REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

Busca Avançada

Volume: 20:e959 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20160029

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Revisão Sistemática

Automedicação entre profissionais da saúde

Self medication among health professionals

Micheli Rita Galvan1; Daiane Dal Pai2; Maria Elena Echevarría-Guanilo3

1. Enfermeira. Centro de Assistência Psicossocial Álcool e Drogas. Esteio, RS - Brasil
2. Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Escola de Enfermagem. Porto Alegre, RS - Brasil
3. Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta. Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Departamento de Enfermagem. Florianópolis, SC - Brasil

Endereço para correspondência

Daiane Dal Pai
E-mail: daiadalpai@yahoo.com.br

Submetido em: 17/09/2015
Aprovado em: 07/04/2016

Resumo

O presente estudo teve como objetivo identificar as evidências disponíveis na literatura sobre automedicação em profissionais da saúde. Realizou-se revisão integrativa da literatura com buscas na Base de Dados de Enfermagem (BDEnf), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Embase, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Pubmed, SCOPUS, Web of Science, Biblioteca Virtual em Saúde Brasil (BVS) e no portal de periódicos Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Foram selecionados 19 artigos que atenderam aos critérios de inclusão, sendo a maioria classificada com nível de evidência 6 (n=17). A análise dos artigos permitiu identificar que a automedicação é prática frequente e aceita entre profissionais da saúde, com destaque para a categoria médica, mencionados na maioria das publicações (n=8) e com as maiores prevalências. O consumo de fármacos que não exigem prescrição foi acentuado em farmacêuticos e profissionais de enfermagem. A prevalência mostrou-se maior em profissionais mais jovens e com mais escolaridade. O sintoma que mais estimulou a automedicação foi a dor de cabeça e os medicamentos mais usados foram os analgésicos. A análise realizada permitiu identificar lacunas relacionadas à compreensão dos aspectos laborais associados à automedicação e os efeitos dessa prática sobre a saúde dos profissionais. É necessário identificar medidas que controlem essa prática a fim de preservar a saúde dos trabalhadores da área da saúde.

Palavras-chave: Automedicação; Pessoal de Saúde; Saúde do Trabalhador; Educação em Saúde.

 

INTRODUÇÃO

O uso de medicamentos para o benefício próprio e sem a devida prescrição é chamado automedicação. Nessas circunstâncias, o indivíduo não procura ajuda médica para solucionar aquilo que julga ser um problema de saúde, recorrendo a conselhos dos vizinhos, amigos ou familiares; consumindo sobras de antigos medicamentos que foram guardados; usando as suas prescrições ou de outras pessoas para comprar o mesmo fármaco, que em algum momento no passado foi efetivo.1

Mesmo que muitas vezes essa prática proporcione o alívio dos sintomas, efeitos indesejáveis podem ser experimentados, como enfermidades iatrogênicas, mascaramento de doenças evolutivas, intoxicações, reações adversas, interações medicamentosas, desenvolvimento de resistência e reações alérgicas.2 A automedicação minimiza os sinais e sintomas, mas por vezes não soluciona propriamente o problema e adiciona o risco de piora.3

Não é difícil observar no cotidiano a naturalidade com que a automedicação está inserida na vida das pessoas, cultuando a ideia de ser um benefício em qualquer circunstância. Além disso, a aceleração da vida contemporânea tem estimulado as pessoas a desejarem soluções imediatas para os males que as perturbam. A saúde passa, então, a ser mais um bem de consumo que pode ser adquirido por meio dos fármacos.

A mensagem apresentada posterior às propagandas de fármacos, nos distintos meios de comunicação: "ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado", recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)4, poderia estar sendo interpretada de forma errônea pela população. Desta forma, poderia estar induzindo a população a procurar um profissional habilitado para prescrever o medicamento correto somente após os sintomas não terem passado. Podem ser sugestiva, portanto, da automedicação. Essa questão é acentuada pelo livre acesso a alguns medicamentos, que podem ser facilmente encontrados em prateleiras nas farmácias para compra sem restrição.

