REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 14.2

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Pesquisa

Úlceras por pressão em neonatos e crianças: perfil epidemiológico e clínico

Pressure ulcers in neonates and children: epidemiological and clinical profile

Karla CrozetaI; Janislei Gisele Dorociaki StoccoII; Mitzy Tannia Reichembach DanskiIII; Marineli Joaquim MeierIV

IMestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Paraná (PPGENF/UFPR). Enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. Membro do Grupo de Pesquisa Tecnologia e Inovação em Saúde: Fundamentos para a Prática Profissional (TIS). E-mail: karla_rlf@yahoo.com.br
IIMestre em Enfermagem pelo PPGENF/UFPR. Enfermeira do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR). Membro do TIS. E-mail: janisleistocco@hotmail.com
IIIEnfermeira. Doutora em História. Professora adjunta do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós Graduação da UFPR. Membro do TIS
IVDoutora em Enfermagem. Professora adjunta do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós Graduação da UFPR. Coordenadora do TIS

Endereço para correspondência

Marineli Joaquim Meier
Rua Pe. Camargo, 120, Alto da Glória
Curitiba - PR
(41)3360-7252
E-mail: mmarineli@ufpr.br

Data de submissão: 19/2/2010
Data de aprovação: 30/4/2010

Resumo

Os objetivos com este trabalho foram avaliar a prevalência de úlcera por pressão em neonatos e crianças no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR), caracterizar o perfil sociodemográfico dos portadores de úlceras por pressão no período estabelecido, realizar a avaliação clínica das úlceras por pressão e identificar sua gravidade. Este é um estudo transversal desenvolvido no período de abril a maio de 2009 nas unidades de internação pediátrica do HC/UFPR. A indicação dos neonatos e crianças avaliadas foi realizada pelo enfermeiro responsável de cada unidade pediátrica. Utilizou-se um instrumento específico sobre as características sociodemográficas, localização anatômica e avaliação clínica da úlcera. Para a análise estatística, empregou-se o programa SPSS Statistics, versão 17.0. Foram identificados cinco neonatos/crianças portadores de úlcera por pressão, com prevalência de 8,06%. A média de idade foi de 2,25 anos (DP=3,02), o tempo médio de hospitalização foi de 21,4 dias (DP=19,08), com variação de cinco a 50 dias. As causas de hospitalização foram: insuficiência respiratória aguda associada à cardiopatia (1), broncopneumonia (1), pós-operatório tardio com infecção em acesso venoso central (1) e mielomeningocele (2). Quanto à gravidade, duas úlceras eram de Grau I, uma de Grau II, uma de Grau III e uma de Grau indefinido, localizadas na região occipital (20%), temporal (20%), nasal (20%), dorsal (20%) e polegar (20%). Observou-se a prevalência significativa de úlcera por pressão em neonatos e crianças. Estratégias de prevenção e a realização de novos estudos de incidência e prevalência nessa faixa etária podem diminuir esses números.

Palavras-chave: Enfermagem; Prevalência; Úlcera por Pressão; Criança

 

INTRODUÇÃO

As úlceras são descritas na literatura por vários termos, dentre os quais: escaras de decúbito, escara, úlcera de decúbito, ferida de pressão, úlcera de pressão e úlcera por pressão. Nesta pesquisa, optou-se por utilizar a denominação "úlcera por pressão", pois esse é o fator etiológico mais evidente, é a nomenclatura adotada internacionalmente e é o termo mais adequado para a tradução de pressure ulcer para a língua portuguesa 1-3.

