REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 20:e984 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20160054

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Pesquisa

Ansiedade de crianças em situação cirúrgica e percepções emocionais reportadas por seus acompanhantes no pré-operatório: um estudo exploratório

Children's anxiety in surgical situation and emotional perceptions reported by their companions in the preoperative stage: an exploratory study

Mariana André Honorato Franzoi1; Gisele Martins2

1. Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professor Assistente. Universidade de Brasília - UnB, Faculdade de Ciências da Saúde, Departamento de Enfermagem. Brasília, DF - Brasil
2. Enfermeira. Pós-Doutora em Urologia Pediátrica. Professora Adjunta. UnB, Faculdade de Ciências da Saúde, Departamento de Enfermagem. Brasília, DF - Brasil

Endereço para correspondência

Mariana André Honorato Franzoi
E-mail: marifranzoiunb@gmail.com

Submetido em: 09/05/2016
Aprovado em: 26/10/2016

Resumo

OBJETIVO: avaliar o estado de ansiedade pré-operatória de crianças submetidas a cirurgias eletivas e descrever as percepções emocionais de seus acompanhantes relacionadas ao processo cirúrgico.
MÉTODOS: estudo misto de natureza descritiva, com abordagem quantiqualitativa, de corte transversal, realizado com 52 crianças e seus respectivos acompanhantes. Na coleta de dados, utilizou-se a Escala de Ansiedade Pré-operatória de Yale modificada (EAPY-m), para avaliar o estado de ansiedade das crianças, e entrevista semiestruturada para investigar a percepção emocional dos acompanhantes. A análise de dados compreendeu a análise de conteúdo para os dados qualitativos e estatística de natureza descritiva e inferencial para os dados quantitativos.
RESULTADOS: verificou-se que mais de 60% das crianças estavam ansiosas. A percepção emocional dos acompanhantes esteve associada estatisticamente ao grau de parentesco com a criança, sendo que mães e pais reportaram mais tensão relacionada principalmente ao medo da anestesia e do procedimento cirúrgico, decorrentes da falta de informações e orientações sobre esses tópicos pela equipe de saúde.
CONCLUSÕES: é necessário que a assistência de enfermagem pré-operatória esteja centrada na criança e na família e contemple intervenções que promovam cuidado atraumático para a criança e orientações relacionadas à anestesia e à cirurgia para os acompanhantes, especialmente se as famílias estiverem representadas pela figura materna e/ou paterna.

Palavras-chave: Procedimentos Cirúrgicos Operatórios; Cuidados de Enfermagem; Criança; Ansiedade; Família.

 

INTRODUÇÃO

A cirurgia no contexto pediátrico pode ser considerada um evento traumático na vida da criança e de sua família e, geralmente, o processo cirúrgico é vivenciado com muita tensão, ansiedade, medo, além de acarretar privações na rotina de vida nas dimensões familiar, escolar e lúdica.1

Vale destacar que, entre as cirurgias do tipo ambulatorial, as cirurgias pediátricas são prevalentes, visto que requerem cuidados pós-operatórios pouco intensivos e, em geral, não demandam internação hospitalar.2 As principais vantagens da cirurgia ambulatorial são: menos exposição ao ambiente hospitalar, o que contribui para o baixo risco de infecção; redução da ansiedade pré-operatória dos pacientes e familiares, diante da possibilidade de retorno mais rápido para o ambiente domiciliar e social; além da redução de custos para a instituição hospitalar.2 Porém, mesmo diante de tais vantagens, os procedimentos cirúrgicos realizados em ambulatório ainda podem desencadear alterações emocionais na criança e no acompanhante, sendo relacionadas ao medo do desconhecido, dor pós-operatória, separação da família no intraoperatório, medo de não acordar da anestesia ou de ficar incapacitado, entre outras preocupações.3

A ansiedade é um desfecho clínico frequente em crianças no pré-operatório, que pode gerar comportamentos negativos, agressivos e regressivos, alterações no sistema nervoso central manifestadas pelo aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial, da frequência respiratória, do consumo de oxigênio, do débito cardíaco e da tensão muscular, além de distúrbios no sono e alimentares, enurese e respostas inadequadas à analgesia e à anestesia, dificultando ainda mais o período de recuperação pós-cirúrgica.4