Diante do exposto, deve-se considerar que a propaganda e o livre acesso a determinados fármacos estariam estimulando e possibilitando o hábito da automedicação, podendo justificar a suposição de que essa prática é elevada entre os brasileiros1-2,5-7, tais como profissionais da saúde, estudantes e população em geral. A automedicação tem sido um hábito relatado também entre estudantes universitários.5-7 Em estudo de base populacional realizado na cidade de Bambuí-MG com cerca de 15.000 habitantes, observou-se prevalência de 46% de automedicação nos últimos 90 dias.1 Entre os cidadãos que procuram alento para os problemas na automedicação, destacam-se os profissionais da saúde, que além de terem as mesmas expectativas de solução imediata de dores e sofrimentos, ainda possuem acesso facilitado aos medicamentos.

Os profissionais da saúde encontram-se expostos a riscos biológicos, ergonômicos e psicossociais, por isso são mais suscetíveis à manifestação ou instalação de determinadas doenças em função do labor3, o que também contribui para a necessidade de aliviar sintomas por meio da automedicação. Entre trabalhadores da saúde têm sido relatado dores lombares, em membros inferiores, estresse, mudança de humor, transtornos do sono, varizes, entre outros.8 Os trabalhadores da saúde detêm conhecimento e acesso aos medicamentos disponíveis e passam a representar um grupo de destaque no que se refere à prática da automedicação3, sendo este o tema de interesse da presente investigação. Diante do exposto, o objetivo desta revisão foi identificar as evidências disponíveis na literatura sobre automedicação em profissionais da saúde.

 

MÉTODO

O estudo desenvolvido trata-se de uma revisão integrativa de literatura, seguindo cinco etapas: identificação do problema, pesquisa bibliográfica, avaliação dos dados, análise dos dados e a apresentação da revisão de literatura.9 A questão norteadora que impulsionou a presente revisão foi: quais as evidências disponíveis na literatura sobre automedicação em profissionais da saúde?

As fontes de informação acessadas online para a presente pesquisa foram: Base de Dados de Enfermagem (BDEnf), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Embase, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Pubmed, SCOPUS, Web of Science, Biblioteca Virtual em Saúde Brasil (BVS) e o portal de periódicos Scientific Eletronic Library Online (SciELO).

A busca na literatura foi realizada utilizando-se os descritores controlados oriundos dos Descritores das Ciências da Saúde (DeCS): automedicação, pessoal de saúde, saúde do trabalhador. Com base no Medical Subject Headings (MeSH), também foram utilizadas as palavras-chave: self-medication, health personnel, occupational health. No processo de busca foi utilizado o operador booleano AND.

Nessa revisão integrativa da literatura foram utilizados como critérios de inclusão: artigos de pesquisa, de reflexão, revisões, editoriais e relatos de experiência que respondam ao problema de pesquisa, publicados nos últimos 10 anos, a contar de julho de 2004 a julho de 2014, nos idiomas inglês, espanhol e português. Foram excluídas as teses, dissertações e artigos que não estavam disponíveis online na íntegra, bem como as duplicações.

Os artigos foram classificados segundo o nível de evidência, utilizando a classificação de Melnyk e Fineout-Overholt10 que, de acordo com uma abordagem metodológica, estabelece:

• nível 1 - evidências provenientes de revisão sistemática ou metanálise;

• nível 2 - evidências derivadas de pelo menos um ensaio clínico randomizado controlado bem delineado;

• nível 3 - evidências obtidas em ensaios clínicos bem delineados sem randomização;

• nível 4 - evidências provenientes de estudos de corte e de caso-controle bem delineados;

• nível 5 - evidências derivadas de revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos;

• nível 6 - evidências derivadas de um único estudo descritivo ou qualitativo;

• nível 7 - evidências oriundas de opinião de autoridades ou relatório de especialistas.