As úlceras por pressão são lesões localizadas na pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea, como resultado da pressão isolada ou em combinação com cisalhamento e/ou fricção, e contribuintes, ou fatores de confusão, os quais ainda não estão totalmente elucidados.4

Destaque-se, também, a combinação do tempo e pressão com vários fatores predisponentes internos e externos.5 Os fatores externos (pressão, cisalhamento e fricção) agem isoladamente ou em combinação. Os internos são dominantes e incluem estado geral, idade, mobilidade reduzida, estado nutricional e peso corpóreo alterado (caquexia, obesidade, edema/anasarca), incontinência urinária e fecal (umidade) e suprimento sanguíneo reduzido.1

Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento das úlceras por pressão, na literatura destaca-se a idade avançada como um fator especial, pois o processo de envelhecimento traz consigo uma série de adaptações que se instauram gradativamente. As médias de idade encontradas nos estudos variam de 49 anos6 a 66,2 anos entre pacientes hospitalizados e de 64 anos entre os internos de "casa de enfermagem" (n=11.584).7 Constatou-se, ainda, a média de 51,73 anos (DP 16,44, variando entre 18 e 88 anos, n=344)8 e concentração na faixa etária dos 71 aos 80 anos (n=78).9

O risco progressivo com o aumento da idade pode estar relacionado às mudanças nas características da pele e no tecido subcutâneo do idoso ou ao aumento de doenças cardiovasculares que ocasionam alterações circulatórias e no nível de consciência.10 Entretanto, os neonatos e crianças estão em risco de desenvolver úlceras por pressão, e as alterações na integridade do tecido desses pacientes resultam em dor, infecção, mortalidade e custos mais elevados no tratamento.11

Fisiologicamente, distúrbios de líquidos e eletrólitos ocorrem mais frequentemente e com um desenvolvimento mais rápido em lactentes e pré-escolares do que na idade escolar e adulta.12 O desenvolvimento de úlceras por pressão em crianças não é amplamente estudado, em parte por causa da sua presuntiva raridade em relação à população adulta e idosa. No entanto, um novo foco na investigação visa determinar se as úlceras por pressão são, de fato, escassas nessa população.12

Reconhece-se que a prevalência das úlceras por pressão é suscetivelmente maior nas unidades geriátricas ou de cuidados intensivos do que nas maternidades e clínicas de pediatria. Isso ocorre porque o risco de desenvolvimento varia de acordo com a natureza dos pacientes em seus ambientes de cuidado.13 Embora as taxas de prevalência em disciplinas como a pediatria sejam inferiores à média, ainda há prevalência nessas clínicas.7 Para tanto, o conhecimento da prevalência de úlceras por pressão na pediatria é essencial para o planejamento da prevenção e tratamento das lesões nessa faixa etária.12

Em adultos, nos estudos brasileiros de prevalência aponta-se uma variação de 5,9% a 68% na ocorrência de úlceras por pressão em pacientes hospitalizados.6,9,10,14-17

Em contraponto, levantamentos internacionais indicam variações menores, de 3,5% a 34%, com a média de 4,3% a 10% delimitada por estudos comparativos envolvendo significativo número de sujeitos.18-20

Na população pediátrica, em estudos mundiais aponta-se a prevalência de úlceras por pressão entre 0,47% e 13%.11,21-23 Em estudo realizado na Suíça, esse dado aumenta para 27,7%, incluindo úlceras de Grau I, a maioria causada por dispositivos externos.24 Não foram localizados estudos brasileiros sobre a prevalência de úlcera por pressão na população pediátrica na busca aos bancos de dados.

Considerando o foco de investigação da prevalência de úlceras por pressão em pacientes pediátricos, nesta pesquisa objetiva-se avaliar a prevalência de úlcera por pressão em neonatos e crianças no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR); caracterizar o perfil sociodemográfico dos portadores de úlceras por pressão no período estabelecido; realizar a avaliação clínica das úlceras por pressão; e identificar sua gravidade.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Esta pesquisa foi precedida da aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Clínicas (CEP/HC/UFPR), nº CAAE: 0228.0.208.000-08 e Registro CEP/HC: nº 1774.191/2008-09, por atender aos aspectos da Resolução CNS nº 196/96 e demais Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa envolvendo seres humanos. Os neonatos e crianças foram incluídos na pesquisa mediante autorização e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelo familiar ou responsável legal.