Apesar de a criança ser mais vulnerável à resposta de ansiedade por apresentar limitação da capacidade cognitiva e emocional relativas a conhecimentos e experiências prévias referentes aos cuidados em saúde, a família também pode vivenciar medo, preocupações e sentimentos de insegurança e dúvidas em relação ao que ocorre no centro cirúrgico.5

Dessa forma, nem sempre a família/acompanhante pediátrico exercerá plenamente a função de segurança e apoio à criança em situação cirúrgica, pois a maneira como enfrentam e percebem o evento cirúrgico interfere diretamente no nível de ansiedade e no comportamento da criança no período pré-operatório.6 Diante disso, é importante que nas cirurgias pediátricas ambulatoriais, em que se espera que os níveis de ansiedade pré-operatória sejam menores, o enfermeiro esteja sensível a reconhecer, acolher e intervir nas necessidades emocionais de crianças e acompanhantes, a fim de prover um cuidado humanizado, integral e centrado na criança e na família.3

Com base nisso é que se propôs a realizar estudo exploratório para investigar o nível de ansiedade de crianças submetidas a cirurgias ambulatoriais eletivas e as percepções emocionais dos respectivos acompanhantes pediátricos.

 

OBJETIVO

Avaliar o estado de ansiedade pré-operatória de crianças submetidas à cirurgia eletiva e descrever as percepções emocionais de seus respectivos acompanhantes relacionadas ao processo cirúrgico.

 

MÉTODO

Trata-se de estudo misto de natureza descritiva, com abordagem quantiqualitativa, de corte transversal, realizado na sala de espera de uma clínica cirúrgica pediátrica de um hospital público do Distrito Federal, no período de setembro de 2014 a abril de 2015.

Os critérios de inclusão adotados foram: crianças de três a 12 anos, de ambos os sexos, submetidas a cirurgias eletivas e que concordassem em participar da pesquisa por meio de desenho em espaço destinado no Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE). Excluíram-se os participantes submetidos à cirurgia de urgência, os que receberam medicamentos pré-anestésicos e aqueles cujos responsáveis não autorizaram a participação. Quanto aos critérios de inclusão dos acompanhantes pediátricos, estes poderiam ter vínculo parental ou não e serem do sexo masculino ou feminino. Excluíram-se os acompanhantes que não concordaram em participar da pesquisa, a partir da não assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Para o cálculo amostral, por se tratar de um estudo de abordagem quantiqualitativa, utilizou-se a técnica de amostragem por conveniência. Assim, dos 74 convidados a participarem da pesquisa, 17 recusaram e cinco crianças receberam medicamento pré-anestésico (sedativo), compreendendo uma amostra final de 52 crianças e acompanhantes.

A coleta de dados foi realizada em dois eixos, um direcionado para as crianças e outro para os acompanhantes. Para avaliar o estado de ansiedade das crianças, utilizou-se a Escala de Ansiedade Pré-operatória de Yale modificada (EAPY-m), instrumento validado e traduzido no Brasil e que tem sido amplamente utilizado em estudos internacionais7,8 e nacionais9,10 para mensurar o nível de ansiedade em crianças pré-escolares e escolares, principalmente no período pré-anestésico imediato e no momento da indução anestésica.

A EAPY-m consiste numa escala observacional composta de 22 categorias distribuídas em cinco domínios - atividades, estado de despertar aparente, vocalização, expressividade emocional e interação com a família - que refletem diferentes naturezas de comportamentos que podem ser manifestados pela criança, o que torna esse instrumento muito mais sensível às mudanças nos níveis de ansiedade em relação àqueles que avaliam a ansiedade de forma global.9,10

Quanto à pontuação da EAPY-m, a cada domínio atribui-se um escore parcial com base na pontuação observada, que é então dividida pelo número de categorias do domínio. Para obter-se a pontuação final, soma-se o escore de cada domínio aos demais e multiplica-se o resultado por 20, tal que escores compreendidos no intervalo de 23,4 a 30 pontos não indicam ansiedade e escores > 30 pontos indicam estado de ansiedade.9,10