As buscas nas fontes de informações permitiram localizar 779 artigos, os quais foram submetidos a uma pré-seleção a partir da leitura do título e resumo, resultando em 36 artigos para leitura completa. Após essa leitura, e considerando os critérios de inclusão, critérios de exclusão e as repetições, foram excluídos 17 estudos (Figura 1).

 


Figura 1 - Processo de busca e seleção de estudos.

 

Todos os artigos selecionados tiveram suas evidências transferidas para um formulário específico construído pelas autoras com vistas a identificar os resultados que respondessem ao objetivo do estudo. Os achados encontrados foram agrupados segundo a temática abordada.

 

RESULTADOS

Foram analisados na íntegra 19 artigos, entre os quais 13 estavam no idioma inglês e seis em português. Quanto ao país de origem: seis estudos eram provenientes do Brasil; três dos Estados Unidos da América; dois da Índia; e o resto de países distintos. Em relação ao ano de publicação: no ano de 2007 houve o maior número de artigos publicados (n=5), sendo que nos anos de 2010 e 2004 não houve publicações sobre o assunto. E, ainda, observando-se a força das evidências obtidas nos artigos: encontraram-se um artigo com nível de evidência 5 e 17 com nível de evidência 6 (Tabela 1).

 

 

Em relação à população estudada, predominaram os profissionais de Medicina (n= 8) e Enfermagem (n=5) (Tabela 2).

 

 

Na sequência, são descritos os principais resultados apresentados nos artigos analisados organizados segundo temas de aproximação.

Ocorrência da automedicação em profissionais da saúde

A automedicação mostrou-se uma prática prevalente na população estudada. Entre profissionais brasileiros da saúde do Vale da Paraíba-SP, 73,8% dos entrevistados relataram ter utilizado medicamentos nos últimos três meses, sendo que a automedicação foi observada em 53,1% dos entrevistados.11 Também no Brasil, entre profissionais da rede básica de saúde da cidade de Pelotas-RS, 47% dos profissionais referiram uso de medicamentos nos últimos 15 dias, independentemente de possuírem problemas de saúde. Entre eles, 25% afirmaram que para a maioria dos medicamentos utilizados não possuíam prescrição médica.2

Na Jordânia, estudo identificou que 62,5% dos participantes se automedicavam. Desses, 48,2% eram profissionais de saúde.12

Na Polônia, ao avaliar o conhecimento sobre medicamentos que se encontram disponíveis aos consumidores em farmácias e não exigem prescrição médica (over-the-counter), apurou-se que 96% dos entrevistados usavam esses tipos de medicamentos, sendo mais utilizados (todos os dias) entre os profissionais de enfermagem. Segundo o autor, esse fato poderia ser explicado pela acessibilidade aos fármacos nos locais de trabalho desses profissionais.13

Tratando-se apenas de profissionais de enfermagem, em dois hospitais públicos na cidade do Rio de Janeiro-RJ a prevalência do uso de medicamentos sem prescrição médica foi de 24,2%. O número médio de fármacos utilizados na automedicação foi de 1,41 (variando de um a oito medicamentos referidos), sendo que 71,9% informaram utilizar apenas um e 28,2% referiram ter utilizado dois ou mais medicamentos nos últimos sete dias.14 Ao abordar o adoecimento e o uso de medicamentos psicoativos em trabalhadores da enfermagem de unidades de terapia intensiva no hospital de ensino no estado do Rio Grande do Sul, identificou-se que 63,2% dos participantes responderam afirmativamente à questão sobre a automedicação, independentemente do tipo de medicamento utilizado.15

Revisão de literatura sobre automedicação em médicos e estudantes de Medicina mostrou que 76% dos estudos tiveram prevalência de autotratamento superior a 50%. Nos 23 estudos revisados que forneceram informações sobre a autoprescrição, o número médio de médicos que declararam autoprescrição foi de 61%. Médicos finlandeses realizavam a automedicação em maior parte das doenças crônicas e 66% dos médicos britânicos referiram prescrever para si mesmos quando estavam doentes.16 Também entre médicos suíços que fizeram uso de medicamentos na última semana a automedicação foi relatada em 90% (n=1040) dos casos, sendo a automedicação mais frequente entre médicos mais jovens e com melhor saúde física.17

