REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 20:e970 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20160040

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Pesquisa

Análise crítica dos vídeos sobre punção venosa periférica com cateter disponibilizados no YouTube

Critical analysis of peripheral catheter venipuncture videos available on YouTube

Karema da Conceição Pereira1; Ana Luísa Petersen Cogo2; Ana Paula Scheffer Schell da Silva3

1. Enfermeira. Mestranda. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA. Porto Alegre, RS - Brasil
2. Enfermeira. Doutora. Professora Adjunta. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Porto Alegre, RS - Brasil
3. Enfermeira. Doutora. Professora Adjunta. UFCSPA, Departamento de Enfermagem. Porto Alegre, RS - Brasil

Endereço para correspondência

Ana Luísa Petersen Cogo
E-mail: analuisa@enf.ufrgs.br

Submetido em: 12/04/2016
Aprovado em: 02/08/2016

Resumo

OBJETIVO: esta pesquisa teve como objetivo caracterizar o conteúdo de vídeos de punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha compartilhados no site YouTube.
MÉTODOS: estudo quantitativo, exploratório-descritivo realizado no site YouTube. Foram selecionados 81 vídeos em julho de 2014 que apresentavam a execução do procedimento de punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha isoladamente ou associado à terapia intravenosa, disponíveis em português. Os dados foram coletados em visita ao site por meio de download. A seguir, os vídeos foram codificados e organizados no software Microsoft Excel para serem analisados pela estatística descritiva.
RESULTADOS: os vídeos caracterizaram-se por terem sido produzidos, na sua maioria, por pessoas físicas (97,53%) e totalizaram 964.041 visualizações, resultando na média de 12.203 visualizações por vídeo, mostrando significativa demanda de usuários. A realização da demonstração do procedimento foi realizada como registro não sistematizado de aula prática (74,07%) e executado em humanos (91,35%).
CONCLUSÃO: concluiu-se que, pelas inconsistências de conteúdo e inadequações na produção do material digital, muitos vídeos não podem ser indicados para fins educativos. Sugerem-se, para estudos futuros, investigações acerca das formas como os usuários se apropriam desse conhecimento e investimento na produção de materiais digitais de qualidade para que o estudante possa ter fontes confiáveis de consulta na internet.

Palavras-chave: Enfermagem; Tecnologia Educacional; Cateterismo Periférico; Filmes e Vídeos Educativos; Internet.

 

INTRODUÇÃO

Os materiais educativos no formato digital disponibilizados na internet de forma gratuita são uma forma de democratizar o acesso à informação. No entanto, o uso desses recursos no ensino de Enfermagem requer um usuário crítico que selecione os conteúdos de qualidade frente à grande quantidade de informações disponíveis. Os vídeos no YouTube são exemplos desses recursos. Este site se constitui em uma rede com mais de um bilhão de usuários que compartilham mais de 300 horas de conteúdo por minuto, gerando milhões de horas de visualizações diárias.1 No YouTube estão disponíveis vários vídeos sobre temas da área da saúde, inclusive sobre procedimentos de Enfermagem, produzidos e publicados por instituições, grupos organizados ou por pessoas físicas.

Dessa forma, os vídeos de livre demanda, como os disponibilizados no YouTube, podem colaborar com professores e instituições que não possuem recursos para produção do próprio material digital ou, ainda, utilizá-lo como um repositório para compartilhamentos, oportunizando a consulta do material por estudantes e profissionais interessados no tema. Estudo realizado com estudantes da área da saúde demonstrou que o estímulo visual e auditivo proporcionado por um vídeo é um recurso que colaborou na aprendizagem.2 Esse dado corrobora a necessidade de as instituições de ensino na área da saúde investirem na produção de vídeos, os quais podem ser utilizados nas atividades presenciais ou a distância.3

A análise de vídeos publicados no YouTube sobre eventos adversos constatou que a qualidade do material digital e da informação é essencial para que possam ser utilizados como recursos de ensino.4 Sendo assim, ao selecionar um material dessa rede para fins educacionais, deve-se ter cautela, pois é preciso avaliar seu conteúdo e potencialidades para o ensino.5 Há autores que confirmam que, quando previamente selecionados, os vídeos podem atuar como um benéfico complemento educacional na preparação dos alunos para as atividades práticas.6