No estudo intitulado Avaliação clínica e epidemiológica das úlceras por pressão em um hospital de ensino, foram avaliados a prevalência, as características dos portadores de úlcera por pressão e os fatores de risco envolvidos na gênese das lesões em adultos/idosos e neonatos/crianças. Nesta pesquisa, apresenta-se um recorte dos resultados desse estudo.

Trata-se de uma pesquisa transversal, desenvolvida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR), no período de abril a maio de 2009. Esse hospital está localizado no município de Curitiba, é o maior hospital público do Estado e um dos cinco maiores hospitais universitários do país. Sua capacidade total é de 643 leitos, distribuídos em unidades de internação por especialidades. No período de coleta de dados, estavam ocupados 279 leitos, dos quais 62 por neonatos e crianças (população da pesquisa).

Todas as unidades de internação (para adultos e crianças) participaram do estudo. Neste recorte, os dados se referem às unidades pediátricas: Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, UTI Pediátrica, Clínica Pediátrica, Cirurgia Pediátrica e Isolamento Pediátrico.

Foram avaliados todos os neonatos e crianças (até 18 anos) internados no HC/UFPR no período de coleta de dados, indicados pelos enfermeiros das unidades de internação que possuíam risco para desenvolver úlceras por pressão ou já portadores da lesão e que concordaram em participar da pesquisa.

Os neonatos e crianças foram avaliados por um único investigador em um único momento, mediante a aplicação de um instrumento composto por características do paciente relativas a dados sociodemográficos e clínicos, localização anatômica e avaliação clínica da úlcera (Sistema MEASURE).25 Informações complementares foram obtidas nos prontuários dos pacientes.

Na avaliação clínica, obtiveram-se dados referentes à localização daúlcera por pressão e os itens relacionados às características da úlcera descritas no sistema MEASURE,25 as quais incluem medida, largura, comprimento, profundidade, área, exsudato (quantidade e qualidade), dor, tipo de borda, descolamento (ausente ou presente) e a aparência da ferida, com a descrição da inspeção, estadiamento, tipo de tecido envolvido e coloração. As úlceras por pressão foram estadiadas em Graus I, II, III, IV e indefinido,4 classificadas de acordo com a profundidade, a extensão e o dano tecidual.

Os dados coletados foram armazenados em banco de dados informatizado com a utilização do programa Microsoft Excell® e computados no pacote estatístico SPSS Statistics, versão 17.0. Na análise univariada descreveu-se o perfil dos pacientes por meio de estatísticas descritivas apresentadas em tabelas e gráficos. A população do estudo limitou a aplicação de técnicas estatísticas multivariadas na análise conjunta dos dados.

 

RESULTADOS

Dos 62 neonatos/crianças internados no HC/UFPR no período de coleta de dados, 5 eram portadores de úlcera por pressão.

Prevalência e perfil dos portadores de úlcera por pressão

O perfil dos cinco neonatos/crianças portadores de úlceras por pressão aponta distribuição do sexo predominantemente feminino (n=3, 60%), com média de idade de 2,25 anos (DP=3,02) e variação de cinco dias a 7,5 anos. A cor da pele foi predominantemente branca (100%).

Os portadores estavam internados na unidade de Cirurgia Pediátrica (1), na UTI Neonatal (1) e na UTI Pediátrica (3). Os antecedentes clínicos apresentam ampla variação e incluem prematuridade, síndrome de Down com complicações neurológicas e cardíacas, hidrocefalia e mielomeningocele associada à bexiga neurogênica, com 20% (1) cada, e em um prontuário não havia registro dos antecedentes clínicos.

Entre as causas de hospitalização, verificou-se insuficiência respiratória aguda associada à cardiopatia (1), broncopneumonia (1), pós-operatório tardio com infecção em acessovenoso central (1) e mielomeningocele (2). O tempo médio de hospitalização foi de 21,4 dias (DP=19,08), com variação de 5 a 50 dias.