O mesmo pode ser observado no acompanhamento, durante nove anos, de médicos noruegueses, sendo que o primeiro tempo (T1) de avaliação se deu no final do internato (um ano após a graduação), a segunda avaliação (T2) no final do quarto ano após a graduação e a terceira avaliação (T3) foi feita no 10° ano após a graduação. A maioria dos médicos reportou que realizava autoprescrição de medicamentos. No final do internato (T1), 69% relataram ter feito autoprescrição nos últimos 2,5 anos. Os percentuais foram um pouco menores em T2 e T3 (54%), pois a prevalência corresponde apenas ao ano anterior ao questionário. Dos médicos que utilizavam medicamentos de prescrição, 90% (T1), 86% (T2) e 84% (T3) eram por autoprescrição. Ao final de nove anos de estudo, constatou-se que ser do sexo masculino, ter autoprescrito durante o internato (T1), apresentar queixas subjetivas de saúde, queixas somáticas, angústia mental e não ter consultado médico de clínica geral no ano anterior foram preditores significativos para a autoprescrição. Ressalta-se que neste estudo a maioria dos médicos (entre 74 e 81%) que não relataram automedicação afirmou que esse comportamento esteve atrelado ao fato de não ter apresentado necessidade de uso de medicamentos prescritos.18

Em um grupo de médicos de Hong Kong detectou-se que 64% não tinham como costume consultar outro médico. Destes, 88% (n=2.357) tomam alguns medicamentos, sendo 62% (n=1.675) autoprescritores dos medicamentos que tomaram.19

Na Índia, 56,73% dos médicos praticavam a automedicação com frequência, duas a três vezes por mês.20 Entre neurologistas americanos, 38% tinham autodiagnosticado ou autotratado condições clínicas sem consultar qualquer outro médico durante os últimos 12 meses; e 56% destes afirmaram que haviam iniciado sua própria prescrição médica nos últimos 12 meses.21

Ao analisar o autotratamento entre psiquiatras de Michigan, obteve-se que 42,5% dos participantes utilizariam a automedicação caso estivessem com depressão e 7% aceitariam essa prática para depressão grave com ideação suicida. Também, 15,7% referiram ter se autotratado de depressão no passado e 22,2% achavam que eles deveriam autotratar-se para depressão.22

Entre ginecologistas alemães foi investigado o hábito de autoprescrição de terapia de reposição hormonal. As ginecologistas foram questionadas sobre o uso e os profissionais do sexo masculino sobre a prescrição da terapia para a parceira. Dos entrevistados, 97% (n=2.459) afirmaram disposição para a prática.23

Entre profissionais de saúde brasileiros destacou-se o fato de que os médicos referiram quatro vezes mais o uso de medicamentos por automedicação do que os trabalhadores do nível médio da saúde. Além disso, ainda quando avaliada automedicação conforme a função, a categoria médica apresentou a automedicação mais prevalente (43,1%), enquanto a segunda maior prevalência (32,4%) esteve entre enfermeiros e odontologistas.2

Na Índia, a automedicação foi prevalente entre 67% dos farmacêuticos.24 Entre farmacêuticos americanos, a maioria dos entrevistados (77%) relatou automedicação com medicamentos não controlados.25 Ainda se tratando de farmacêuticos, com o intuito de conhecer as preferências e os conhecimentos sobre medicamentos que não exigem prescrição médica, foram abordados 250 membros do corpo docente de uma Faculdade no Paquistão (53 membros do corpo docente de Farmácia e 197 membros de outros departamentos). Quando perguntados sobre o que eles faziam ao sentir dor, 34% (que compreendem 32% dos não farmacêuticos) afirmaram ter visitado um médico e compraram o medicamento prescrito. Outros 38% (farmacêuticos) relataram que compraram o medicamento por conta própria em uma farmácia.26

