REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 21:e1043 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20170053

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Pesquisa

Atuação do comitê de juízes na adaptação cultural do diabetes empowerment scale-short form (DES-SF)

Performance of the expert committee in the cultural adaptation of the diabetes empowerment scale-short form (DES-SF)

Heloísa de Carvalho Torres1; Renata Adriana De Araujo Barroso2; Adriana Silvino Pagano3; Ilka Afonso Reis4; Julia Santos Nunes Rodrigues5

1. Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Professora Associada. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Escola de Enfermagem – EE, Departamento de Enfermagem Aplicada – ENA. Belo Horizonte, MG – Brasil
2. Enfermeira. Mestre em Educação e Saúde e Enfermagem. UFMG, EE, ENA. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Gestão, Educação e Avaliação em Saúde. Belo Horizonte, MG – Brasil
3. Linguista aplicada. Doutora em Letras. Professora titular. UFMG, Faculdade de Letras – FALE. Belo Horizonte, MG – Brasil
4. Estatístico. Doutora em Sensoriamento Remoto. Professora adjunta IV. UFMG, Instituto de Ciências Exatas – ICEX, Departamento de Estatística – DEST. Belo Horizonte, MG – Brasil
5. Acadêmica do Curso de Letras. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq. UFMG, FALE. Belo Horizonte, MG – Brasil

Endereço para correspondência

Heloisa de Carvalho Torres
E-mail: heloisa@enf.ufmg.br

Submetido em: 15/05/2017
Aprovado em: 11/09/2017

Resumo

OBJETIVO: descrever proposta metodológica para a dinâmica de atuação do comitê de juízes por questionário eletrônico implementada e testada na adaptação cultural do instrumento Diabetes Empowerment Scale-Short Form.
MÉTODO: estudo metodológico realizado com 38 especialistas das áreas de Letras e Ciências da Saúde que avaliaram o instrumento traduzido via questionário eletrônico, desenvolvido e aplicado por meio da ferramenta web e-Surv. Utilizando as respostas ao questionário, o nível de aceitação dos juízes foi avaliado por meio de frequências absolutas e relativas e o nível de concordância entre os juízes foi avaliado por meio do cálculo do coeficiente de Kappa de Cohen-Fleisss. As análises foram realizadas no ambiente de programação estatística R.
RESULTADOS: a colaboração interdisciplinar aliada a uma metodologia de coleta de dados online resultou em uma heterogeneidade de opiniões, o que gerou baixa concordância entre os juízes na adaptação do instrumento traduzido. No entanto, acredita-se que essa diversidade de opiniões tenha gerado sugestões que enriqueceram o processo tradutório.
CONCLUSÃO: a ferramenta online se mostrou confiável, segura e efetiva na dinâmica do comitê de juízes para avaliar instrumentos em saúde.

Palavras-chave: Diabetes Mellitus; Inquéritos e Questionários; Tradução; Educação em Enfermagem; Enfermagem em Saúde Pública.

 

INTRODUÇÃO

A utilização de instrumentos desenvolvidos em língua estrangeira no Brasil, em um contexto cultural diferente daquele do seu desenvolvimento, requer sua tradução e adaptação, levando-se em consideração não apenas seu conteúdo, mas também sua expressão na língua alvo de forma a possibilitar a interação aplicador-usuário no contexto de uma entrevista oral presencial ou mediada por alguma tecnologia de comunicação. Em outras palavras, o texto traduzido deve ser adequado, do ponto de vista do seu conteúdo, ao texto fonte original e aceitável pela comunidade de usuários na cultura-alvo.1

O processo de adaptação cultural de instrumentos prevê, entre as etapas metodológicas, a atuação de um comitê de juízes para avaliação da versão do texto traduzido após a constatação de sua equivalência com o texto original via retrotradução. Essa etapa permite corrigir possíveis inadequações decorrentes da tradução, feita pelos tradutores profissionais, não informados sobre o contexto no qual os questionários serão utilizados.1