A utilização das tecnologias digitais está amplamente difundida entre estudantes de todas as idades e é necessário que as universidades incorporem esses recursos ao ensino, permitindo que estudantes explorem sua fluência digital na busca pelo conhecimento.7 Neste sentido, algumas universidades já desenvolveram seus próprios canais no YouTube, com o propósito de compartilharem com os estudantes materiais próprios, de qualidade e que estejam integrados aos conteúdos da sala de aula.8

Frente ao grande quantitativo de informações disponibilizadas no formato de vídeos no YouTube, identifica-se que a temática fundamentos de Enfermagem possui significativo acervo. Com o intuito de analisar mais detalhadamente a estrutura dos vídeos produzidos e a adequação do conteúdo, optou-se, neste estudo, por selecionar a punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha, que se constitui em procedimento realizado frequentemente pelos profissionais de enfermagem que devem observar cuidados específicos para a prevenção de infecções por via vascular.

A punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha é um procedimento que consiste na instalação de um dispositivo estéril no interior do vaso venoso para infundir terapia intravenosa.9 A execução desse procedimento exige do profissional conhecimento técnico-científico, visto que seu sucesso depende significativamente da habilidade do profissional. Diante das diversas competências necessárias para sua realização, frequentemente a punção venosa periférica provoca no estudante de Enfermagem a ansiedade, sensação que pode ser minimizada quando ele tem acesso a recursos de simulação com manequins ou em ambiente virtual.10

Assim, este estudo teve como objetivo caracterizar o conteúdo de vídeos de punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha compartilhados no site YouTube, descrevendo suas etapas de execução e caracterizando-os quanto ao ambiente de realização, atores, materiais utilizados, identificação de autoria e a fonte de referência para a realização do procedimento. Os resultados deste estudo colaboram com a divulgação e a produção de materiais digitais na área de Enfermagem, contribuindo para que os profissionais e estudantes de Enfermagem sejam críticos sobre a utilização do conteúdo disponível na internet.

 

MÉTODO

Esta pesquisa foi do tipo exploratório-descritiva com abordagem quantitativa. Estudos exploratórios têm como finalidade investigar fenômenos ainda pouco conhecidos e sem hipóteses estabelecidas, sendo a etapa descritiva responsável por apresentar elementos que poderão instigar a realização de novos estudos.11 O campo de estudo foi o site de vídeos YouTube, selecionado por ser uma rede de compartilhamento com grande acervo disponível de forma gratuita.

A amostra foi composta de 81 vídeos que demonstravam o procedimento de punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha. No campo de busca do site, pesquisou-se pelo termo "punção venosa periférica", obtendo-se 1.100 vídeos. Os referidos vídeos foram selecionados para compor a amostra observando-se os seguintes critérios: demonstrar a realização do procedimento isoladamente ou associado à terapia intravenosa; estar disponível publicamente e em idioma português. Os vídeos que apresentavam mais de um procedimento não relacionado à terapia intravenosa e que não utilizavam cateter plástico sobre agulha foram excluídos da amostra.

Os dados foram coletados a partir de visita ao endereço: http\\www.youtube.com, no dia 28 de julho de 2014. A coleta ocorreu em apenas um dia, haja vista a grande dinamicidade dos dados disponíveis na internet.12 Foi realizado o download com a utilização do software gratuito ClipConverter (http://www.clipconverter.cc/pt/) dos vídeos que atenderam aos critérios de inclusão, sendo codificados em V1, V2, e assim sucessivamente, até V81, garantindo o anonimato dos autores

As pesquisadoras desenvolveram um instrumento que contemplava os passos básicos para a realização do procedimento de punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha, baseado em referencial técnico atualizado para a sua realização:13 dados sobre o responsável pelo compartilhamento, ambiente de realização, se a execução ocorreu em manequim de simulação ou em seres humanos, apresentação do material utilizado, identificação de autoria, fonte de referência para realização do procedimento e número de visualizações.