Entre profissionais brasileiros da saúde, constatou-se que quanto maiores o nível de escolaridade e a classe social, maior a ocorrência de automedicação.2 E, entre trabalhadores de enfermagem brasileiros, observou-se que a prevalência do consumo de automedicação foi maior entre os mais jovens e de mais escolaridade. Logo, no mesmo estudo, foram identificadas menores prevalências de automedicação entre auxiliares e técnicos, quando comparados aos enfermeiros.14

Medicamentos utilizados na auto-medicação em profissionais da saúde

O uso de medicamentos nos últimos 15 dias foi referido por 47% dos profissionais brasileiros de saúde, com destaque para os analgésicos (27%). A quarta parte dos entrevistados (25%) afirmou que a maioria dos medicamentos que usa não possui prescrição médica.2

Ao abordar a cefaleia como causa de automedicação entre profissionais da saúde brasileiros, identificou-se que os medicamentos mais utilizados pertenciam às seguintes classes terapêuticas: anti-inflamatório não esteroide (AINE) (25,8%); antibiótico (9,1%); antigripal (7,6%); anti-inflamatório, corticosteroide, gastroprotetor, relaxante muscular (6,1%); antiespasmódico (4,6%)11

Ainda no Brasil, entre profissionais de enfermagem, foram identificados como os medicamentos mais consumidos por automedicação os de ação no sistema nervoso (46,7%), aparelho digestivo (15,4%) e produtos naturais em geral (10%). O subgrupo mais utilizado foi o dos analgésicos (43,4%), seguido dos anti-inflamatórios e antirreumáticos (7,3%) e vitaminas (6,2%).14

Em outro grupo de trabalhadores de enfermagem brasileiros, os analgésicos foram citados 26 vezes, os anti-inflamatórios seis vezes e os antibióticos três vezes.15 Em abordagem qualitativa com profissionais de enfermagem, foi possível inferir o uso de anti-inflamatórios e analgésicos como principais medicamentos relacionados à prática da automedicação, seguido do grupo de psicotrópicos.3

Entre médicos suíços, a automedicação mais frequente foi com analgésicos (96%) e tranquilizantes (96%) e menos para os antidepressivos (70%) e medicamentos anti-hipertensivos (65%).17 E, entre médicos noruegueses, os medicamentos mais utilizados para automedicação nos três tempos da pesquisa eram antibióticos, anticoncepcionais, analgésicos e hipnóticos.18

Em um grupo de neurologistas, quando questionados acerca das autoprescrições iniciadas durante os últimos 12 meses, os medicamentos citados mais frequentemente foram: AINEs (n=24), medicamentos para alergia (n=13), inibidores da bomba de próton (n=13), estatinas (n=10), triptanos (n=10), anti-hipertensivos (n=8) e para prevenção da enxaqueca (n=7).21

Na Jordânia, em uma amostra total que incluiu profissionais de saúde, os analgésicos, antipiréticos e antibióticos foram os tipos mais comuns de medicamentos administrados por automedicação (77,6, 75,3 e 71,8%, respectivamente).12 Na Índia, observando-se também na amostra geral, os analgésicos foram comumente usados para a automedicação. Já entre os médicos, foi expressivo o uso de antimicrobianos, medicamentos para insônia e laxantes.20

Em um grupo de farmacêuticos indianos, os analgésicos e antipiréticos (57,1%) eram os mais comumente utilizados para a automedicação, seguidos de fármacos para resfriado (14,3%).24

Tratando-se de medicamentos não controlados, os farmacêuticos americanos automedicaram-se mais frequentemente com antibióticos, seguidos de analgésicos e AINEs.25

Estudo polonês que avaliou o conhecimento de cidadãos da área da saúde e outras áreas sobre medicamentos que não exigem prescrição constatou que os analgésicos são usados por 87,8% dos compradores desses medicamentos.13