Todavia, a metodologia convencional tem se mostrado insuficiente para a produção de textos adequados culturalmente. A retrotradução tem sido identificada como fase que não necessariamente garante equivalência contextual dos textos original e traduzido e o trabalho de avaliação do comitê de juízes tem se mostrado mais eficaz quando integrado por profissionais vinculados a diversas áreas de atuação e por membros da comunidade-alvo onde o instrumento será aplicado.1

A configuração de um comitê de juízes de forma que a participação de seus membros na avaliação de um instrumento fosse pautado pela composição interdisciplinar, pela não interação entre os profissionais na avaliação do instrumento traduzido e que sua atuação fosse viável independentemente da sua localização geográfica demanda o uso de uma ferramenta que facilite essa atuação.2,3

Uma transição no modo como são conduzidas as pesquisas por levantamentos tipo survey, no meio científico, tem ocorrido nas últimas décadas e questionários aplicados de forma online vêm sendo reconhecidos como ferramentas eficazes e apropriadas nas práticas de intervenção em saúde pública.2,3

O objetivo deste estudo é descrever proposta metodológica para a dinâmica de atuação do comitê de juízes por questionário eletrônico implementada e testada na adaptação cultural do instrumento Diabetes Empowerment Scale-Short Form.

 

MÉTODO

Desenho, amostra e ambiente

O estudo foi do tipo metodológico, foram selecionados 92 especialistas, mas 38 profissionais aceitaram participar do comitê de juízes (19 profissionais de Letras e 19 profissionais da área da saúde com atuação em pesquisas relativas à adaptação cultural de instrumentos e/ou especialistas em diabetes) que avaliaram via ferramenta online o instrumento DES-SF traduzido seguindo os procedimentos recomendados internacionalmente para a tradução e adaptação cultural.1

Instrumento

O Diabetes Empowerment Scale-Short Form (DES-SF) é um instrumento composto por oito itens, que mede, de forma rápida, a autoeficácia psicossocial de usuários com diabetes e permite nortear de forma sistemática os processos de construção, educação e autonomia.4-8

O DES-SF foi desenvolvido em língua inglesa e abarca oito dimensões conceituais: a) avaliar a necessidade de mudança; b) desenvolver um plano; c) superar obstáculos; d) pedir apoio; e) apoiar-se; f) lidar com a emoção; g) motivar a si mesmo; h) fazer escolhas apropriadas para o cuidado da doença, de acordo com as prioridades e as circunstâncias. Cada enunciado é respondido com a ajuda de uma escala do tipo Likert de cinco pontos, que vai de "grande discordância" até "grande concordância". Os valores numéricos para o conjunto de respostas são somados e divididos por oito. A pontuação de 1 a 2,3 é considerada baixa; de 2,4 a 3,7, média; e de 3,8 a 5 é considerada alta.9,10

Procedimentos de tradução, adaptação e a dinâmica de atuação do comitê de juízes

Os autores principais da versão original do instrumento Diabetes Empowerment Scale-Short Form autorizaram seu uso, tradução e adaptação. As etapas da metodologia tradicional – tradução inicial, síntese da tradução e retrotradução – foram realizadas por um grupo de especialistas em traduções, o que gerou a versão traduzida do instrumento. Após receber a versão-síntese final, desenvolveu-se o questionário que foi utilizado na avaliação da versão traduzida pelo comitê de juízes. Esse questionário foi implementado na plataforma web e-Surv, que permite a criação, desenvolvimento e o envio de questionários via internet, além de possibilitar o acompanhamento das respostas.11

Na etapa seguinte, foi selecionada uma amostra de profissionais para integrarem o comitê de juízes. A amostra foi intencional, sendo ela composta por profissionais especialistas das áreas de Letras e Ciências da Saúde familiarizados com tradução e adaptação de instrumentos.