Os dados foram organizados e processados pelo software Microsoft Excel e analisados pela estatística descritiva, com frequências absoluta e relativa, sendo descritos por meio de médias e porcentagens. Após obter esses dados, as variáveis foram analisadas com literatura pertinente ao tema de estudo.

As pesquisadoras assinaram um Termo de Compromisso Para Utilização de Dados, comprometendo-se a preservar a identidade dos autores dos vídeos participantes e afirmando a utilização do material exclusivamente para os fins deste estudo. A Comissão de Pesquisa da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi favorável à realização deste estudo (protocolo número 27574). Os aspectos éticos relacionados aos direitos autorais foram respeitados e a identidade dos autores dos vídeos foi preservada.

 

RESULTADOS

Foram caracterizados 81 (100%) vídeos que se enquadravam nos critérios de inclusão desta pesquisa. Os vídeos tiveram 964.041 visualizações, resultando na média de 12.203 visualizações por vídeo. O V43 foi o que teve a maior quantidade de visualizações, com 369,668 visualizações, seguido do V17 com 341.322 e do V33 com 91.428 visualizações.

Entre os materiais analisados, cinco (6,17%) dos procedimentos eram simulações específicas para a realização do vídeo, seis (7,40%) apresentavam a gravação de uma aula teórico-prática, seis (7,40%) a gravação de uma situação assistencial e 64 (79,01%) atendiam à opção outros, como o registro não sistematizado de aulas práticas (74,07%).

Quanto aos usuários que disponibilizaram o conteúdo, 79 (97,53%) eram pessoas físicas, utilizando seu canal pessoal para a postagem, um (1,23%) foi disponibilizado por uma instituição de cursos de Educação a Distância e um (1,23%) foi publicado por turma de alunos de um curso de graduação da área da saúde.

Em 68 (83,95%) vídeos que constituíram esta amostra o procedimento foi realizado em um laboratório de aulas práticas, seis (7,40%) em estabelecimentos de saúde e sete (8,64%) em outros locais, entre eles salas de aulas e residências.

A demonstração do procedimento foi realizada em um manequim de simulação em apenas sete (8,64%) dos vídeos analisados. Os outros 74 (91,35%) realizaram o procedimento em seres humanos. Em quatro vídeos (4,93%) o material necessário para a realização do procedimento foi apresentado, nos demais 77 (95,06%) essa ação não foi realizada.

Na análise das etapas do procedimento que objetivam garantir a segurança do paciente por meio da realização dos passos da punção venosa com a técnica asséptica, entre os 81 (100%) procedimentos caracterizados, apenas um (1,23%) fez a higiene de mãos, os outros 80 (98,76%) não realizaram essa etapa do procedimento, nem anunciaram oralmente ou por legenda essa necessidade. Em 75 (92,59%) dos vídeos foi demonstrada a preparação do material a ser utilizado na execução do procedimento (Tabela 1).

 

 

Em 70 (86,41%) vídeos o executor fez uso de luvas de procedimento e em 77 (95,06%) utilizou o garrote na realização da punção. Em 61 (75,30%) vídeos foi abordada a escolha do local da punção venosa e a antissepsia da pele foi providenciada em 60 (74,07%) dos procedimentos (Tabela 1).

Na totalidade dos vídeos (100%) foi demonstrada a inserção da agulha, visto que essa é etapa essencial para a execução da punção. O retorno venoso e a retirada do mandril foram apresentados em 67 (82,71%) dos vídeos, enquanto o descarte correto da agulha não foi apresentado em 76 (93,82%) dos procedimentos realizados (Tabela 1).

O cateter foi estabilizado para a liberação do garrote em 64 (79,01%) vídeos, a pressão firme e suave para evitar o refluxo de sangue e a conexão da seringa com solução não foi executada em 57 (70,37%) deles. Em 61 (75,30%) das execuções não foi observada a perviabilidade da veia, nem em 54 (66,66%) o dispositivo foi fixado no paciente e somente em oito (9,87%) o curativo foi identificado com os dados do procedimento e do executor. Em 80 (98,76%) procedimentos não foram apresentados a organização e o descarte do material utilizado após terminarem o procedimento (Tabela 1).

