REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

Enfermagem UFMG

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Volume: 14.3 DOI: http://www.dx.doi.org/S1415-27622010000300001

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Editorial

A pós-graduação em enfermagem e a importância dos periódicos científicos

Alacoque Lorenzini Erdmann

Doutora em Filosofia da Enfermagem, Profª Titular da UFSC e PQ 1A-CNPq; Coordenadora da Área da Enfermagem na Capes 2008-2010

 

A Pós-Graduação em Enfermagem vem crescendo ao longo do tempo e fortalecendo a ciência da enfermagem pelo avanço e consolidação do conhecimento produzido. O reflexo direto desse crescimento pode ser verificado pelo incremento da produção científica e pela ampliação da visibilidade dos programas com a conquista de espaços que garantem à Pós-Graduação em Enfermagem um lugar de destaque nos cenários nacional e internacional. Esse destaque pode ser confirmado pela importância dada aos periódicos de enfermagem tanto na produção e na transferência do conhecimento científico em enfermagem, como na sua utilização e no seu impacto na prática da profissão de enfermagem.

A resposta a esse desempenho se verifica claramente pela considerável elevação da produção científica da Pós-Graduação em Enfermagem, ao se comparar aquela constatada na avaliação trienal de 2004-2006 com a publicação de 3.563 artigos em 373 periódicos com a produção registrada no último triênio de 2007-2009, cujo incremento verificado foi de 68,6%, saltando, assim, para 5.194 artigos publicados em um total de 595 periódicos, com um acréscimo de 62,7%.

Sem dúvida, o avanço científico, tecnológico e em inovação na Enfermagem depende de políticas e estratégias que envolvem a comunidade acadêmica e científica, os profissionais da prática, representantes da associação de classe e de órgãos reguladores do exercício profissional, bem como de gestores implicados no compromisso de disponibilizar à sociedade um cuidado de enfermagem de qualidade, seguro e resolutivo para a saúde do cidadão.

Nossos periódicos científicos, por meio de seus editores, cientistas altamente qualificados, são copartícipes dessa política. São os nossos editores e o corpo editorial que balizam a qualidade do conhecimento científico e tecnológico produzido, bem como disponibilizam para a leitura e a orientação das pessoas, que, de alguma maneira, buscam informações sobre o que vem sendo produzido pelos nossos profissionais intelectuais dedicados à produção desses conhecimentos ou saberes.

De outro modo, nossos editores e pares de consultores analistas são os promotores e os propulsores de avanços na qualidade da produção dos nossos conhecimentos e saberes que sustentam nossa área como ciência, tecnologia e inovação.

A missão dos programas de pós-graduação da área de formar mestres e doutores competentes no exercício do processo de construir e divulgar conhecimentos pertinentes, relevantes e contributivos nos fortalece como disciplina ou campo de saber, importante para alimentar a formação dos nossos profissionais enfermeiros e qualificar a prática da profissão.

Assistimos a uma nova prática no ensino ou academia de enfermagem ao termos em nossas revistas de natureza científica a principal fonte das informações mais atualizadas e mais avançadas dos conhecimentos científicos e tecnológicos que estão sendo produzidos quase que em tempo real.

Sair das "prateleiras", ou agora nem mais estar nelas e chegar até os profissionais e consumidores de nossa ciência, é a grande resposta da importância de ter periódicos científicos com boas indexações e que atendam aos critérios e indicadores que sustentam um periódico de elevada qualidade.

Eis uma das principais contribuições de um periódico científico: servir de fonte ou instrumento de formação profissional tanto na academia como na educação continuada dos enfermeiros no campo da prática da enfermagem.

Todavia, seguimos nos perguntando: Será que nossos alunos dos diversos níveis de formação já estão se familiarizando e utilizando essa fonte como primordial para sua formação? Como acessam, leem, interpretam e conseguem aplicar esses novos conhecimentos? Quais são os periódicos mais acessados e o quanto contribuem para a formação dos nossos enfermeiros? Do mesmo modo podemos questionar nossos docentes, nossos enfermeiros da prática e até nossos usuários do sistema de saúde.

Seguindo nosso foco na valorização dos nossos periódicos, reconhecemos que a evolução deles vem sendo indicador da velocidade de avanço científico da enfermagem, bem como instrumento de indução e de indicação dos rumos que são implementados pelos nossos cientistas analistas sobre os conteúdos e a qualidade deles.

O melhor desempenho dos programas de Pós-Graduação em Enfermagem se mostra nos contextos nacional e internacional por meio de suas publicações efetivadas em periódicos de enfermagem cada vez mais bem qualificados.

A compreensão, a valorização e o investimento na publicação qualificada é o nosso grande desafio. Dependemos dela para galgarmos visibilidade e reconhecimento nacional e internacional.

A Pós-Graduação em Enfermagem, no nosso país, vem respondendo com desempenho exemplar, nos últimos anos, a esse desafio, tanto em número de artigos e ritmo de crescimento na produção como em quantidade de periódicos internacionais editados no Brasil e de periódicos com melhores indexadores, superando os principais índices ou rankings de crescimento e qualificação, destacando o Brasil perante os demais países. Esse desempenho se refletiu nos resultados da avaliação trienal 2007-2009, e, com certeza, mantendo-se esse ritmo, estaremos assegurados para novas conquistas.

Consideramos assim, sem sombra de dúvida, que a enfermagem brasileira vem despontando e se consolidando pelo crescimento, na sua alta qualificação científica, e pelas perspectivas de avanço tecnológico e de inovação...

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