Uma carta-convite foi enviada aos profissionais, por e-mail, contendo os objetivos e metodologia do estudo, a justificativa do processo de tradução e adaptação do instrumento e a solicitação da participação na pesquisa como juiz avaliador, por meio do acesso à plataforma web e-Surv. Foi estabelecido o prazo de sete dias para que pudessem comparar os trechos em inglês e suas respectivas traduções, bem como fizessem considerações e sugestões que julgassem pertinentes. E-mails de reforço foram encaminhados, solicitando novamente o preenchimento do questionário aos juízes que não responderam no período estipulado de sete dias, como forma de aumentar as taxas de respostas.

É importante destacar que, na metodologia utilizada, os juízes responderam ao questionário online de forma individual e não tiveram acesso às opiniões dos outros juízes participantes.

A consulta abrangeu tanto o enunciado com instruções sobre o instrumento, como as opções de resposta do DES-SF, e foi formulada a partir das seguintes perguntas: a) "Você acha que o texto em português está de acordo com o do inglês?" e b) "Você acha que a tradução proposta está clara e de fácil entendimento para o entrevistado?". As alternativas a serem escolhidas pelos juízes eram: "sim", "não" e "em parte". Caso respondessem "não" ou "em parte", solicitava-se a eles que justificassem as inadequações e propusessem sugestões, visando à modificação e à melhoria do texto. Também foi solicitado aos juízes que respondessem a perguntas que contribuiriam para a caracterização do comitê, como sexo, formação acadêmica, área de atuação, participação anterior em comitê para avaliação de instrumentos, conhecimento e frequência de leitura de textos em inglês. Os dados foram coletados de setembro a outubro de 2014.

A Tabela 1 apresenta a versão original e a síntese da Escala de Autoeficácia em Diabetes-Versão Curta, que foram avaliadas pelo comitê de juízes.

 

 

ANÁLISE DOS DADOS

O consenso nas respostas do comitê foi utilizado com a finalidade de garantir as equivalências semântica, idiomática, cultural e conceitual do instrumento, além do cuidado específico com as instruções de preenchimento, aparência e clareza. A análise do coeficiente Kappa de Cohen-Fleiss (k) foi utilizada para verificar o nível de concordância entre os juízes em relação aos dois quesitos avaliados em cada item do instrumento (perguntas a e b).12 A análise das frequências absolutas e relativas das respostas às questões a e b foi utilizada para verificar o grau de aceitação dos juízes em relação à versão traduzida.

Todos os dados foram codificados e armazenados anonimamente em um banco de dados criado para esse fim e as análises quantitativas foram realizadas no ambiente de programação estatística R.13 Os resultados dessa etapa forneceram a primeira versão consensual da escala em português brasileiro, denominada Escala de Autoeficácia em Diabetes-Versão Curta (EAD-VC).

O desenvolvimento do estudo atendeu às normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos.

 

RESULTADOS

Do total dos 38 juízes que responderam o questionário online, a maioria era do sexo feminino (28 - 73,7%), possuía título de doutor e/ou tinha feito pós-doutorado (18 - 52,6%), sendo sua área de atuação predominantemente o ensino e a pesquisa (19 - 50%). A maior parte dos especialistas (21 - 55,3%) declarou ter o hábito de ler textos em inglês cotidianamente. Em relação à participação em comitês, 13 (34,2%) responderam que já haviam participado em avaliação de tradução de instrumentos, questionários e/ou outros tipos de texto, número esperado dada a incipiência desse tipo de avaliação, sobretudo envolvendo participantes de áreas fora das Ciências da Saúde.

A Tabela 2 mostra as frequências obtidas a partir das respostas em relação ao julgamento de cada item do questionário. Essas frequências permitiram definir quais itens precisariam de mudanças de acordo com as perguntas a e b (maior frequência de respostas "em parte" e "não").

 

 

A Tabela 2 evidencia que os itens que apresentaram maior frequência de avaliações com respostas "em parte", de acordo com os dois grupos de juízes, foram as instruções para a aplicação do instrumento e as opções de resposta, quanto à tradução do inglês para o português. No primeiro item, 47,4% dos juízes no grupo da área de Letras e 36,8% dos juízes no grupo da área da saúde concordaram "em parte" com a tradução, enquanto no segundo item, a frequência relativa de concordância "em parte" foi de 57,9% em ambos os grupos.