Sintomas clínicos para a automedicação

Em um grupo de neurologistas americanos, nos últimos 12 meses citaram-se como motivos de autodiagnóstico e autotratamento as seguintes condições clínicas: enxaqueca (n=8); alergias (n=5); dor nas costas (n=4); sinusite (n=4) e infecção respiratória superior (=4).21 Já entre os médicos indianos a condição clínica mais automedicada foi a dor de cabeça, seguida por resfriado e tosse.20 Em estudo com farmacêuticos indianos, tosse e resfriado (60,6%) foram as indicações mais comuns para a automedicação, seguida por dor de cabeça, febre (38,4% cada) e infecções na garganta (17,2%).24

No Paquistão, ao se abordar as preferências e os conhecimentos sobre medicamentos que não exigem receita médica, 6% dos farmacêuticos e 4% dos profissionais de outros departamentos afirmaram que sentiam dor quase todos os dias. Dores na cabeça e nas costas foram as mais comuns, 24 e 19%, respectivamente.26 Não foram discriminados quantos participantes se automedicaram para cada sintoma especificamente.

Medicamentos que não exigem prescrição médica mais consumidos entre poloneses foram analgésicos para dor forte, especialmente pelo pessoal da área da saúde. Logo, os motivos apresentados mais frequentemente para a tomada de analgésicos foram: dor de cabeça em 69% dos entrevistados e a dor menstrual em 18%.13

Ao abordar a cefaleia como causa de automedicação em profissionais de saúde brasileiros, revelou-se que os sintomas que os estimularam a utilizar medicamentos foram: 33,7% cefaleia, 8,8% infecção, 7,4% gastrite ou dismenorreia, 4,4% febre ou lombalgia. A queixa de dor foi relatada por 48,5% dos entrevistados.11

Em amostra de jordanianos, a dor de cabeça (81,2%) e dor de dente (52,9%) foram as queixas mais comuns que exigiram a administração de medicamentos pela prática da automedicação.12

Concepções e motivos para a automedicação

Buscando entender quais os motivos que justificam o recurso da automedicação de medicamentos não controlados, em um grupo de farmacêuticos, a maioria (75%) relatou conhecer as opções de tratamento da doença para a qual se automedicou, acreditando que um médico provavelmente prescreveria o mesmo fármaco. A falta de tempo para a consulta médica foi o segundo motivo mais citado para a automedicação, sendo mencionado por 42% dos participantes.25

A principal razão para a automedicação entre 68% de farmacêuticos indianos entrevistados foi a noção comum de que não era necessário consultar um médico para doenças menores. Com 13%, a comodidade de comprar os medicamentos no balcão da loja foi a segunda razão mais comum para a automedicação.24 Já entre médicos indianos, as razões mais comuns para a prática de automedicação foram a facilidade e a conveniência.20

Em revisão da literatura foram identificadas quatro principais justificativas para o autotratamento de médicos e estudantes de Medicina: evitar passar pelo papel de paciente; aceitação do autotratamento; desempenho ou pressão de trabalho para permanecer no ambiente laboral; e proteger ou manter as coisas sob o controle individual.16 A percepção da necessidade de mostrar uma imagem saudável, combinada com o desconforto em identificar-se como paciente e a preocupação com a confidencialidade, pode levar os médicos a assumir a responsabilidade por seus próprios cuidados.16 Isso vai ao encontro dos resultados apresentados em estudo com psiquiatras em Michigan, em que a decisão do autotratamento seria mais influenciada por um registro permanente seguro (40,4%) e pelo estigma da doença mental (25,7%).22

Em abordagem qualitativa a profissionais de enfermagem brasileiros, abstraiu-se que estes possuem conhecimento sobre os medicamentos disponíveis e seus efeitos, assim como dispõem, via de regra, de acesso fácil a eles, favorecendo a automedicação.3 O acesso facilitado também é mencionado em um grupo de profissionais de saúde da Polônia, entre os quais se avaliou o conhecimento sobre medicamentos que não exigem receita médica. Foi identificado que o grupo composto por enfermeiros era o que mais utilizava esse tipo de fármaco diariamente.13 E, entre profissionais de enfermagem no Brasil, mencionou-se a disponibilidade em conseguir receita com um médico das suas relações interpessoais, sem acompanhamento do tratamento.27