Em relação à coleta de dados direcionada para os acompanhantes, esta foi realizada por meio de técnica de entrevista semiestruturada, com duração aproximada de 10 minutos, composta pela seguinte pergunta norteadora, com vistas a identificar o estado emocional reportado pelos acompanhantes em relação ao processo cirúrgico da criança: o que você pensa sobre a cirurgia que seu(sua) filho(a) irá fazer? A partir dessa pergunta, foram realizadas perguntas complementares para explorar o conteúdo trazido pelos acompanhantes na entrevista como: você está tranquilo(a)? Ansioso(a)? Tem medo? Por quê?

Ressalta-se que a coleta de dados foi realizada por equipe de pesquisa composta pela pesquisadora responsável e por duas alunas de graduação em Enfermagem. As alunas receberam treinamento prévio para aplicação e preenchimento da EAPY-m, porém não se realizou análise de confiabilidade interobservadores durante o treinamento.

Realizou-se análise estatística descritiva (frequência absoluta e percentual) dos dados demográficos das crianças e acompanhantes e do estado de ansiedade das crianças. Utilizou-se também o teste exato de Fisher, com nível de significância de 5%, para identificar possíveis correlações entre o estado emocional reportado pelos acompanhantes e as variáveis relativas à idade da criança, tipo de cirurgia, cirurgias prévias e grau de parentesco. Os dados qualitativos, por sua vez, foram submetidos à análise de conteúdo, seguindo as etapas de pré-análise, exploração do material e categorização dos temas emergentes das respostas dos acompanhantes, considerando diferenças e semelhanças. Os entrevistados foram identificados pela letra inicial que correspondia ao seu grau de parentesco com a criança (M - mãe; P - pai; MP - mãe e pai; e A - avó), seguida da numeração correspondente na amostra.

O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (FEPECS), após anuência da chefia de Enfermagem da Clínica Cirúrgica Pediátrica e da Direção do Hospital e aprovado em 10/02/2014, sob número de parecer 525.251.

 

RESULTADOS

Em relação aos dados demográficos das crianças, houve predomínio de crianças em idade escolar (média = 6,9 anos) e do sexo masculino (84,6%), submetidas a uma variedade de cirurgias agrupadas em três categorias - cirurgia de cabeça e pescoço, de abdome e geniturinária. Além disso, destaca-se que 82,7% das crianças e acompanhantes estavam vivenciando o seu primeiro evento cirúrgico, conforme representado na Tabela 1.

 

 

Quanto ao grau de parentesco, todos possuíam vínculo parental, sendo a maioria (87%) mãe e/ou pai e apenas um acompanhante foi representado pela figura da avó. Houve predominância de mães comparada à de pais, sendo a presença de ambos os pais correspondente a 11% da amostra e a presença de outros acompanhantes, como a figura da avó, a categoria de menos frequência (Figura 1).

 


Figura 1 - Frequência percentual do grau de parentesco dos acompanhantes em relação à criança. Brasília – DF, 2016.

 

Em relação ao estado de ansiedade, mais de 60% das crianças apresentaram pontuação superior a 30 na Escala de Ansiedade Pré-operatória, sendo a média de escores dos participantes classificados como ansiosos igual a 43,63. Apenas 16 crianças tiveram escores inferiores a 30 e, portanto, foram classificadas como não ansiosas, sendo a média de escores de 25,65 (Figura 2).

 


Figura 2 - Média de escores da Escala de Ansiedade Pré-Operatória de Yale modificada, segundo classificação do estado de ansiedade dos participantes. Brasília – DF, 2016.

 

Sobre a entrevista dirigida aos acompanhantes pediátricos, as respostas foram agrupadas em duas categorias: percepção emocional reportada como calma ou tensão (Figura 3).

 


Figura 3 - Frequência percentual da percepção emocional reportada pelos acompanhantes. Brasília – DF, 2016.

 

A categoria de tensão (quase 70% das respostas) compreendeu o relato de medo e ansiedade relacionado principalmente à anestesia, uma vez que pelos menos 42% declararam expressamente seus temores relacionados à anestesia, conforme relatos a seguir:

M24: "[...] não consegui dormir direito de preocupação. Tenho medo da anestesia, é geral, né? E também fico preocupada dele acordar com muita dor".