Nos demais itens, foi possível verificar maior frequência de avaliações com respostas "em parte" e "não" no grupo de respondentes do grupo da saúde. No item 1, por exemplo, observou- se que houve baixa aceitação tanto da tradução quanto do entendimento por parte desse grupo de juízes (31,6 e 21%, respectivamente, para resposta "Não"). Já no item 2, 47,2% dos participantes desse grupo responderam que concordavam "em parte" em relação ao entendimento da tradução para o entrevistado, enquanto no item 6, 57,9% deles concordaram "em parte" quanto à adequação do texto traduzido ao original.

A Tabela 3 apresenta o coeficiente Kappa de Cohen-Fleiss (Kappa) considerando-se todos os juízes e as questões a e b (Kappa geral). Também são apresentados os valores do coeficiente Kappa considerando-se as questões a e b em separado e também os dois grupos de juízes separadamente.

 

 

Com respeito à equivalência dos textos original e traduzido (questão a) e à clareza e ao nível de entendimento do texto traduzido (questão b), considerando as duas questões juntas e todos os juízes (saúde e Letras), a concordância entre os juízes foi baixa (Kappa igual a 0,26, quando a concordância perfeita seria igual a um). Considerando os grupos separadamente, os juízes da saúde tenderam a concordar um pouco menos entre si (Kappa igual a 0,24) do que os de Letras (Kappa igual a 0,28).

Tendo-se somente a questão a ("você acha que o texto em português está de acordo com o em inglês?"), os juízes tenderam a concordar menos entre si (Kappa igual a 0,24) do que quanto à questão b ("você acha que a tradução proposta está clara e de fácil entendimento para o entrevistado?"), para a qual o Kappa é igual a 0,28. Quando os grupos de juízes são separados, nota-se que os da saúde concordaram menos entre si quanto à questão a (Kappa igual a 0,19) do que os juízes de Letras (Kappa igual a 0,28). No tocante à questão b, os dois grupos tiveram níveis de concordância semelhantes (Kappa igual a 0,28 para ambos os grupos).

Visando à comparação dos itens da versão original do DES-SF com as suas respectivas traduções, é importante ressaltar que ela foi fundamentada nas análises das equivalências semântica, idiomática, conceitual e cultural do instrumento, de acordo com as sugestões do comitê de juízes.

As sugestões dos juízes incorporadas à versão final do instrumento, juntamente com as modificações realizadas, podem ser verificadas na Tabela 4.

 

 

DISCUSSÃO

No presente estudo, descrevemos proposta metodológica para a dinâmica de atuação do comitê de juízes no processo de adaptação cultural de instrumentos desenvolvidos em língua estrangeira para a língua portuguesa falada no Brasil. Essa proposta foi testada na tradução e adaptação do Diabetes Empowerment Scale-Short Form (DES-SF), instrumento utilizado para a avaliação da autoeficácia dos usuários com diabetes mellitus, seguindo as recomendações preconizadas na literatura sobre o tema.1

Cientes das limitações registradas na literatura para esse tipo de adaptação, introduzimos mudanças metodológicas semelhantes a achados recentes, dando maior peso à atuação do comitê de juízes no processo e favorecendo sua configuração interdisciplinar e sua participação por meio eletrônico.1,14-18

Um ponto a enfatizar é que não existe consenso em relação ao melhor método a ser empregado para formar o comitê de juízes. Cada estudo apresentou um formato de acordo com os critérios de inclusão que considerou adequado, percebido tanto em pesquisas que explicam a metodologia para se realizar tradução e adaptação, quanto naquelas que traduziram e adaptaram instrumentos. Dessa forma, a configuração de um comitê pode sofrer ajustes e variar de acordo com o modelo adotado.15,19-21 Neste estudo optou-se por recrutar o maior número de pesquisadores, de forma que o comitê fosse homogêneo, ou seja, o mesmo número de especialistas de cada grupo de profissionais, familiarizados com tradução e adaptação de instrumentos.