Aceitação e conhecimento da prática da automedicação entre profissionais da saúde

A aceitação da automedicação também foi tema abordado por alguns artigos analisados. Entre profissionais de saúde da Polônia e indivíduos de outras áreas, apenas 14% dos sujeitos eram contra qualquer tratamento sem a supervisão de um médico.13 E, entre farmacêuticos americanos, 57% dos entrevistados relataram apoiar a automedicação por farmacêuticos.25

A prática da automedicação mostrou-se aceita entre os próprios médicos. Neurologistas concordaram que os seguintes comportamentos são aceitáveis para os médicos: autotratar pequenas condições agudas (94%); autotratar condições crônicas (37%); autoprescrever antidepressivos (20%); autoprescrever hipnóticos para insônia (18%); e autoprescrever narcóticos para a dor (10%).21 Revisão da literatura apresentou estudo semelhante entre médicos australianos e registrou que 90% deles acreditavam ser aceitável o autotratamento de doenças agudas e 25% acreditavam ser aceitável o tratamento de suas próprias condições crônicas.16

A automedicação não tem sido associada à falta de informação ou desconhecimento sobre os riscos advindos dessa prática. Ao serem entrevistados, 25% de profissionais neurologistas responderam afirmativamente à questão de que médicos cometem alguns erros ao autotratarem-se.21 Na Índia, todos os médicos entrevistados manifestaram ter conhecimento e ciência dos problemas associados à automedicação.20 Também na Índia, a maioria dos farmacêuticos (81,5%) sabia que a automedicação poderia levar a complicações.24

 

DISCUSSÃO

A variedade dos métodos utilizados nos estudos dificultou o comparativo entre as prevalências de automedicação. Isso se deve à composição das populações estudadas que se mostraram distintas e alguns estudos não se restringiram exclusivamente a uma categoria de profissionais da equipe de saúde.

Além disso, o período considerado para o questionamento da prática de automedicação (período recordatório) nem sempre foi o mesmo ou, por vezes, não foi discriminado nos estudos. Esses fatores foram limitadores para a análise comparativa dos achados, assim como o fato de alguns estudos enfocarem a automedicação relacionada restritamente a alguns tipos de medicamentos.

Contudo, a análise dos artigos permite afirmar que a prevalência da automedicação é elevada em profissionais da saúde, pois até as menores frequências podem ser consideradas preocupantes no que se refere à saúde desses trabalhadores.

Mesmo diante das particularidades dos resultados e do baixo nível de evidência dos artigos (em sua maioria de nível 6), é possível inferir que a prevalência da automedicação em profissionais da saúde se assemelha à da população em geral. A automedicação é uma prática de 76,4% dos brasileiros, conforme estudo realizado em 12 capitais do país. Entre as capitais pesquisadas, a automedicação também se mostrou diversa, sendo encontrada maior prevalência em Salvador/BA (96,2%) e menor em Belo Horizonte/MG (35%).28

Os estudos salientam a categoria médica como destaque na prática da automedicação. No entanto, o consumo de fármacos que não exigem prescrição foi acentuado em farmacêuticos e profissionais de enfermagem. Entende-se que o conhecimento sobre os medicamentos seja fator determinante para o seu uso indiscriminado entre profissionais da saúde. Contudo, a atribuição médica da prescrição vem a ser o aspecto contribuinte para os números mais elevados nessa categoria. Já em outras categorias profissionais da área da saúde, apesar do provável acesso facilitado e conhecimento, há a necessidade da receita médica, o que limita a prática da automedicação.

Ainda se deve ressaltar que a população médica foi a mais abordada para o estudo da automedicação.3, 6, 8,12,13, 16-18 Esse achado revela que já existe grande preocupação com essa prática entre essa categoria profissional, elucidando as altas prevalências mostradas nos estudos.