A maioria das crianças desenvolveu a lesão no hospital (80%) e uma (20%) foi admitida com uma úlcera por pressão, decorrente da utilização de cadeira de rodas, segundo o registro do prontuário.

Em relação à quantidade de lesões, todas as crianças possuíam apenas uma úlcera por pressão, localizadas nas regiões occipital, temporal, nasal, dorsal e polegar (20% cada). Destaque-se que as úlceras localizadas nas regiões nasal, temporal e polegar foram decorrentes da pressão exercida por dispositivos como máscara de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), válvula ventricular e sensor de oxímetro.

A prevalência das úlceras por pressão entre a população pediátrica do HC/UFPR (62 neonatos e crianças) foi de 8,06%, com destaque para a área crítica (UTI neonatal e pediátrica), que representou 6,45% e clínica de cirurgia pediátrica, com prevalência de 1,61%. Excluindo-se as úlceras de Grau I (eritema não branqueável), a prevalência entre os neonatos e crianças alterou-se para 4,83%.

Características das úlceras por pressão

A avaliação clínica das úlceras por pressão foi realizada pelo sistema MEASURE25 e agrupadas de acordo com o estadiamento da National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP)4 em Grau I, Graus II, III e IV, e Grau indefinido (TAB. 1).

 

 

As úlceras avaliadas foram predominantemente de Grau I (2), bem como foram identificadas uma úlcera de Grau II, uma de Grau III e nenhuma de Grau IV. Apenas uma úlcera de Grau indefinido foi identificada. As úlceras de Grau I apresentavam eritema localizado, com comprimento e largura inferiores a 0,3 cm e área de 0,5 a 2,0 cm2. Envolviam pele íntegra, coloração vermelha e borda irregular.

As úlceras de Graus II e III eram semelhantes às de Grau I, pois o comprimento foi inferior a 0,3 cm, uma possuía largura inferior a 0,3 cm e a outra de 0,3 a 0,6 cm, com área de 0,5 a 2,0 cm2. Ambas manifestaram tecido necrótico e coloração mista (preta e vermelha), com bordas delimitadas (1) e irregulares (1).

A úlcera de Grau indefinido era mais extensa, com comprimento e largura entre 0,7 a 1,0 cm e área de 2,1 a 5,0 cm2. O tecido necrótico recobria toda a lesão, com coloração preta e borda irregular.

Nenhuma das cinco úlceras por pressão apresentou exsudato ou descolamento, e nenhuma criança referiu-se a dor.

 

DISCUSSÃO

As úlceras por pressão representam um desafio à saúde, pois afetam um número significativo de pessoas e resultam em despesas consideráveis ao sistema de saúde. Estudos em que se examina a ocorrência de úlcera por pressão são recomendados, no entanto a quantificação das lesões é complexa e as variações no tipo e métodos empregados na coleta de dados dificultam as comparações entre eles.26

A prevalência de úlceras por pressão em neonatos/crianças contraria os achados de alguns autores,8,9,14,27 que investigaram a área pediátrica e não detectaram úlceras por pressão.

Nesta pesquisa, a prevalência de úlcera por pressão em neonatos e crianças foi de 8,06%, com destaque para a área crítica (UTI neonatal e pediátrica), que representou 6,45% e clínica de cirurgia pediátrica, com prevalência de 1,61%. Excluindo-se as úlceras de Grau I (eritema não branqueável), a prevalência entre os neonatos e crianças alterou-se para 4,83%.