M43: "Tô bem nervosa e ansiosa, mas busco não transmitir isso pra ele. O medo é da anestesia porque é geral e põe pra dormir".

Os acompanhantes também relacionaram a percepção de tensão ao medo do procedimento cirúrgico em si, da recuperação pós-operatória e da morte, dúvidas por falta de orientação médica e outras ainda associadas a experiências cirúrgicas prévias negativas/ruins que a criança já tinha vivenciado ou que os próprios acompanhantes já vivenciaram na condição de pacientes, exemplificado por falas como:

M39: "Estou um pouco nervosa. Ah, eu fico preocupada com a cirurgia mesmo, a anestesia nem tanto porque o médico falou que vai usar uma máscara para dar a anestesia. Mas fico preocupada com a agulha, os cortes também, e se ele vai conseguir ficar em repouso depois."

MP40: "A gente tá bem ansioso. A anestesia preocupa muito, a gente tem medo do que pode acontecer, alguma complicação, porque é anestesia geral. A última consulta dela já tem três meses; o médico não explicou direito sobre como vai ser a cirurgia."

M46: "É... eu tô um pouco ansiosa sim [choro]. Tenho medo que ela não volte mais [choro]. Eu nem contei pra ela da cirurgia, só disse que ia fazer um exame. Eu me preocupo muito com a reação dela".

M37: "Eu tô um pouco ansiosa com a cirurgia dele; sei lá, fico preocupada porque eu mesma já tive uma experiência ruim na época que operei do parto cesárea".

M44: "O medo é da anestesia, mesmo sendo a terceira cirurgia dela. É que da última vez não foi muito bom, sabe? Ela chegou a ter febre e teve que ser internada depois da cirurgia".

Alguns acompanhantes ainda referiram sentimentos contraditórios, pois afirmaram estar tranquilos/calmos, mas ao mesmo tempo apreensivos ou preocupados com a cirurgia, ou seja, diziam apresentar percepção de calma, mas também a negavam no seu discurso:

M21: "Tô bem, tranquila. Mas assim, eu fico um pouquinho ansiosa por causa da cirurgia, de como vai ser".

M31: "Tô tranquila, só um pouco apreensiva com a anestesia".

Durante a coleta de dados, observou-se que a conduta da equipe médica variou muito. Alguns médicos anestesistas e cirurgiões abordavam a criança e sua família para esclarecer os procedimentos que seriam realizados e as possíveis dúvidas, enquanto outros realizaram entrevistas rápidas e protocolares, o que inviabilizava uma escuta qualificada direcionada para a criança e família, e outros ainda não compareciam à sala de espera pré-operatória.

A categoria de percepção emocional reportada como "calma", por sua vez, foi reportada como tranquilidade relacionada especialmente a experiências cirúrgicas prévias de sucesso/positivas das crianças ou de seus acompanhantes:

M25: "Tô tranquila e superconfiante de que dê tudo certo; essa é a quarta cirurgia dele".

M37: "Estou tranquila, mas a gente sabe que toda cirurgia tem risco, né? Ah, eu já passei por muitas cirurgias na vida e deu tudo certo".

Outros fatores consistiram no fato de os acompanhantes perceberem a cirurgia como algo necessário para evitar futuras complicações na saúde da criança, de nutrirem sentimentos positivos de esperança de que tudo correrá bem e de depositarem fé na figura de um Ser Superior que está no controle da vida de suas crianças.

P23: "Tô bem, tô tranquilo. Tem que fazer a cirurgia mesmo porque o piupiu dele tá, é, como fala? Tá obstruído, e se não fizer, pode dar problema depois".

M20: "Estou tranquila [...] e já entreguei tudo nas mãos de Deus."

Além disso, os acompanhantes relacionaram a percepção de "calma" às características do procedimento cirúrgico ambulatorial (simplicidade e rapidez), à orientação e preparo pré-operatório recebido e, outros ainda, à condição de serem profissionais de saúde, alegando conhecimento no assunto e não intimidação diante do ambiente hospitalar.