Os resultados relacionados à associação entre maior nível de escolaridade e a automedicação em profissionais de saúde se confirma em outros estudos na população em geral.29,30 Esses dados revelam que a ausência de conhecimento não é justificativa para a prática de automedicação.

A prática de automedicação esteve mais presente em trabalhadores mais jovens, o que se assemelha aos resultados observados em distintas populações, ou seja, a automedicação é inversamente proporcional à idade.29,31,32 Sobre esse aspecto, é possível apreender que a maturidade evoca o bom senso dos profissionais e das pessoas ou, ainda, que as atuais gerações de jovens estão menos conscientes do cuidado de si, arriscando-se indevidamente a práticas como a automedicação.

Nessa direção, estudos informam que entre acadêmicos da área da saúde já existe elevado número de praticantes da automedicação.7,33 Diante disso, é possível fazer uma projeção da automedicação como prática continuada, uma vez que esses jovens logo serão os novos profissionais da saúde. Pelo fato de realizarem a automedicação, acredita-se que haja a tendência a fazê-la na vida profissional, principalmente porque o acesso facilitado será ainda maior com o início da atuação profissional.

Os sintomas mais citados para automedicação foram semelhantes a estudos na população geral,5,6,34 em que a dor foi o sintoma que motivou a automedicação na maioria das vezes. Destaca-se que a dor de cabeça foi citada em todos os estudos selecionados nesta revisão integrativa, o que pode estar relacionado ao estresse laboral desses profissionais, tendo em vista as responsabilidades peculiares e por lidarem constantemente com o sofrimento humano. Estudo brasileiro realizado com trabalhadores de enfermagem em um hospital do interior do Rio Grande do Sul, com o objetivo de verificar a prevalência de cefaleia nessa população, mostrou que em 68% dos casos o estresse foi citado como desencadeante da dor.35

Os medicamentos mais utilizados na automedicação foram os analgésicos, seguidos dos anti-inflamatórios e antibióticos. Entretanto, alguns estudos trataram dos medicamentos que não exigem prescrição, incluindo justamente as classes de medicamentos mais mencionadas, como analgésicos e anti-inflamatórios, sendo que alguns antibióticos também não são controlados em países como a Índia. Estudos que abordam a utilização de medicamentos tais como anti-inflamatórios na população geral associam o alto consumo ao grande investimentos das indústrias e meios de comunicação em propagandas publicitárias, sem muitas vezes dar destaque às contraindicações e efeitos colaterais,7,36 assim como ao fato de acreditar serem inofensivos para a saúde.7

Sobre os resultados, destaca-se a questão banalizada sobre o uso de medicamentos que não exigem prescrição, que embora sejam de livre acesso, não são inócuos à saúde. Ademais, os medicamentos vendidos sem exigência de prescrição empoderam o indivíduo a tratar seus próprios sintomas.

Percebe-se, ainda, que a prática da automedicação pode resultar do receio dos profissionais da saúde quanto a se perceberem doentes, o que poderia ser revelado na busca por um tratamento conduzido por outro profissional. Automedicando-se o profissional mantém a sua saúde sobre o próprio controle, identificando-se como saudável.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A automedicação em profissionais da saúde mostra-se um fenômeno prevalente e necessita ser mais investigado. Os altos números relacionados ao consumo de fármacos sem prescrição estão sinalizando uma prática banalizada, o que foi reforçado pela aceitação da automedicação entre os profissionais da saúde.

O baixo nível de evidência e a diversidade metodológica são limitações encontradas. Aspectos como período recordatório, sintomas apresentados e medicamentos consumidos representam uma lacuna do assunto na literatura, bem como a compreensão dos aspectos laborais associados à automedicação e os efeitos dessa prática sobre a saúde dos profissionais.

Sugerem-se estudos longitudinais para a obtenção de resultados mais conclusivos com vistas ao planejamento de ações preventivas voltadas para os profissionais em formação ou sobre a promoção da saúde dos trabalhadores.

 

REFERÊNCIAS

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