Tais dados são superiores aos estudos identificados. Em um estudo multicêntrico que envolveu 302 sujeitos, entre recém-nascidos e crianças até 16 anos, internadas em UTI pediátrica e neonatal, relatou-se incidência de 6%, em que 17 bebês e crianças desenvolveram 33 úlceras durante a internação.22

Em outro estudo desenvolvido em um hospital da Virgínia (EUA) em 2003 e 2004, foram incluídos prematuros (até 24 semanas de idade gestacional) e pacientes até 21 anos. A prevalência encontrada foi de 2 dos 77 pacientes (3%) em 2003 e de 3 dos 79 pacientes (4%) em 2004.12

Entre as 252 crianças internadas em uma instituição de ensino superior filiadas a cuidados hospitalares de crianças, a prevalência identificada foi de 1,6%, com quatro úlceras por pressão.28 Em 2003, em um estudo multicêntrico que envolveu 1.064 crianças hospitalizadas, encontrou-se a prevalência de 4% (n = 43).12

Em relação à localização das úlceras, em uma investigação realizada em 2003 e 2004 relatou-se que as crianças apresentaram três úlceras por pressão de Grau I e três de Grau indefinido. Os locais do corpo dessas úlceras por pressão foram: narinas (1), sacro (1), tornozelo (1) e calcâneo (3), sendo que todas elas foram adquiridas em meio hospitalar, nas UTIs (neonatal e pediátrica) e de reabilitação.12

A localização das úlceras nesta pesquisa coincide com esses achados. Destaque-se a ocorrência de úlcera por pressão na região occipital, a qual é considera um sítio frequente de desenvolvimento dessas lesões em lactentes e crianças, dada a proporção maior da cabeça em relação ao corpo. A lesão da narina do estudo citado12 também foi atribuída ao uso de máscara de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP).

Reconhece-se que as úlceras por pressão podem ocorrer como resultado da pressão exercida por dispositivos, como cânulas nasais, placas de traqueostomia ou de monitoramentodasaturaçãodeoxigênio,principalmente em crianças, uma vez que nessa faixa etária cerca de metade das lesões está relacionada a esses dispositivos.26 Isso foi evidenciado em um estudo em que se identificou que 44% (110) das crianças foram monitorizadas com oximetria, e 9% (10) desenvolveram úlceras por pressão nos dedos dos pés e mãos.28

Quanto à gravidade das lesões, em um estudo constatou-se que dentre as 1.064 crianças internadas na unidade pediátrica e UTI neonatal, com idade entre menos de 10 dias a 17 anos de idade, a maioria das lesões encontradas foram de Graus I (61%) e II (13%) e as úlceras estavam localizadas na região da cabeça (31%) e do sacro (20%).12 Esses achados coincidem com as quatro úlceras por pressão identificadas em outro estudo, uma de Grau I e uma de Grau indefinido, ambas na região occipital, e duas de Grau II (nas mãos e calcâneo).28 Não foram identificados estudos que descrevem as características das úlceras por pressão nas crianças.

O predomínio de úlceras de Grau I na população pediátrica representa um indicativo importante para o cuidado de enfermagem, tendo em vista as dificuldades na identificação e a rápida resolução com medidas adequadas. As úlceras dessa gravidade caracterizam a antecipação da ocorrência de mais lesões, e assim representamumsinaldeavisoimportantedanecessidade de intervenções preventivas de enfermagem.29

 

CONCLUSÃO

Os dados da pesquisa demonstram a prevalência significativa de úlcera por pressão em neonatos/crianças. Destaque-se a relação dos dispositivos do cuidado à presença de úlcera por pressão, o que demanda a necessidade de adotar intervenções de enfermagem objetivando sua prevenção.

Nesse sentido, é imperiosa a elaboração de diretrizes clínicas para a avaliação, a prevenção e o tratamento das úlceras por pressão que atendam às demandas clínicas dos neonatos e crianças no HC/UFPR.

Como recomendação para a prática, destaque-se a necessidade de ampliação dos estudos de prevalência e incidência nessa faixa etária, com a verificação dos fatores de risco para o desenvolvimento das úlceras por pressão em neonatos e crianças.

 

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