO

Os resultados do presente estudo demonstram elevado número de quedas nos idosos investigados, podendo ser estabelecido um perfil de suscetibilidade para a ocorrência desse evento, como sendo mulheres, com idade entre 60 e 69 anos, casadas, com baixa escolaridade, elevada renda mensal, que não utilizam dispositivos para auxílio da marcha e que residem em casas sem degraus.

As quedas constituem algo rotineiro na vida do idoso e interferem negativamente em sua saúde, independência, autonomia e qualidade de vida. Diante das consequências limitantes que a queda pode provocar na vida desse indivíduo, faz-se necessário que o profissional de saúde, principalmente o enfermeiro, investigue a sua ocorrência ou a existência de fatores de risco que possam favorecer ou provocar esse evento, desenvolvendo ações estratégicas que visem à prevenção das quedas, permitindo ao idoso experienciar os prazeres da velhice com mais segurança e menos risco de cair.

O cuidado ao idoso vítima de quedas exige do enfermeiro uma atenção à saúde que envolva não somente o domínio da técnica ou o conhecimento dos aspectos que influenciam no processo de cair, mas que aborde a complexidade que envolve tal experiência para o idoso e para os seus familiares. Assim, compete aos enfermeiros questionar continuamente as suas práticas, de forma a estabelecer a investigação sobre episódios de quedas como uma prática habitual e necessária para prestar assistência integral ao idoso, contemplando o mapeamento dos indivíduos mais suscetíveis e a orientação de tais indivíduos e da família sobre a importância da adoção de medidas preventivas.

Entre as limitações deste estudo pode-se citar o próprio delineamento da pesquisa, pois o fato de ser um estudo transversal impossibilita o estabelecimento das relações causais entre as variáveis estudadas. Além disso, o mesmo ter sido realizado em apenas um serviço de saúde dificulta a generalização dos seus resultados para toda a população idosa do município de João Pessoa. Portanto, sugere-se que sejam realizados mais inquéritos como este, que utilizem outros tipos de delineamentos e locais para a coleta de dados.

 

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