A constituição de um comitê interdisciplinar formado por profissionais das áreas de Letras e Ciências da Saúde e a implementação da consulta por meio de plataforma web e-Surv é reconhecida como metodologia pouco explorada na área de Enfermagem.3,18 No entanto, este trabalho mostrou que ela pode ser um procedimento eficaz e produtivo, propiciado pela integração entre as áreas da Linguística, Enfermagem e Estatística na adaptação do instrumento.2,22 O processo tradicional de adaptação cultural da versão traduzida do (DES-SF) foi aprimorado pelo uso de um comitê interdisciplinar e online, pois a participação dos juízes no julgamento dos itens foi maximizada.23

O impacto decorrente da modificação metodológica implementada a partir da utilização do e-Surv foi constatado no surgimento de possibilidades não contempladas na metodologia convencional, tais como possibilitar que o juiz fizesse sugestões de forma individual, que sua individualidade fosse preservada e que sua atuação fosse viável independentemente da sua localização geográfica. Isso favoreceu a sensação de anonimato e permitiu ao participante expressar determinadas opiniões que não emitiria pessoalmente.11

É importante destacar que dificilmente teríamos conseguido tantos juízes juntos, de duas áreas, em um dia e horário apenas. Mas por meio do acesso à plataforma online os juízes puderam responder ao questionário de maneira conveniente, no tempo e local preferidos, as respostas foram controladas e garantiram mais sistematicidade e confiabilidade ao processo, pois a planilha com as informações das entrevistas foi gerada automaticamente.11 A sistematização do registro dos dados e a consequente potencialização do seu adequado tratamento estatístico para fins de avaliação confirmam o potencial da ferramenta online.11,24 Foi preciso apenas alguns ajustes para a adequada importação e para a análise dos dados no ambiente de programação estatística R.13

Foram selecionados 92 (100%) especialistas para participarem do estudo. Desses, 38 (41,3%) responderam ao questionário online. Taxa considerável se comparada aos estudos que utilizaram questionário online em suas pesquisas e obtiveram taxas de retorno de 25 e 20,4%, respectivamente.25,26

Durante o processo de análise, foi possível perceber que as sugestões oferecidas individualmente pelos membros mostravam heterogeneidade de opiniões, o que gerou baixa concordância entre os juízes na adaptação do instrumento traduzido. Os juízes da saúde tenderam a ser mais discordantes entre si do que os juízes de Letras e tenderam a concordar mais entre si quando o quesito avaliado era a clareza dos itens do que quando avaliaram a equivalência entre português e inglês. Acredita-se que essa diversidade de opiniões tenha gerado sugestões que enriqueceram o processo tradutório.

A pesquisa verificou que, apesar das vantagens e facilidades da utilização desse tipo de tecnologia, com baixo custo, rapidez em todo o processo, obtenção de respostas de melhor qualidade e tabulação dos resultados, ainda existe a possibilidade da obtenção de baixos índices de respostas. Isso se deve, sobretudo, à impessoalidade da internet constituindo uma das dificuldades encontradas, que foram minimizadas pelo estabelecimento de prazo para que pudessem responder ao questionário e e-mails de reforço solicitando novamente o preenchimento do questionário aos juízes que não responderam no período estipulado de sete dias, como forma de aumentar as taxas de respostas.

 

CONCLUSÃO

Foi descrita proposta metodológica de uso de uma ferramenta online para a dinâmica do comitê de juízes no processo de adaptação cultural de instrumentos, a qual se mostrou confiável, segura e efetiva na formação e acompanhamento do comitê de juízes para avaliar instrumentos em saúde.

 

AGRADECIMENTOS

Este estudo recebeu apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, Brasil, processo n°. 306873/2016-8 e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, Universal, 01/2016 e processo n°. 432824/2016-2, apoiado pelo Núcleo de Gestão, Educação e Avaliação em Saúde do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (EE/UFMG).

 

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