M28: "O médico explicou que é bem simples, aí tô tranquila".

M8: "Tranquila, eu sei que é uma cirurgia simples. Já trabalhei em hospital e não me assusto com esse ambiente nem com os procedimentos. Tô confiante de que vai dá tudo certo".

A52: "Fico tranquila. É que eu trabalho na área da saúde, sou técnica em enfermagem e conheço um pouco sobre centro cirúrgico".

Em relação à análise inferencial dos dados quantitativos, não foi encontrada significância estatística entre a percepção emocional dos acompanhantes e a idade da criança, tipo de cirurgia e a experiência de realização de cirurgias prévias. Entretanto, verificou-se associação estatisticamente significativa entre o estado emocional reportado pelos acompanhantes e o grau de parentesco destes em relação à criança (p=0,0013), conforme apresentado na Tabela 2.

 

 

Observou-se que 73% das mães e 100% de das mães e pais (quando presentes simultaneamente) manifestaram percepção de tensão; em contrapartida, nenhum dos pais e nenhum dos outros acompanhantes referiram tensão. Desse modo, salienta-se que os acompanhantes com grau de parentesco (mães e/ ou mães e pais, quando presentes simultaneamente) apresentaram mais percepção de tensão, que foi estatisticamente significativa, em relação a pais ou acompanhantes com outros graus de parentesco, como avós e tias.

Quanto à associação entre a percepção emocional dos acompanhantes e o estado de ansiedade das crianças, realizou-se análise de associação descritiva e verificou-se que dos 36 (69%) acompanhantes que referiram percepção de tensão, 26 crianças estavam ansiosas e 10 não apresentaram estado de ansiedade (escores inferiores a 30). E dos 16 (31%) acompanhantes que declararam percepção de calma, 10 crianças foram classificadas como ansiosas e seis sem ansiedade. Observou-se que, na maioria dos casos, independentemente se os acompanhantes relataram tensão ou calma, a maior parte das crianças foi classificada como "ansiosa" pela Escala de Ansiedade Pré-Operatória de Yale modificada.

 

DISCUSSÃO

Neste estudo, a quantidade de crianças ansiosas e o nível de ansiedade pré-operatório em crianças tiveram alta prevalência, pois compreenderam quase 62% da amostra, o que corrobora a literatura, que estima que 40 a 75% das crianças experienciem ansiedade significativa no período pré-operatório.10

De fato, a cirurgia por si só é um evento traumático, que causa traumas físicos e que também pode provocar danos emocionais e psicológicos, ainda mais se for o primeiro evento cirúrgico da criança, como foi o caso de mais de 80% dos participantes da pesquisa. O desafio na assistência pré-operatória consiste em oferecer cuidado atraumático, ou seja, prover cuidados terapêuticos em diferentes contextos por meio de intervenções que eliminem e minimizem o sofrimento físico e psicológico percebido pelas crianças e família.1,11

A assistência atraumática tem como objetivo evitar mais danos ou traumas à experiência cirúrgica vivida, tendo como três princípios fundamentais: a) evitar ou minimizar a separação da criança da família; b) promover sensação de controle; c) evitar ou minimizar lesões e dores.11

A presença dos acompanhantes no momento da indução anestésica, o uso da técnica do brinquedo terapêutico e promoção de atividades lúdicas são estratégias muito citadas/sugeridas na prática pediátrica cirúrgica para promover cuidado atraumático, porém de difícil implantação nos serviços de saúde pública devido às rotinas e questões de ordem burocrática.12,13

Assim, não basta somente prover o preparo e os cuidados clínicos, mas também reconhecer as necessidades psicológicas, sociais e emocionais da criança, aspectos muitas vezes ignorados na prática clínica, que tem como objetivo prioritário a restauração de um órgão debilitado por meio da cirurgia em detrimento de um cuidado humanizado e integral.14

Em relação aos dados demográficos, houve predominância de crianças do sexo masculino e das cirurgias geniturinárias, o que pode ser justificado pelo fato de as cirurgias urológicas compreenderem 60% da demanda de cirurgias pediátricas e pelas malformações geniturinárias congênitas, que acometem principalmente o sexo masculino, serem os principais motivos que motivam a consulta com cirurgião.15,16