Quanto às intercorrências, em sete (8,64%) dos procedimentos não houve retorno venoso e em dois (2,46%) a rede venosa foi lesionada durante a execução. O procedimento não foi executado de acordo com a ordem apresentada pela literatura que orientou o protocolo deste estudo em 55 (67,90%) dos procedimentos. Nenhum dos vídeos (100%) apresentou a referência bibliográfica utilizada para a execução do procedimento.

 

DISCUSSÃO

O grande número de vídeos de aulas práticas encontrados nesta investigação demonstra que os recursos tecnológicosmóveis possibilitam que as pessoas registrem situações cotidianas, o que leva à expansão da disponibilização de vídeos em sites de livre acesso na internet. Os professores e os estudantes tornam-se autores de conteúdo com o objetivo de registrar e rever as práticas que realizam. Estudos destacam que as produções de materiais digitais no formato de vídeo colaboram com a aprendizagem, o que possibilita acesso ilimitado ao conteúdo e auxiliando o estudante na aquisição de conhecimentos e habilidades na área da Enfermagem.8,14

No entanto, é necessário ponderar quanto à produção desses vídeos e como foram disponibilizados na internet. Em muitos dos materiais avaliados, os autores/personagens e as instituições foram apresentados de maneira informal e em situações que expõem suas fragilidades. Os atores e as instituições apresentados em vídeos educativos devem autorizar o uso do som e da imagem, antes da publicação do material no YouTube.15 Da mesma forma, deve haver a preocupação na produção do material digital no sentido de socializar conhecimento atualizado, baseado em evidências e incentivando as melhores práticas na Enfermagem.15

Em muitos vídeos a precariedade na qualidade na imagem, no som e a ausência de edição evidenciaram que a produção foi realizada informalmente, sem constar na descrição ou no perfil de sua publicação dados como nome completo ou formação técnica do profissional responsável. Essa omissão coloca em dúvida a credibilidade e a confiabilidade do material compartilhado, que por serem procedimentos relacionados à área da saúde, podem comprometer a integridade de outras pessoas que porventura os sigam.16

A utilização de laboratórios nas aulas práticas na área da saúde possibilita a implantação de situações realísticas e simuladas, colaborando em minimizar a ansiedade e a insegurança dos estudantes.17 Atualmente há equipamentos de simulação disponíveis que permitem ao aluno vivenciar a situação de cuidado com realismo, tornando injustificável a utilização de seres humanos durante práticas de laboratório, pois estas expõem o estudante a risco de eventos adversos durante a execução do procedimento. O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo publicou no ano de 2009 um parecer contrário ao treinamento de técnicas injetáveis entre estudantes, mesmo sob a supervisão de um profissional enfermeiro.18 Na realização de vídeos educativos essa premissa também deve ser observada, utilizando os recursos tecnológicos disponíveis em vez de expor as pessoas a riscos desnecessários.

Nos vídeos analisados foram observadas diferenças na realização da técnica de punção venosa com cateter. Destaca-se que algumas das etapas da técnica que não foram apresentadas, se não realizadas no contexto de cuidado real, colocam em risco a segurança do paciente ou do trabalhador/estudante da área da saúde. A higienização das mãos é uma etapa indispensável durante a prestação do cuidado ao paciente, reconhecidamente responsável pela prevenção de infecções. Ainda assim, estudos afirmam que 29,7% dos enfermeiros realizam o procedimento de punção venosa periférica sem higienização das mãos.19 Devido à sua importância, essa etapa não pode estar ausente no conteúdo de um vídeo educativo que demonstre um procedimento invasivo.