Além disso, apesar dos novos papéis e funções que as mães, na condição de mulher, vêm assumindo na sociedade, verificou-se que elas foram o principal acompanhante da criança nesta pesquisa, fato comum no universo da Pediatria.3,5,10

Sobre as percepções emocionais relatadas pelos acompanhantes, estas foram categorizadas em tensão ou calma. A categoria calma, menos de 35%, foi composta de relato de segurança, esperança e tranquilidade associados a experiências positivas de cirurgias prévias/pregressas positivas, orientações dadas pelos profissionais e fé em um Ser Superior (espiritualidade).

As experiências de cirurgias prévias, quando positivas e bem-sucedidas, favorecem o estado de segurança da criança e da família, pois estas já sabem o que esperar; estão lidando com algo conhecido, não havendo espaço para fantasias sobre a cirurgia, a anestesia, a recuperação pós-anestésica, entre outros.17

As orientações relacionadas ao medicamento anestésico, ao procedimento cirúrgico, à recuperação pós-operatória e demais assuntos sobre o cuidado à criança em situação cirúrgica são essenciais para que a família/acompanhantes sintam-se mais seguros quanto à cirurgia da criança. É importante também que os profissionais de enfermagem disponibilizem espaço para escuta qualificada das famílias, a fim de que elas possam falar sobre seus medos/anseios e serem acolhidas e esclarecidas quanto às dúvidas e temores.2

A consulta de enfermagem é um dispositivo importante de aproximação, acolhimento e orientação de famílias na assistência cirúrgica pediátrica para minimizar a ansiedade, o medo e dúvidas. Sampaio et al. verificaram que a consulta de enfermagem ambulatorial contribuiu para esclarecer dúvidas, minimizar a ansiedade e criar um vínculo de segurança entre profissional, paciente e família, além de influenciar na redução de ausências e suspensões de cirurgias, já que na consulta era possível desmistificar percepções de medo e anseios da criança e família relacionados ao evento cirúrgico.2

Sobre o relato de esperança e fé, isso também foi verificado em outro estudo em que os acompanhantes demonstraram tranquilidade em seu discurso relacionado ao apego à figura de um Ser Superior.5 De fato, alguns estudos registram que acreditar em um Ser Superior e sobrenatural auxilia as pessoas a enfrentarem positivamente suas incertezas e sensação de impotência diante de situações estressantes como a doença, hospitalização e a cirurgia.18,19

Diante disso, espera-se que a equipe de enfermagem possa propiciar uma experiência cirúrgica positiva à criança e família, não só orientando as famílias sobre os procedimentos e cuidados em saúde no âmbito cirúrgico pediátrico, mas também estimulando-as a se apoiarem nas próprias crenças religiosas para nutrirem sentimentos de esperança, já que esses aspectos foram abordados e relacionados à percepção de calma, segurança e tranquilidade diante do evento cirúrgico.

A categoria de tensão compreendeu relato de preocupação, medo, apreensão e nervosismo relacionados à anestesia, cirurgia, recuperação pós-operatória, cuidados com a ferida operatória, falta de orientação/informação e medo da morte. Esses sentimentos mencionados corroboram os resultados de um estudo que investigou sentimentos dos acompanhantes de crianças em situação cirúrgica e de outro que avaliou o estado emocional de pacientes adultos submetidos a cirurgias cardíacas.5,20

O medo relacionado à falta de orientação médica sobre a anestesia e/ou procedimento cirúrgico esteve presente em muitos relatos dos acompanhantes, que referiram sentimentos de aflição. Isso vai ao encontro da observação de campo feita previamente pela pesquisadora em relação à abordagem inconstante da equipe médica, anestesistas e cirurgiões, que ora estavam disponíveis para esclarecer dúvidas e examinar as crianças, ora eram breves nas entrevistas ou mesmo nem compareciam à sala de espera pré-operatória.