As luvas de procedimentos consistem em equipamento de proteção individual no contato com sangue e fluidos durante a execução de atividades invasivas e, também, proporcionam segurança ao paciente, prevenindo infecções cruzadas, quando usadas adequadamente.20,21 Sua não utilização coloca o paciente e o profissional em situação de vulnerabilidade. Dessa forma, o calçamento das luvas de procedimentos deve ser apresentado nos vídeos de punção venosa para que os estudantes incorporem essa etapa do procedimento que é fundamental para sua segurança.

Outra etapa pouco explorada nos vídeos foi o destino dos resíduos perfurocortantes com material biológico. Diante do risco de exposição a esse material, os vídeos deveriam salientar o destino correto desse material, especialmente o descarte adequado da agulha. O descarte inadequado coloca em risco todas as pessoas que frequentam o mesmo ambiente de realização do procedimento, pela possibilidade de exposição ocupacional a materiais biológicos, podendo causar contaminação por hepatites B e C e também pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). O trabalhador da área da saúde, por vezes, encontra-se em um ambiente de trabalho sobrecarregado pela grande demanda de atendimentos, fazendo com que se torne vulnerável à contaminação, especialmente quando não ocorre o descarte adequado da agulha utilizada em procedimento invasivo.22 Esses fatores reforçam a importância de o descarte de resíduos ser apresentado em um vídeo educativo.

Após a realização do procedimento, é recomendado que informações como data, calibre do cateter e profissional executor sejam registrados na fixação do acesso venoso, bem como no prontuário do paciente. Esses dados são necessários para a tomada de decisão durante emergências e para a prevenção de infecções, uma vez que o dispositivo não pode ultrapassar a validade preconizada pelas rotinas da instituição.23 A identificação do curativo do acesso venoso é uma medida se segurança que beneficia paciente e instituição. Esse registro permite que qualquer profissional tenha acesso aos dados do dispositivo quando for prestar atendimento.

Registra-se o grande número de visualizações dos vídeos analisados neste estudo. Houve vídeos com números de acessos próximos de 370 mil, o que reforça que existe o interesse por esse recurso educacional. No Reino Unido foi observada uma mudança dos materiais da área da Enfermagem disponibilizados no YouTube, havendo recentemente o acréscimo de materiais educativos de qualidade produzidos por instituições de ensino na língua inglesa.8 Na realidade brasileira apurou-se que o YouTube disponibiliza muitos materiais no formato de livre acesso, no entanto, nem sempre os mesmos podem ser utilizados como recurso educacional, devido à inconsistência do conteúdo ou pela má-qualidade da imagem e do áudio. Outros estudos realizados no Brasil que avaliaram vídeos sobre procedimentos de Enfermagem destacaram que os mesmos não estavam de acordo com diretrizes preconizadas.24,25

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente investigação buscou caracterizar os vídeos compartilhados no site YouTube que demonstravam o procedimento de punção venosa periférica com cateter plástico sobre agulha. Foram identificados 81 vídeos de acesso público que atendiam aos critérios de inclusão do estudo.

Os vídeos, em sua maioria, apresentavam a execução da punção venosa periférica em situações educacionais, porém, apesar do contexto, a maioria das execuções foi realizada em seres humanos, chamando a atenção para o risco que procedimentos sem fins terapêuticos e em ambiente inadequado podem ocasionar. Da mesma forma, etapas como lavagem das mãos, o uso de equipamento de proteção e descarte de materiais perfurocortantes não foram contemplados na totalidade dos vídeos, demonstrando inconsistência de conteúdo.

Pelo fato de o YouTube ser um site de compartilhamento amplamente acessado, bem pela identificação de que muitos vídeos não obedeceram as diretrizes preconizadas para o cateterismo venoso periférico, recomenda-se que as instituições de saúde e ensino produzam materiais de qualidade para disseminar as boas práticas em Enfermagem. Sugere-se que no futuro investigue-se o perfil dos usuários, como estes selecionam e utilizam os vídeos educacionais em Enfermagem.

Como limitações deste estudo, destacam-se a pouca diversidade oportunizada pelo mecanismo de busca do site YouTube e a diversidade de nomenclaturas utilizadas para a punção venosa periférica, sem haver padronização, o que pode ter ocasionado perdas na amostra.

 

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