A informação e orientação sobre o processo cirúrgico dirigidas aos acompanhantes pediátricos são de vital importância, pois eles também estão emocionalmente fragilizados e possuem seus temores diante do que lhes é desconhecido e incerto. Kain et al. demonstraram que os pais que participaram de um programa educacional sobre o processo cirúrgico-anestésico apresentaram baixos níveis de ansiedade no período pré-operatório.21 Outra pesquisa, que avaliou o nível de ansiedade dos acompanhantes de crianças em cirurgia ambulatorial, verificou que os pais que receberam orientações sobre o procedimento cirúrgico em consulta de enfermagem tiveram reduzido nível de ansiedade comparado aos que não receberam informações.3

Orientações sobre a cirurgia são necessárias não apenas para os acompanhantes, mas também para a criança que irá operar, que tem o direito de saber o que será feito durante o procedimento e o que ela pode experimentar depois, a exemplo do desfecho de dor, que não deve ser omitido.6 Pesquisas internacionais indicam cada vez mais a necessidade de se realizar preparos pré-operatórios adequados ao nível de desenvolvimento de cada criança, por meio de uma abordagem de cuidado desenvolvimental, a fim de melhorar a experiência cirúrgica e propiciar o real entendimento do procedimento pela criança.6,22

Cabe aos enfermeiros utilizar seus conhecimentos de desenvolvimento infantil para propor intervenções e ensinar/orientar aos pais ou cuidadores estratégias de enfrentamento dirigidas ao grau de desenvolvimento da criança para os períodos pré-operatório e pós-operatório.22 Porém, quando não há orientações mínimas da equipe de saúde/enfermagem, a família pode prejudicar o enfrentamento da criança ao omitir a própria cirurgia, como foi relatado por uma das mães em nossa pesquisa. É essencial, portanto, a construção de uma relação colaborativa entre o enfermeiro e o acompanhante pediátrico a fim de tê-lo como agente favorecedor e facilitador da experiência cirúrgica da criança.22

Alguns poucos acompanhantes declararam expressamente terem medo que a criança morresse; outros utilizaram eufemismo para dizerem que tinham medo do filho não acordar ou de não voltar da anestesia. O medo da morte nem sempre é verbalizado claramente por familiares diante da situação de familiares internados; é comum usarem expressões sutis ou até mesmo negarem o medo da morte com temor de que, ao falarem, tal fato seja concretizado.23

De fato, falar da morte ou mesmo do risco de morte, ainda mais de uma criança, não é algo fácil, pois na cultura ocidental há a concepção de que a morte ocorre na impessoalidade e é previsível/aceita apenas na velhice. É impessoal, pois sempre ocorre com o outro, alguém desconhecido ou às vezes até relativamente próximo de determinada pessoa, porém dificilmente é considerada como um acontecimento possível de ocorrer com essa pessoa ou com seu filho.23 Além disso, a morte de uma criança é muito difícil de ser aceita, pois implica a interrupção de um ciclo biológico de vida que esbarra, por sua vez, no imaginário cultural idealizado de que cada criança tem um futuro para crescer e desenvolver-se, diferentemente de um idoso.24

Na análise estatística, observou-se que a percepção emocional dos acompanhantes em relação à criança em situação pré-operatória esteve associada ao seu grau de parentesco. Mães e pais, quando presentes simultaneamente, reportaram mais percepção de tensão no contexto cirúrgico, o que sugere que a percepção emocional de tensão esteja relacionada supostamente aos cuidadores de maior vínculo afetivo com a criança.

Estudos indicam que as mães são as mais ansiosas entre os acompanhantes, fato apurado também neste estudo e que pode contribuir para agravar o estado de ansiedade da criança no período pré-operatório.10,25 Tal resultado indica a possibilidade de acompanhantes com outros graus de parentesco mais distantes, como tios, avós, primos, entre outros, compreenderem figuras importantes a serem consideradas potenciais mediadores de intervenções para alívio do estado de tensão/ansiedade de crianças no período pré-operatório, já que esses têm mais percepção de calma em comparação aos pais.

Quanto à investigação da relação entre o estado de ansiedade das crianças e tensão emocional enfatizada pelos respectivos acompanhantes, verificou-se que, de certa forma, houve concordância entre o estado de ansiedade e tensão das crianças e de seus respectivos acompanhantes, já que, entre os 36 acompanhantes que reconheceram percepção de tensão, 72% (n=26) das crianças estavam ansiosas e as demais não apresentaram estado de ansiedade (escores inferiores a 30). Apesar de não ter sido realizada análise de cunho inferencial para investigar melhor essa relação, esse resultado descritivo mostra a ansiedade dos acompanhantes pediátricos como um fator que pode contribuir para intensificar os níveis de ansiedade das respectivas crianças no pré-operatório.10,25

Entre as limitações deste estudo estão ausência de análise de confiabilidade interobservadores na aplicação da escala EAPY-m pela equipe de pesquisa e apenas realização de análise descritiva para correlacionar o estado de ansiedade das crianças com a percepção emocional reportada pelos respectivos acompanhantes. Sugere-se que pesquisas futuras procedam a análises inferenciais entre os níveis de ansiedade de crianças e de seus acompanhantes e não apenas descritivas, e comparem os estados de ansiedade no contexto de cirurgias ambulatoriais e de cirurgias de urgência em Pediatria, já que neste estudo, realizado no pré-operatório de cirurgias ambulatoriais, o nível de ansiedade foi elevado, mais de 60% dos participantes.

Quanto às implicações dos resultados desta pesquisa, os mesmos identificam a necessidade de desenvolver intervenções de enfermagem inovadoras e efetivas para a preparação pré-operatória da criança e família em situação cirúrgica ambulatorial, a fim de contribuir para a redução da ansiedade e do estresse emocional. Este estudo também sinaliza a importância de incorporação da família estendida (avós, tios) no processo cirúrgico pediátrico, além da importância do preparo instrucional e suporte emocional à família, vista como agente colaborador e potencializador do cuidado pediátrico. Destacam-se, ainda, o delineamento do tipo de estudo misto, abordagem quantiqualitativa, que contribuiu para a compreensão mais aprofundada do fenômeno de ansiedade pré-operatória no cenário de cirurgia pediátrica tanto na perspectiva da criança quanto da família.

 

CONCLUSÃO

Neste estudo, mais da metade das crianças que compuseram a amostra foi classificada em estado de ansiedade, sendo que mais de 80% estavam vivenciando o primeiro evento cirúrgico de sua vida. O estado emocional dos acompanhantes quanto à criança em situação pré-operatória esteve associada ao grau de parentesco com a criança, sugerindo que mães e pais têm mais percepção de tensão no panorama cirúrgico. A percepção de tensão englobou principalmente o medo da anestesia e do procedimento cirúrgico em si, decorrentes da falta de informações e orientações sobre esses tópicos pela equipe de saúde.

Além disso, houve concordância entre o estado de ansiedade das crianças e tensão emocional dos respectivos acompanhantes, já que, entre os 36 acompanhantes que referiram percepção de tensão, 72% das crianças estavam ansiosas. Desse modo, é importante que os profissionais de enfermagem, como integrantes de equipes de saúde, promovam assistência pré-operatória centrada na criança e família, considerando a dimensão emocional no planejamento da assistência de enfermagem. A finalidade é realizar cuidado atraumático para a criança e acolhimento dos acompanhantes por meio de informações, orientações e esclarecimento de dúvidas relacionadas à anestesia e à cirurgia, principalmente se as famílias estiverem representadas pela figura materna e/ou paterna, que exibiram altos níveis de tensão.

 

AGRADECIMENTOS

Às alunas de graduação em Enfermagem da Universidade de Brasília (UnB), Elizabete Lara Oliveira e Cristina Bretas Goulart, que nos auxiliaram na fase da coleta de dados desta pesquisa.

 

REFERÊNCIAS

1. Hockenberry MJ, Wilson D. Especificidades pediátricas das intervenções de enfermagem. In: Hockenberry MJ, Wilson D. Wong: fundamentos de enfermagem pediátrica. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014. p. 610-76.

2. Sampaio CE, Oliveira MV, Leal VM, Comino LB, Romano RA, Gomes AM. Cirurgia ambulatorial pediátrica: um estudo exploratório acerca do impacto da consulta de enfermagem. REME - Rev Min Enferm. 2012[citado em 2016 abr. 02];16(1):25-30. Disponível em: http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/496

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